Aperto de Nota Triste
#05-2
Olá a todos, e Sejam bem vindos ao Blog.
Este é um primeiro passo para traduzir todas as anotações de História jogada para português. As informações sobre as línguas ou Conlangs ainda estarão em inglês, ou informações sobre Worldbuilding, também. Aviso: Não tenho como garantir que as histórias tenham a continuidade que eu desejo, porque são adaptação de histórias jogadas -- usando um sistema de narrativa próprio -- e, portanto, um jogador pode mudar de cidade (o que realmente aconteceu), e também não sei o final das histórias. Todas serão jogadas. Todas vão ter o lugar que se encontra no Blog para a publicação, e há vantagens incríveis em se publicar em Blog.
Primeiramente, está tudo anotado, depois, todo leitor irá ler a última versão mais recente, que pode até incluir mudanças no roteiro, mas tenho em mente fazer o mínimo de mudanças possível.
A História neste texto foi jogada em Lavras Novas, uma vila próxima a Ouro Preto, Minas Gerais. O lugar é realmente incrível. Tivemos de estabelecer a lei do falar baixo, e diminuir o tom das discussões a pedido do dono da casa, porque quase qualquer coisa que você diz, se disser muito alto, toda a cidade ouve.
# Aperto de Nota Triste
(#05-2)
Hoje faz frio em Tol Rim, mas ao invés dos picos nevados das montanhas que se pode conceber lá ao norte, ou da neve densa das montanhas a nordeste da enorme cidade e que separam a região do resto do continente, aqui ainda há o calor do mar e das florestas do oeste. São agora pouco mais de cinco horas, e o tráfego aéreo estão tão ruim quanto o de solo, mas ainda não chove.
Ainda é final do primeiro mês de 2.056, e pessoas e androides se amontoam pelas ruas de uma das cidades mais importante do Império, uma Aliança entre três raças muito distintas.
Akkoya -- apelido dado a Kalaummuklutwa pelo nativo -- é a Capital para a superraça ejik. São tantos mundos interligados pela genética, mais que inicialmente a cultura, que se uniram na Guerra das Três Raças. É possível ver as vias de alta velocidade lá no alto, que dão prioridade para a Nobreza Corporativa, e carros oficiais, a Politzéc, corporação que rege a Lei e a Ordem, e os nobres representativos das corporações Estado, indo e vindo das instalações cinematográficas no norte da cidade, mas não, a nobreza não é hereditária.
São acordos de agora mais de dois mil anos, que criaram um ciclo político de ascenção e queda de famílias que deixaram o nome impresso sobre todos os mais de vinte mundos ejik. Além da Aliança, outros impérios dividem interesses universo afora. Uma troca com a raça arbórea fauk, por um mundo, feita há quatrocentos anos, garante implantes de rede biológicos ao império, das raças ejik, ikka e koresh, e hoje todo jovem tem um.
Hoje o Peká de algumas pessoas especiais, cada um em sua região de Tol Rim, toca. Wiet, Arrol, a sempre jovem Deviant, e o bruto Horch recebem ao mesmo tempo uma mensagem.
"Saudações, Mal-ec. Eu preciso de ajuda, mas nada acontece no vazio. Ofereço 60k, em créditos, mas aviso que é uma situação difícil e não tenho como saber o tamanho do perigo que você pode estar se envolvendo. Esta mensagem está indo para umas poucas pessoas, escolhidas, mas há ameaça de morte neste trabalho e vou entender se você não vier.
Atenciosamente, Toaesch".
As ruas do Área Tempus são fedorentas, todos os dias, mas hoje está pior. Wiet lê a mensagem, e liga na mesma hora.
-- Acabei de receber uma mensagem, aqui -- berra ele.
-- Você pode vir para a reunião, mas deve aceitar o sigilo que é pedido -- diz a voz de mulher -- Sem obrigações. Não posso te dar mais informações sem você estar presente.
-- Eu espero que ninguém fique no meu caminho -- diz ele bem alto, e cuspe sai de sua boca. Ele desliga. Olha ao redor. Olha o endereço. Sabe que há um caminhão de lixo que vai para aqueles lados, e ele sai em pouco tempo.
Na zona leste, um lugar que não chama a atenção, Deviant liga para seus contatos. Ninguém sabe o que é. Ela resume ao seu melhor, "Tome conta, por mim,... você sabe,... Eu faço contato, depois do trabalho", e pega apenas uma arma leve para se garantir, afinal, qualquer coisa que venha com a informação clara de "Perigo de morte" merece.
