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Saturday, 20 May 2017

Ilha de Realidade (#03)

     Ilha de Realidade

     Esta sessão foi jogada em 19 de Maio de 2017.

     Depois de uma noite bem dormida, Rayki se levanta para conversar com sua casa. "Darla", a casa, diz que vai precisar de manutenção, mas que não é urgente. Rayki pergunta se Darla tem os manuais de manutenção e, depois de confirmar que sim, ele diz que "Não tem problema nenhum. Eu vou estudar os manuais, e conserto à medida da necessidade", depois foi fazer café para Tobias e Lucius, que se levantaram.

     As impressões de Rayki sobre o mundo são muito básicas.

     Ele não tem informações o suficiente para concluir as observações sobre o mundo, mas lembra um pouco Akkoya de dois mil anos antes.

     -- Bom dia -- diz ele -- O café está pronto.
     -- Bom dia -- responde o Diretor Tobias, se sentando.
     -- Dia -- responde Lucius -- Hoje nós vamos verificar os documentos de vocês. Seria muito ruim que um policial comum parasse vocês e vocês não tivessem os seus documentos em dia, e isso é um serviço da Guarda pra vocês, então são documentos oficiais.
     -- O que é esse barulho? -- questiona Rayki.
     -- Meu telefone está tocando -- responde Lucius -- Vou colocar no viva-voz (e atende). Bom dia, Tarja.
     -- Bom dia, Lucius -- diz a bruxa -- Eu entrei em contato com um astrônomo, Neil, e tenho algumas informações importantes. A noite passada, uma série de luzes douradas apareceram no céu de Beaga, formando um dragão em cima da cidade. Acontece que esse dragão existe. Tenho um contato que é um schamant, e ele está cuidando desse dragão.
     -- Que bom! -- exalta-se Tobias -- ele sobreviveu e veio nos proteger. Esse dragão é o dragão protetor de nossa escola.
     -- Bom saber disso -- a voz de Tarja melhorou um pouco -- Eu queria que vocês fossem a uma das Casas, que tem alunas que já estão prontas para começar os estudos.
     -- Pode deixar que fazemos isso -- diz Lucius.
     -- Não posso deixar de dizer que tem um lugar em Andrômeda que está em zero absoluto, e que foram vistas naves tentando deixar a galáxia, mas não conseguiram.
     -- Mataram nosso setor, então... Zero absoluto mata qualquer coisa. Nem mesmo os espíritos sobrevivem a essa temperatura.
     -- Se é isso, é isso, Tobias -- Tarja tem o pensamento rápido -- Meus pêsames. Você consegue calcular o tamanho do estrago? Número de mortos, é o que quero dizer.
     -- Um trilhão e meio de habitantes, viviam naquele setor.
     -- Quem quer que tenha atacado o seu setor tem uma arma que ameaça a existência da vida, Tobias, e precisamos nos proteger disso.
     -- Não temos tecnologia para enfrentar isso, Tarja -- resume Tobias -- Sabemos só que os mundos começaram a ser bombardeados, de órbita, até que não restasse nada.
     -- Temos de nos unir, Tobias. Nós precisamos te pedir para passar os conhecimentos que tinham em seu mundo de origem aos estudantes de nossa escola. Estamos fundando uma escola. Assim que puder, vamos nos encontrar para conversar sobre esse assunto, por favor.
     -- Sem dúvida -- Tobias toma um gole do café.
     -- Tarja, você tem noção de quantos estudantes nós já temos?
     -- Uns vinte, Lucius -- ela suspira -- Nós precisamos de técnicas de construção, para que as Casas não fiquem a mostra para os comuns.
     -- Nós temos técnicas avançadas de construção, Tarja -- diz Tobias -- Será um prazer poder ajudar.
     -- Temos uma base que, se todos os construtos forem construídos da maneira correta, podemos ter mais ou menos trinta mil estudantes, na zona sul de Beaga.
     -- Isso é dez vezes a quantidade de estudantes que a minha escola tinha -- Tobias se assombra -- Nunca pensamos em ter uma escola com essa capacidade.
     -- Lucius, você toma conta deles -- diz Tarja -- Eu vou cuidar de tentar encontrar estudantes que estejam encarnando.
     -- Sem problemas, Tarja.

     A conversa foi muito boa, é o que pensa Rayki.

     De repente, um barulho contínuo começa a ser ouvido, e Rayki identifica o barulho como vindo do seu carro, que é um carro de polícia de Akkoya.

     Ele vai até o carro, e entra, para ver o que é que está acontecendo.

     -- Akkoya foi bombardeada -- diz o carro.
     -- O que?! Pelos Deuses! Você tem mais informações?
     -- A Academia da Magia, da Política e do Poder conseguiu se proteger do ataque. As informações que tenho são as da Academia. O alvo foram as Ilhas de Realidade do mundo, e você sabe que são milhares de Ilhas. Isso, e os grandes centros urbanos.
     -- Dos dezesseis bilhões, quantos foram os mortos?
     -- Quatro bilhões e meio de mortos. A frota está intacta. Estão ajudando os sobreviventes. Nenhuma das pessoas de poder mais importantes morreu.
     Uma interferência acontece, e Rayki ouve uma voz conhecida.
     -- Inspetor Rayki -- ele confirma, "Sim?" -- Aqui é Raýla. Eu venho te pedir que continue a investigar os mapas da pasta preta. Voltamos a nos comunicar, depois. O Nephlimburg que nos mostra o mundo em que você está está intacta, e é a única escola que sobreviveu; uma escola que não está totalmente construída, por enquanto.
     -- Sim, minha Senhora -- Rayki responde -- Estou na ativa.

     A comunicação terminou, e Rayki agradeceu ao carro.

     Rayki reuniu o grupo, para fazer mais café, e conversar.

     -- Meu mundo foi bombardeado -- revela ele.
     -- Será que tem alguma coisa a ver com os bombardeios em Andrômeda?
     -- Boa pergunta, Lucius -- Rayki está desolado -- Não sabemos.
     -- Vamos visitar as estudantes na Casa que Tarja nos pediu?
     -- Vamos, Tobias -- diz Rayki -- A Academia do meu mundo sobreviveu ao ataque, e isso é um bom sinal, de que podemos sobreviver a esse inimigo em comum.
     -- Que boa notícia, Rayki -- Tobias se exalta -- Claro, que nada apaga o sofrimento das pessoas que perderam entes queridos, mas é uma excelente notícia.
     -- Quantos mortos em seu mundo, Rayki?
     -- Quatro bilhões e meio, Lucius -- explica o inspetor.
     -- Meus pêsames -- diz Lucius -- Vamos?
     -- Vamos -- Rayki concorda -- Está na hora.

     Saíram da casa e entraram no carro de Lucius, um Opala antigo.

     -- Que pitoresco -- foi o comentário de Rayki.
     -- É um Opala, oitenta e seis -- explica Lucius, com calma.
     -- E como é que se dirige? -- Rayki quer entender.
     -- Fique observando, que você vai aprender.

     Alguns minutos depois, estavam chegando ao lugar onde fica a Casa, mas Rayki sentiu que entrou em sintonia, identificando que acabaram de entrar em uma Ilha de Realidade.

     -- Estamos em uma Ilha de Realidade -- informa Rayki.
     -- Bom saber -- diz Tobias -- Mais tarde, podemos verificar o tamanho dessa Ilha de Realidade, depois de conversar com as estudantes.

     Chegaram a uma casa que, da mesma forma que a casa de Rayki, se esconde dos olhos das pessoas comuns, e dos visitantes indesejados.

     Foi difícil se anunciar, porque é uma parede reta, não uma porta.

     Entraram, depois que uma das estudantes permitiu.