O imenso edifício Nietogh, no número 10.000 da Via Vuihá, que liga a região dos estúdios de cinema, Mobi, e passa por Kokkemus, Koliandora, Santilla, o Centro, a imensa Universidade, Moozelon e até Plox; Via esta que está no Centro da região, à vista dos caofées de Santilla, ou da região rica das mansões nas montanhas, ele esboça aço e vidro sobre a paisagem.
Deviant entra no saguão, com nove metros de altura, uma escadaria coberta de tapete vermelho à direita, elevadores no lado oposto, e logo uma androide veio lhe falar. Ele diz "Por aqui, senhorita. Vou lhe levar ao turboelevador", sem perguntar seu nome. Ela não olha para trás, na hora de entrar no elevador, mas sente o soldado em armadura inclinar a cabeça muito levemente para a entrada.
Assim, uma androide vai até Wiet, e o guia até o elevador banhado a ouro. Ele se olha no espelho. Sabe que alguém está vendo, confere um dos bolsos e tira um pedaço de chocolate que nem lembrava estar lá, e come olhando sua imagem. Ele tem um olhar pesado. Seria difícil dizer se ele tem o olhar de um louco, ou o de alguém que sabe exatamente o que acontece ao mundo.
O espaço aéreo é controlado por droides, mas começou uma chuvinha muito fininha, que para uma raptor de velocidade se tornam quase pedras sobre seu casaco de couro original. Estacionar não foi difícil. Um pequeno droide câmera lhe recepcionou, e Arrol o seguiu até o elevador, mas percebe que não é o elevador comum.
-- Não tem ninguém nessa porra, não? Só droides? -- berra o caçador.
-- O senhor não precisa gritar -- diz uma voz, e ele se vira para ver uma mulher jovem num vestido longo.
-- Oh-oh, oh, você é problema, moça -- diz ele -- Vestido vermelho longo, voz macia, cabelos soltos, eu reconheço um problema quando eu vejo um, sim, sim.
O turboelevador se abre, e sai um homem magro, mas o chapéu tapa seu rosto. Impossível não reconhecer, já que apostar em corridas é um dos hábitos de Tol Rim.
-- Ora, ora -- se surpreende o caçador -- Não é o garoto, destaque da mídia?
-- E você é? -- interrompe a mulher de vermelho.
-- Eu não sou ninguém, dona -- cospe o homem, mas ela repara que apesar de ele parecer velho, não deve ter mais de trinta e oito. Sem dúvida, ele deve praticar as Artes proibidas, pensa ela, pois elas cobram o preço pelo poder.
-- Boa noite -- diz o jovem de chapéu, e casaco de couro.
-- Boa noite é muita gentileza sua -- ela ia lhe perguntar o nome, mas o elevador abriu-se novamente.
Apesar do elevador ser grande, sai dele abaixando a cabeça um enorme rakma, negro de manchas avermelhadas. O reptiliano tem uns espetos quebrados aqui e ali, e usa uma veste de combate, que parecem músculos negros, por baixo das semi-roupas de piloto.
-- Será que estamos todos aqui, então? -- pergunta a mulher.
Todos se viraram para ver um droide vindo, voando entre as piscinas com bordas banhadas a ouro. Ele veio da parede, lá do alto, ao lado de um enorme telão cinematográfico, e no lado oposto se vê cadeiras especiais. Há um arco no lado norte, e uma abóboda translúcida onde estão, e eles se reúnem hoje para falar sobre trabalho.
-- Boa noite -- diz a voz de homem, bem velho -- Aqui está o adiantamento (tuttut - faz o Pk de cada um e todos), sessenta mil, como estava anunciado. O quinto elemento teve de viajar, e não vem.
-- Não estou aqui pelo dinheiro, Tk -- diz o reptiliano -- Estou aqui porque quero ouvir o problema.
-- Hmmmh,... -- diz a mulher -- Qual é o problema, então?
-- Meu filho foi sequestrado -- revela o importante nobre, e sua voz treme.
-- Porque você me chamou, e como me achou nesse planeta? -- questiona o lagarto.
-- A Cartomante decidiu os números a serem chamados. Ela sorteou nos dados, e eu só segui o que meus outros contatos me disseram para fazer, que era seguir as instruções dela.
-- Aceito o trabalho, Mal-ec -- diz a dama.