     -- Aqui é Lucius, eu sou da Guarda da cidade.
     -- E quem foi que te deu o nosso endereço? -- questionou ela.
     -- Foi Tarja da Noite Preta, e precisamos entrar.
     -- Ela nos avisou que vocês viriam.

     Entraram, e foram recebidos por um bando de meninas. Duas delas se assombraram, a mais velha e uma outra menina, dizendo "Diretor Tobias,... você está vivo".

     Rayki viu uma pequena de uns nove anos, que questionou imediatamente.

     -- Eu sou Ayahkra -- disse ela -- Quem é você?
     Depois de identificar a voz, ele sabe que é a Deusa que lhe ensinou português.
     -- Inspetor Rayki, número 10.191, formado pela Academia de Akkoya.
     -- O que foi de mais importante que você descobriu hoje?
     -- Até agora, que esta região também é uma Ilha de Realidade. Nós vamos investigar o tamanho do Nephlimburg, mais tarde.
     -- Essa é uma ótima ideia, vou fazer isso.

     E a pequena pulou a janela, e não estava mais lá.

     -- Inspetor Rayki, em que mundo você está? -- ele ouviu pela janela. A voz era jovem, de uma garota, e disse isso na língua de Akkoya.
     -- Chamam de Terra, é o nome genérico. Não sei por enquanto o nome certo. Você está em Akkoya? Onde você está? Quem é você?
     E Rayki também pulou a janela, pra ir falar com a voz.
     -- Me chame de Amila -- disse a voz -- Eu estou na única escola que não foi atacada.
     -- Que bom saber que você consegue nos ver -- Rayki conclui.
     -- Você poderia me dizer o tamanho do Nephlimburg?
     -- Vou verificar isso, e depois eu te digo -- diz Rayki, cheio de missão -- Você está observando esta Casa? Tem algum motivo especial pra isso?
     -- A Deusa Gato está morando nessa Casa.
     -- Que bom saber -- Rayki se sente aliviado, agora sabe o nome da Deusa -- E que bom que tenho um meio de comunicação com Akkoya. Você é nobre?
     -- Eu sou da Casa de Raýla -- disse a garota.
     -- Que ótimo! Vou verificar o tamanho da Ilha de Realidade e amanhã em te digo.
     -- Iyalaloui (Obrigado) -- disse a garota, se despedindo.

     Rayki voltou para dentro da casa, onde Tobias verificava as memórias das suas alunas, e não estavam melhores do que as dele mesmo.

     Katia, a mais velha, agradeceu pela visita.

     Saíram da casa bastante entusiasmados com a possibilidade de se ter uma escola que não tem uma série de edifícios base, ou seja, não tem um alvo central para um ataque.

     Foram verificar o tamanho da Ilha de Realidade.

     Depois de uma tarde inteira de investigação, concluíram que quase toda a região sul da cidade estava sendo transformada em Ilha de Realidade.

     Isso significa um Nephlimburg imenso, fora de padrão.

     Foi o que Rayki explicou para seus companheiros.

     -- Agora, vamos resolver os seus documentos.

             (fim de sessão)

     Agradeço muito por ler, e,...
        ..,. Stay Plugged.

Thursday, 26 January 2017

A Pasta Preta (#01)

     Início dos jogos, por assim dizer.

     Estamos com dois grupos, jogando em cenários parecidos, mas um está sendo anotado para se tornar romance, um para a publicação aqui no blug.

     Dei o nome de Nephlimburgs a este segundo jogo.

     Nos reunimos na semana passada para jogar. Um jogador de muitos anos e, como eu, admirador de sistemas bem bolados como gurps e ars magica, além é claro da edição do the world of darkness em que o livro de regras vem separado, pronto pra jogar qualquer coisa que o grupo quiser. E um jogador que nunca havia jogado, mas que adorou o jogo. O outro grupo tem dois jogadores de muito tempo de jogo, e a história está mais avançada.

     Estamos jogando em 2016 (5208), e vamos jogar dia a dia.

     Isso significa que não vou poder postar tudo o que é jogado, se não ficaria impossível publicar no blug a história, mas vou publicar todas as partes mais importantes.