-- Ow-ohw, moça, você é rápida -- interfere o homem sujo; ela vê restos de chocolate na barba dele -- Calma, ae. Nós vamos ter acesso a todas as informações? Eu disse TODAS as informações.
-- Depois de aceitarem o trabalho, sim -- confirma o nobre, revestido de droide.
-- Se você me GARANTE isso, então eu to dentro -- conclui o sujo. Ele anda até o vaso de plantas ornamentais e o arrasta um pouco, para poder sentar nele.
De repente, ouviram uma nova musical. Olharam para o lado, e o jovem de chapéu toca uma gaita. Aquilo deve ser a maneira dele de dizer que aceita o trabalho, diz a troca de olhares entre o reptiliano e a mulher de vermelho. O lagarto para e pensa. Não demora muito até se perceber seu rosto bruto e olhos de assassino tomarem a decisão.
-- Então, assim está bom -- fecha ele -- Nos dê as informações, e nós estamos no negócio. Ei, você! Você leva o velho? Vamos para o Hangar, que eu tenho fome.
O garoto parou de tocar, e ergueu a aba do chapéu.
-- Tenho uma outra ideia. Eu conheço um lugar onde podemos ter uma sala de reuniões livre de segredos, e tem comida. Mas pode ser, eu levo o velho então.
-- Ei! Eu tenho nome -- protesta o velho, cuspindo em um canto. Ele cheira a alho, malte e whisley bem velho, mas o garoto sorri de canto de boca, apertando os olhos.
-- Provavelmente -- responde o jovem negro -- Eu não sei exatamente o que eu estou fazendo nessa reunião.
-- Você está em um grupo formado para ter o máximo efeito, e é bom ver um de vocês tão longe de sua terra natal. Qual é o seu nome? Eu me chamo Deviant -- diz a mulher.
-- Arrol. Mas o que,...
-- E vocês dois? Nós precisamos nos conhecer, por nossa sobrevivência -- pergunta a senhorita aos outros dois.
-- Eu gosto de você, senhorita. Eu sou o Wiet -- responde o velho.
-- Horch -- finaliza o lagarto.
-- Eu não quero sessenta mil, quero devolver -- supreende Wiet -- Eu quero um encontro com essa mulher, A Cartomante. E o digníssimo nobre não nos disse seu nome.
-- Assim seja. Eu sou o Senhor Toaesch, Duque dessa corporação onde estão. Vocês terão os nossos recursos para isso. Meu filho estava quase em tempo de realizar os testes da Corporação para se tornar um nobre; isso não está nas informações porque é uma informação privilegiada, mas vocês devem saber disso.
-- Considere uma missão cumprida, Senhor Duch -- conclui Deviant.
E então, inúmeras mulheres lindas saíram de portas ocultas nas paredes, vestindo pouca roupa. "Eu gosto desse trabalho", balbuciou Wiet, mas todas olham para Deviant com um olhar de medo. O velho caçador olha para ela e força a visão, e então ele também percebe. Ela tem uma pouca aura visível, e também visivelmente sobrenatural, que causa desconforto.
-- Aqui estão as informações que vocês pediram -- diz o nobre, pela voz metálica do droide flutuante -- E se vocês quiserem comida e bebida, podem pedir às minhas funcionárias. Peço a vocês para não envolver a Mídia, hora nenhuma.
-- Maltado, e sem gelo -- ruge Wiet.
Todos se sentaram na piscina, para analisar as informações. O droide foi-se embora. Depois de configurarem que há informações demais, eles vão por eliminação, e fazendo um resumo.
O jovem sequestrado, Tooki, ejik, 17, viveu a maior parte de sua vida na Nietogh. Teve poucos, quase nenhum amigo. Está para se formar, na academia logal, em Física, e em Navegação. Ele adora música, em especial música ejik antiga, clássicos. Há uma foto. Ele nunca teve uma namorada, e fazia sexo apenas com as modelos que servem a corporação. Não costumava sair, mas frequentava o criadouro de cavalos de guerra, daqueles que têm duas patas dianteiras, onde cavalgava e também cuidava de tuleques, sempre acompanhado de droides de proteção, porque o filho de um Duque pode se tornar o próximo Duque da empresa.
-- Vam'pra fazenda -- mastigou Wiet.
-- Isso não vai levar a lugar nenhum -- conclui Arrol -- Ele é um físico, rico, e é só isso.
-- Nós precisamos começar em algum lugar, Arrol. Ele teve contato com herdeiros possíveis de outras grandes corporações, teve vinte de três tutores, mas apenas uma mulher mais velha que era religiosa -- diz o rakma, calmo. Mas isso meio que despertou a mente do jovem ejik, que imediatamente decide procurar nas informações onde o garoto sequestrado havia sido visto pela última vez.
-- Vamos para o criadouro, porque foi lá que ele desapareceu.
----- / -----
# Naeoitooki Haras, noroeste de Tol Rim
Tol Rim é uma cidade imensa, e o taxi que leva Deviant e Horch encolhido atrás contornou o espaço aéreo entre a área comercial de Santilla e a enorme região onde está a Universidade, até chegar ao Hangar. Wiet foi de raptor com Arrol. A moto de velocidade chega primeiro ao ponto de encontro, e o homem vê o garoto se encostar à moto de velocidade, e puxar a gaita. Ele toca uma melodia antiga, que deixa a sensação de que antes era melhor, fazendo com que alguns dos pilotos ali presentes parem para ouvir.
Depois de alocar a raptor na nave, com uma aparência bruta como toda nave rakma, eles seguiram para o interior. A noroeste dali, depois das fazendas industriais, eles vêem um sem número de morros, todos encimados de casinhas com antenas, e a nave avisa "Chegamos" na língua oka, o que deixa Deviant interessada: "Então, ele é um rakma que vive na Aliança? De onde será que ele vem?", pensa ela. O local de pouso já estava bom para pousar, e um androide faz a guia, sinalizando com os braços.
-- Wiet? Vamos fazer um reconhecimento? -- pegunta o garoto. O caçador não evita pensar "Garoto esperto, esse,... Gostei dele", mas Deviant tem um treinamento muito especial, e percebe esse pensamento vagando no ar; ela não diz nada.
-- Nós estaremos no estábulo onde o fato aconteceu -- diz o enorme reptiliano.
Depois do vôo de investigação, Arrol para no estábulo e percebem o problema logo ao olhar para o chão. Não há dúvida nenhuma de que isso é uma indicação sobrenatural, se não pior.
-- Oah! -- diz o jovem velho Wiet, ao descer da raptor, mas ele é até bem ágil para todo o seu peso.
-- Há droides pra todo lado -- resume Arrol -- Eles parecem saber que nós temos permissão para estar aqui. Toda colina tem uma casa em cima, todas com piscina, e onde também há uma antena ao lado da casa. O que é isso?
-- Isso é um heptagrama -- revela Deviant -- Foi aqui que o garoto desapareceu. Nós já testamos, jogar capim sobre o símbolo. O capim se queima, com uma chama violeta. Horch acha que é uma passagem para o Inferno, e o garoto não foi sequestrado.
-- O garoto foi mandado para o Inferno -- diz o rakma.
-- O garoto foi mandado para o Inferno? Vocês estão loucos. Missão cumprida, então. Vou pegar um malte numa das casas, e a gente se vê por aí um dia desses -- conclui o caçador.
-- Não é tão simples assim, Wiet -- diz o imenso Horch -- Temos uma missão de resgate.
-- Resgate!? Você não está falando o que eu acho que está falando,... -- a voz do caçador diz que ele está duvidando da lucidez do rakma, mas ele só olha meio de lado, e fica quieto.
-- Essa região deve ter milhares de medidas quadradas grandes,... -- comenta o garoto Arrol, enquanto olha seu Pk especial de pulso -- Aqui diz qual era a mansão em que ele ficava.
-- Vamos lá, investigar -- conclui Deviant.
Minutos depois, depois da longa explicação de Deviant sobre um heptagrama, que "Esse símbolo está relacionado aos Infernalistas. Um grupo, ou mais precisamente, uma Seita que existe há pelo menos cinco mil anos", Horch pousa ao lado da mansão, e Deviant imediatamente vai para a piscina para relaxar. Ela tira o vestido vermelho, e sua roupa de banho é branca. Arrol decide ir até a antena, e Wiet pede um malta para a androide que cuida dessa casa, pega um óculos de sol de algum dos bolsos, e deixa seu peso sobre uma cadeira de piscina.
O rakma investigou toda a mansão, e volta para falar com Wiet.
-- Não há nada de especial nessa casa -- conclui Horch.
-- Isso é uma música,... antiga -- Wiet está falando da música que Arrol toca em sua gaita, e eles podem ouvir das piscina. Wiet se levanta com algum esforço -- Vamos ver o que o garoto conseguiu. Você vem, moça?