             Akkoya, Academia de Ryklant

     A Academia é um lugar imenso, com várias vilas planares e padrão, onde moram mais ou menos dois milhões e meio de estudantes, professores, doutores, militares e especialistas, um lugar aonde só quem recebe essa permissão vai estudar. Outros, frequentam universidades. Hoje seria um dia como outro qualquer. Inspetor Rayki está terminando o relatório de uma investigação, mas decide ir ao banheiro. Ao voltar, encontra uma pasta preta de papel sobre sua mesa. Ele arreda a pasta, e o relatório que iria ser longo, foi reduzido para meia hora de trabalho e, terminado, ele pega a pasta preta.

     Ao abrir, encontra cinco mapas impressos em papel de Akkoya.

     -- O segundo mapa é da Academia, de uma praça em uma das vilas no padrão -- diz seu peka.
     -- Que ótimo,... -- ele continua olhando os mapas -- Peka, eles estão em línguas que eu não conheço. Você tem alguma ideia?
     -- O primeiro mapa está na língua dos navegadores, o português. Temos uma região a sudoeste de Ryklant que fala essa língua, mas é onde as cooperativas travam seu embate e por causa disso tem milícias armadas na região.
     -- Que ótimo,... Avise minha viatura, estamos indo para essa região e que ela se prepare para intervenções.

     Rayki, então, parou o tempo e saiu do seu corpo.

     -- Raýla, eu Rayki preciso falar com você.

     A névoa à sua frente se transformou em Raýla.

     -- Alteza, foram deixados estes cinco mapas sobre minha mesa -- e abriu os mapas para que ela pudesse ver.
     -- A pessoa -- ela cheira o ar, com sutileza -- que deixou isso aqui é ediche, aproximadamente trinta anos, sexo masculino. Não é informação o bastante para identifica-lo.
     -- O que eu faço com esses mapas?
     -- Isso foi deixado para que você investigue.
     -- Eu vou investigar, então. E muito obrigado pelo seu tempo, alteza. Espero descobrir o que está acontecendo em breve, e eu te aviso se houver qualquer perigo.
     A nobre abaixou a cabeça e ergueu, depois sumiu na névoa.

     -- Tugi, desculpe incomodar, mas tenho mapas para uma investigação. Sei que você não vai aparecer para conversar, mas mantenho você avisado. Se houver qualquer perigo, eu volto à Academia e te aviso.
     -- Obrigado.

     Duas horas depois, Rayki sobrevoa a região de Ilha do Peixe.

     -- Viatura, vamos verificar as ilhas?

     Depois de alguns minutos, ele vê uma ilha onde uma menina de uns onze ou doze anos fuma, no alto da ilha, ao lado de um bosque.

     -- Se é isso que chamou a atenção, Viatura, vamos descer e conversar.

     O Inspetor parou a viatura próximo a essa menina, e abriu a janela. É uma menina clara, mas bronzeada de praia.

     -- Oi, você fala Oka?
     -- Nativa, posso saber porque?
     -- Ainda bem. Não, é só pra saber se eu iria ter de falar em português. Isso não é muito normal, pra mim, não sabia que havia moradores nessa ilha.
     -- Meu pai comprou a única casa.
     -- Ele trabalha com o que?
     -- Meu pai trabalha com a Bolsa, mas trabalha em casa.
     -- E você? Vem sempre aqui? Fuma escondido?
     -- Eu venho às Ruínas da Morte sempre, e fumo porque é meu remédio. Se não, coisas estranhas acontecem perto de mim.
     -- Entendi. Minha suposição é de que você é uma bruxa.
     -- Sou -- ela ficou incomodada -- Eu sou uma bruxa.
     -- Que bom. Que Ruína é essa, que você disse?
     -- Dizem que essa lápide é a lápide da primeira vez que a Deusa da Morte morreu. Não é uma ideia muito boa vir aqui e não falar com ela.
     -- Vou descer e ir na Ruína, então.

     O Inspetor Rayki desceu e se aproximou.

     A aura da garota de repente começou a ficar visível, e ele a ouve murmurando "Vou ter de fumar mais um", e se aproxima da lápide.

     -- Deusa da Morte, eu recebi cinco mapas e vou investigar. Se a Senhora tiver qualquer coisa a me dizer, por favor, diga.
     Apareceu uma mão destra de névoa, parecendo ossos. A mão apontou a pasta preta e o chão e, então, Rayki entendeu e abriu os mapas no chão.
     -- Eu sou Efemmera, A Morte. Você vai encontrar um distúrbio aqui -- e a mão apontou um lugar no mapa de Ryklant, uma casa na praça da vila padrão da Academia.
     -- Eu agradeço, e espero pelo dia em que vamos nos encontrar da maneira que eu acho pior. Há ameaça de morte em meu caminho?
     -- Isso existe. Pela sua reverência ao meu Santuário, não levarei você.
     -- Obrigado por isso -- e a mão sumiu.

     Rayki passou pela garota, acenando para ela.

     -- Iyalaloui (Obrigado) -- ele diz -- Espero que possamos nos encontrar de novo.
     -- Obrigada pela visita, mas como eu devia te chamar? -- a aura dela desapareceu, e ela voltou a se acalmar.
     -- Inspetor Rayki, e você?
     -- Orija Manga.

     Rayki entrou na viatura e foi embora, mas enquanto pilotava, resmungava: "Puta merda, eu conversei com A Morte. Puta merda",... várias vezes.

     Ao chegar na praça, havia uma viatura da Defesa da Academia, a patente logo abaixo dele, do lado de fora da casa com a perturbação.

     -- Boa noite, Inspetor Rayki -- ele mostra a carteira.
     -- Boa noite, Inspetor -- disse o líder -- Estou vendo que mandaram um especialista. Que bom. Eu e os outros não queremos entrar, por causa das manifestações.
     -- Eu vou entrar com a minha viatura. Se vocês puderem, façam a segurança da praça, pois não sei aonde isso vai nem sei que dia eu volto, mas a viatura é uma garantia.
     -- Boa sorte, Inspetor -- desejou o líder dos policiais.

     Entrando na viatura, Rayki questionou se está tudo bem.

     -- Vamos entrar em uma manifestação desconhecida, não está tudo bem.
     -- Vou precisar de você, pra ter um lugar seguro pra dormir.

     Depois disso, a viatura concordou, e Rayki sobrevoou a casa para entrar na garagem. Ao estacionar, o telhado tapou a visão do céu.

     -- Inspetor -- diz a viatura -- estou captando satélites de baixa tecnologia em órbita, de tecnologias parecidas com as que eram usadas há dois mil e quinhentos anos atrás.
     -- Que ótimo,... Tem algum sinal da Academia?
     -- Nenhum, e estamos em uma grande cidade. Vou precisar estudar. Me deixe aqui, eu espero você para que você possa dormir.
     -- Iyalaloui (Obrigado).
             *

     Uma das vantagens de ter se tornado Inspetor da Guarda dessa cidade é ter acesso a relatórios da Guarda, e ter presença em qualquer investigação, se quiser.

     Os dois membros da Guarda fazem o seu relatório, e Lucius acompanha cada palavra.

     Em primeiro lugar, o relatório confirma que agora existe a ruína de uma Escola de Magia na região comercial, que não existia antes. Não existia, mas a líder bruxa confirmou que estão aparecendo jovens que estudaram nessa escola, mas que elas e o único garoto tem problemas de memória, e não se lembram exatamente da sua escola. Eles foram com a líder bruxa Tarja até a única entrada conhecida, e ela levou um grupo. Seguindo a Diretriz "Deixe os grupos resolverem", foi o que fizeram, e o grupo desvendou e selou a passagem.