-- Sem dúvida, Wiet -- e a senhorita sai da água, indo até seu vestido vermelho.
(Enquanto isso),...
Arrol vê a imensa antena, e retira sua gaita do bolso da jaqueta. As primeiras notas já lhe dizem que ele está prestes a encontrar uma coisa que procurava.
Assim, ele entra na base de concreto da antena, e seu Pk faz "tuttut". Ele olha, e o computador está "Procurando Rede". Seu sorriso se mistura com a música enquanto ele toca uma balada. Vai até o centro da base, depois decide sair de debaixo da antena. "Tuttut" faz o computador. A rede não funciona debaixo da antena,...
Ele vai novamente para cima da base, que fica apenas meio metro acima do chão. Sua intuição, guiada pela música que ele improvisa, ouvindo o chamado do seu coração, lhe diz que é exatamente aqui. Há um alçapão. Deve ser muito pesado para ele erguer, mas então ele se lembra que eles têm um rakma no grupo.
Assim, ele para de tocar. Ninguém poderia imaginar a sua surpresa quando ele continua ouvindo a música que estava tocando. Ela vem de lugar nenhum. O jovem piloto olha para cima, imaginando imaginar a música.
Deviant, Wiet e Horch chegam.
-- O que você tem pra nós aí, garoto? -- começa o velho.
-- Acho que encontrei -- responde Arrol. Ele guarda a sua gaita, e espera o grupo subir à base da antena, e então todos perceberam que o seu computador não encontrava a rede ali.
-- Isso é um alçapão -- comenta Deviant. Ela avança para tirar o alçapão, mas Horch entra na sua frente.
-- Deixa isso comigo, que eu abro -- diz o rakma.
Ela só ergue as sobrancelhas, e vê que o garoto Arrol olhava, atento. Não demorou um segundo, e o reptiliano ergueu o alçapão. Eles viram uma escada de parede, indo até bem no fundo onde não era possível ver o que havia.
Desceram. Horch primeiro, Deviant diz "Eu vou por último, para garantir a retaguarda", e desceu depois de Wiet e Arrol.
A escada de parede leva a uma sala, onde vários computadores estão às paredes. Várias luzinhas piscam, insistentes.
Arrol tira sua gaita e começa a tocar.
De alguma maneira, tudo isso de repente fez sentido em sua mente. Ele entoou uma música, e de repente sabe que essa era a música favorita do desaparecido Tooki. Todos investigam a sala, sem encontrar nada, mas o jovem piloto começa a entrar em transe, e apenas Wiet percebe que isso não é uma música qualquer.
Em transe, Arrol entoa a música e vai se lembrando do desaparecido. Tooki gostava de trazer as acompanhantes para essa mansão, e ele sente a imagem de estar sobre uma bóia na piscina da casa.
A toada é interrompida.
-- Eu conhecia Tooki -- revela o piloto.
-- O que você está dizendo? -- duvida o caçador.
-- Não, Wiet. Eu estou falando sério. Eu conhecia Tooki, mas não sei dizer como nem onde eu o conheci -- Arrol ainda sente sua mente ferver, enquanto diz isso.
-- Eu acredito em você -- confia o caçador.
-- Calma, Wiet. Mas isso é muito interessante, Arrol. Fale mais -- pede Deviant.
-- Eu,... eu não sei,... -- as palavras falham ao jovem. Ele treme.
A visão de Arrol é retirada do ambiente, e ele vê claramente um enorme cavalo de guerra Homi, como se fosse uma memória há muito muito tempo esquecida; ao voltar a si, ele está no chão e o rosto de Deviant está sobre o seu.
-- O que aconteceu, Arrol? -- ele ouve a voz do rakma.
-- Eu acabei de ver um cavalo de guerra preto, como se isso fosse uma memória,... Que barulho é esse?
-- Vem lá do alto,... -- e eles viram Deviant sair e subir. A velocidade dela foi tão grande que deixou um rastro no ar, como se inúmeras cópias dela fossem deixadas para trás, desaparecendo a seguir.
Ouviram um barulho imenso, "Bhhóooah!" vindo lá de cima.
Deviant bateu, ou melhor, esmurrou o alçapão. E nada. Ele está fechado pelo lado de fora. Tentando forçar mais uma vez, ela vê que não há como abrir, realmente, e decide descer.
-- O que aconteceu? -- pergunta Horch, sério.
-- Estamos fechados aqui -- diz a mulher de vermelho -- Alguém fechou o alçapão.
-- Mas,... -- Arrol olha pela passagem até lá em cima -- Ele está aberto,...
A sempre jovem Deviant vai até ele, e olha também. Ela faz um "Hmmmh",... e comenta "Horch, venha olhar isso também. Parece que essa passagem é um corredor planar"
-- Parece,... -- reflete o rakma -- que essa sala é a passagem. Você foi tão rápida que mudou de plano.
-- Estão fechando o alçapão! Eu estou vendo -- diz o piloto de corrida.
-- Você está vendo o alçapão ser fechado de novo? -- duvida Deviant.
-- Eu vou lá -- e o garoto começa a subir.
Arrol ouve um barulho, um tipo de "Póc", na sala abaixo.
Ele está se sentindo um mar sob uma tempestade, e mais memórias lhe vêm à mente. Ele se vê beijando uma mulher, uma das acompanhantes que servem a corporação.
Ao chegar lá no alto, Horch já estava lá, forçando o alçapão. "Como ele passou por mim?", se questiona o jovem.
-- Está fechado, realmente -- conclui o rakma -- E este não é o alçapão planar.
-- O que a gente faz agora, Horch? -- pergunta Arrol, sério.
-- Vamos descer -- diz o reptiliano.
-- Eu quero forçar a passagem, antes de descer, mas você está n-...
-- Vou ficar de olho em você, enquanto você desce.
Dito isso, o rakma simplesmente desapareceu diante dos olhos do jovem piloto, com um "Póc!". Arrol passa a mão sobre o lugar onde o rakma deveria estar, mas não há nada lá.
Assim, o jovem piloto fica tonto e acha que vai cair. Repira fundo, e volta a si. Vê que estão esmurrando a passagem, o som de marretas, então não há mais como sair da sala de computadores, nem por ali nem pelo outro lugar que os outros estão falando; ele não sabe o que é, mas ver uma pessoa desaparecendo bem diante dos seus olhos não é uma coisa que se vê também todos os dias.
Depois de forçar o alçapão sem sucesso, ele decide descer.
-- Você mudou de plano depois que eu teleportei -- diz o rakma, quando Arrol chega -- Isso é uma coisa que a sua raça faz, quando vocês estão sob muita pressão.
-- Eu vou tentar chamar um djine -- revela Deviant, e ela se concentra.
-- O que vocês estão querendo dizer? -- questiona o caçador.
-- Que nós estamos presos, Wiet -- revela Horch -- Não há mais como sair desse lugar. Eu não sinto o lado de fora, porque isso aqui é um plano paralelo.
Arrol olhou para a expressão no rosto do velho sujo, e acha que ele está doido. Seus olhos estão saindo das órbitas, e ele está se ajoelhando no chão, com as mãos cheias de dedos apontadas para cima diante de si.
-- Como a gente sai? -- Arrol pergunta a Horch.
-- Eu não consegui ser ouvida por nenhum djine, porque essas coisas só acontecem no mesmo plano. Isso aqui é provavelmente um construto, e estamos presos, realmente.
-- Mondohhamah moom-ha nekron a Lennehklámm!.. -- eles ouvem o caçador dizer, surtando. Ele está louco. Ele repete a loucura dessas palavras mais uma vez, e Arrol sente um arrepio torto. O velho rasga as próprias roupas, em transe. A parte de cima das roupas lhe caem sobre os braços e a cintura.
No mesmo instante, surge um rosto fantasmagórico diante dele, mas Deviant havia subido até a passagem novamente, e todos ouviram um barulho enorme novamente, "Bhhóoah!" vindo lá do alto. "Estamos mesmo fechados aqui",... conclui ela. Arrol fica paralizado. Horch olha para a entidade, se preparando para qualquer coisa.
-- Quem,... Vocêe!,....... -- a Entidade olha para o velho louco, e há ódio nos olhos da criatura.
-- Nós estamos presos aqui -- interfere Horch, rapidamente.
-- Ao menos um de vocês aporta -- não era uma pergunta, mas Horch responde.
-- Sou eu -- ele olha nos olhos da criatura, que percebe que ele não teme.
-- Você,.. -- o rosto olha novamente para o velho caçador -- Hhm,.. está certo, então. Eu vou criar uma passagem para fora, e você -- a coisa olha para o rakma -- aporta todos pela passagem.
Pareceu muito óbvio para Arrol que a Entidade conhecia o velho louco, sem nenhuma dúvida.
-- Pule -- Deviant ouve uma voz, grave e tenebrosa.
-- Olá -- ela responde -- Quem é você?
-- Eu sou O Sombrio, a voz e mensageiro da Senhora das Trevas.
-- Oh, merda,..... Não preciso dos seus favores. Se você me ajudar eu não te devo nada -- ela responde.
-- Você não tem o tempo para descer -- diz a voz.
-- Hmpf,... -- ela olha para baixo, e pula. São umas trinta medidas até lá embaixo. Ela se concentra em suas capacidades especiais, e se prepara para o impacto.
-- Aí está a passagem -- diz a Entidade, e seu rosto desaparece. O rakma sente sua nave, e decide em um segundo.
Horch rapidamente segura o velho louco pelo braço, e olha para Arrol. O jovem não precisa de ordens, e se apressa a segurar o braço do rakma, ao mesmo tempo que olha procurando por Deviant.
A mulher de vermelho cai, fazendo um barulho surdo, e suas pernas se transformam em pétalas vermelhas. Após o impacto, ela se ergue e Arrol vê sob a pouca luz desse lugar as pétalas vermelhas recomporem o corpo dela novamente. Em um segundo, ela era ela outra vez. Ela pula, tão rápido quando não é possível prever, e segura o braço do reptiliano.
O lugar desaparece, e eles estão fora, dentro da nave de Horch.
# A Chefe de Segurança
-- Abre essa porta -- Arrol está tenso, e desesperado.
-- Klah, abra a porta para ele sair -- ordena o rakma à sua nave. E a porta se abre. O jovem sai e anda tonto até sua raptor de motovelocidade, dá a partida e sai voando pelo ar.
O garoto ainda está tendo memórias estranhas, e vê uma cachoeira, como se ele já a conhecesse. Em cinco minutos ou menos, ele para a raptor ao lado da queda d'água, tira as roupas meio desesperado, e entra na água.
Ainda na nave Klah, Deviant e Horch se olham nos olhos. Ela sugere "Piscina?" e ele só a segue até a mansão, deixando o velho louco ajoelhado ali como se o mundo houvesse acabado.
Ao saírem da nave, Deviant e Horch viram uma mulher com uma jaqueta com a estrela símbolo da corporação lá na antena, e eles foram chegando perto, ouvindo muito baixinho -- ambos têm todo o treinamento para isso -- a mulher dizer "Parem!", ordenando os homens a parar de tentar abrir aquele alçapão a força.
A mulher veste uma roupa preta, utilitária, e vai até eles no meio do caminho.
-- Vocês estão bem? Nosso sistema avisou que vocês estavam presos, e eu mandei os funcionários tentarem abrir o alçapão. Mas o que foi que aconteceu?
-- Primeiro, o que você é? -- pergunta Deviant.
-- Eu não tenho Magia. Sou a chefe de segurança das fazendas. Eu sei que magia existe, minha avó era uma bruxa.
Só então Deviant relaxou, Horch percebe os músculos dela descansando.
-- Eu aceito uma bebida, e sexo, na piscina -- pede Deviant.
-- Não entendi o que você quer dizer, senhorita. Eu sou a chefe de segurança,...
-- Então, o androide me faz uma bebida -- ela diz, decepcionada.
Na mansão, eles narram tudo o que aconteceu à Chefe, e ela diz que vai mandar um relatório ao Duque. Deviant interfere, e diz que eles também vão fazer o mesmo, de roupas de banho, sobre a bóia da piscina.
-- Não há construtos na nossa fazenda -- diz a Chefe, e ela passa a mão sobre seu cabeço preto curto. Deviant faz um "Tsc", pensando sobre a pele branca da segurança.
-- Pode acreditar, senhorita Chefe, que aquilo é um construto -- conclui Deviant.
Horch retira sua veste de combate, e se prepara para tomar o sol que todo rakma deve tomar uma vez por semana, agora parece que concluindo que a Chefe não tem nada a ver com tudo isso.
-- Ah, Chefe -- Deviant sorri de canto de olho -- Eu sou Deviant.
-- Naila -- diz a Chefe -- Se vocês não se importarem, eu quero ficar e ouvir o que vocês vão decidir fazer, para fazer meu relatório depois.
-- Oi, droide! -- eles vêem o velho chegando, com a roupa toda rasgada -- Malta, sèc! Apresentações? Eu sou Wiet, e eu vou ficar aqui debaixo do toldo relaxando, moça -- ele fala com a Chefe -- Não se preocupe. Eu estou ouvindo.
# Meditação Um
Depois de uma experiência traumática, descanse sobre suas memórias.
# Arrol e Tooki
O jovem piloto Arrol se lembra como se fosse hoje sua primeira corrida, ali relaxando na cachoeira. Hoje, porém, a impressão de que ouvia a sua própria gaita foi a coisa mais estranha disso tudo. Eco? O que seria? Depois de algum tempo, ele espera a água evaporar, e veste sua roupa deixando seus pensamentos se encontrarem.
Minutos depois, ele decide que isso não pode ser coincidência, e se prepara para ir encontrar o grupo. Ele bipa a nave de Horch, pois não tem o Pk de ninguém, e ela responde.
Instantes depois, o rakma lhe envia a mensagem de que estão na piscina, está tudo bem. Ele responde ao reptiliano que está a caminho, e que esperem por ele em dez minutos.
Sua mente não para, mas flui, e ele ordena sua raptor chamar pelo Senhor Duque.
Ele sabe o que está acontecendo, apesar de ser a coisa mais absurda que ele mesmo já conseguiu pensar em toda a sua vida. Não existe nenhuma outra explicação possível.
-- Sim -- Arrol ouve a voz do Duque.
-- Senhor Toaesch, o Senhor se lembra que eu conhecia Tooki, seu filho? -- questiona Arrol.
O Duque não responde de imediato, e demora algum tempo até que ele falar. O jovem observa cada nota musical da voz do Duque, porque isso pode ser muito importante.
-- Eu não sei do que você está falando -- diz o nobre.
-- Eu sei o que está acontecendo.
Depois de ouvir a voz do nobre, sua mente está clara como um dia de verão. Tudo isso lhe confirma. Suas memórias estranhas, o eco da música que ele tocou. A tentativa de deixa-los presos, o heptagrama no chão do estábulo, tudo isso lhe diz com muita certeza que ele está certo. É insano, mas tem certeza que essa é a resposta.
-- Seu filho está sendo obliterado.
(Fim)
Algumas Considerações necessárias
Quem estava do outro lado do alçapão planar? Arrol está certo? Está mesmo o filho do nobre Duque, Tooki, de que Arrol se lembra vagamente de ter conhecido, em memórias estranhas, sendo apagado da memória do mundo, até a não existência?
Espero que você esteja se divertindo com a leitura, e,...
,... Fique ligado.
----- / -----
Dia: 27 de Novembro, 2010, Lavras Novas (Alexandre's Lair)
Hora de Jogo: Início em Dia 27, 18:51; Final em: Dia 28, 05:32
Personagens
Wiet, ejik, um jovem velho careca, apesar de ter apenas por volta de 35 anos, num chapéu de pastor
Local de Origem: desconhecido
Mote
-- "Once a hunter guided by faith and now cursed by a mistake, he wanders without past".
Arrol, ejik, 17, um jovem negro com olhos ambar, e uma queda por adrenalida, famoso corredor de motovelocidade
Origem: Tol Rim, Kalaummuklutwa (Akkoya)
Mote
-- "I'm centered but I enjoy adrenaline and live into this dialectic. I'm a pilot, and musician. I crawl by the streets, and find myself on the chess".
Deviant, ejik, idade indeterminada, brunette, cabelos pretos, proporções femininas perfeitas
Origem: Princípia (Prislýpea), Akkoya
Mote
-- "You've got a job to get done, and I have creds to collect".
Horch, rakma (reptiliano), negro com sardas avermelhadas, roupas utilitárias de piloto, veste de combate, e boina
Origem: desconhecida
Mote
-- "I travel unimaginable distances to free those who deserve a second chance".
----- / -----
Notas em Inglês -- Notes in English
Helo, and Be welcome to the Action Tale adventure blog.
The old version in English is being given a final version, but in Portuguese. My friend Heitor, also a member of our Creative Club, was always elling me that my English is strange. Also, several friends here where I live say "It's in English, so I can't read". This way, I'm writing finally the final versions, but Portuguese is the language to be used now. We have a translator now, and as soon as there happens some enough money to do that, there will be an English version.
All information on the Conlangs, worldbuilding and other notes must stay in English, for that is really easier to keep in this language and also because it is directed to a broader audience.
Thanks for your pacience.
Stay Plugged.