     -- O problema é que havia um meteoro caindo e o tempo estava parado, dentro da passagem havia mais de duzentos Vultus, e corpos de pessoas mortas depois da passagem. Nós demos o tempo que nos é dado para deixa-los resolver, e eles resolveram. Agora, o meteoro se transformou em barro e toda essa escola que apareceu está coberta de barro. O tempo voltou a passar. Não temos mais a necessidade de estar em alerta temporal em nossa cidade, o problema foi resolvido. O que não foi resolvido é que Escola é essa, que apareceu em ruínas e com mais de seissentos mortos, e como os estudantes estão voltando à vida, com família e casa na cidade, esse é o problema.
     -- Por favor, você me passa o contato da líder bruxa, Tarja?

     Saindo da sala de relatório, Lucius liga para Tarja.

     -- Alo.
     -- Tarja? Aqui é o Inspetor Lucius, da Guarda. Podemos nos encontrar?
     -- Claro. Pode ser aqui em casa, te mando o endereço por mensagem.
     -- Obrigado.

     Encontrar a casa foi fácil, parar na garagem para oito carros, também.

     -- Tarja, boa noite.
     -- Lucius, não é isso? Boa noite.
     -- Isso -- ele percebeu que ela não disse "Inspetor".
     -- Entre. Aceita um whisky?
     -- Obrigado, aceito -- e entraram na casa.
     -- Esta é Anita. Anita, Lucius.
     -- Prazer, Anita.
     -- O prazer é meu.
     -- Lucius, acredito que você está investigando a Escola que apareceu, do nada, e ninguém nenhum de nós sabia que existia -- Tarja serve um whisky, pra três.
     -- Exatamente -- Lucius confirma -- O que aconteceu?
     -- Os espíritos estão chamando os estudantes que estão aparecendo de Bênçãos, e nós da Nação da Magia estamos organizando repúblicas para que os estudantes morem juntos e aprendam a conviver uns com os outros, e fica mais fácil levar os professores selecionados por nós e pela Guarda até eles e elas. Em resumo, estamos usando o surgimento dessa escola para fundar nossa educação. Ainda seremos de maioria de independentes, mas a oportunidade de selecionar entre nós aqueles mais velhos que possam dar aulas está batendo à nossa porta.
     -- Tem mais alguma coisa acontecendo?
     -- Tem sim, Lucius -- Tarja fica séria -- A Escola de São Paulo foi atacada anteontem, você deve ter ouvido comentários na Guarda. Temos duas sobreviventes que vieram pra cá, e junto delas veio também uma Deusa, a Deusa Gato, estão sob meus cuidados.
     -- Deusa? Interessante, isso. A Guarda está avisando as sociedades atravéz da Guarda de outros lugares sobre os ataques a Escolas.
     Ambos tiveram a noção de que Anita estava incomodada.
     -- Está tudo bem, Anita? -- pergunta Lucius.
     -- Mais ou menos, Lucius. Obrigada por perguntar, mas a morte de tantas pessoas e o surgimento de alunos e alunas está me colocando medo, isso eu não tenho como esconder.
     -- A Guarda é um modelo usado por muitas cidades, Anita. Nós vamos conseguir desvendar quem está por trás disso. Qual é a sua opinião, Tarja?
     -- Ficamos sabendo que praticamente todos os servos dos magos foram assassinados, por envenenamento, há um mês e meio atrás. Acho que são eles, por trás de tudo.
     -- Ah, a velha rixa entre bruxos e magos. Não temos provas. Além disso, eles parecem ter sido os primeiros alvos. Não podemos culpa-los, principalmente sem provas.
     -- Então, vamos sair e investigar. O que você acha, Lucius?
     -- Eu não, hein?! -- se exclui Anita -- Eu estou cuidando da casa.
     -- Por onde você sugere que começemos?
     -- Tem uma livraria muito boa para começar a investigação. Duas Bênçãos estão trabalhando lá como estagiárias, e um garoto Bênção conseguiu sair do labirinto da Escola Ruína entrando no construto da sala de meditação da livraria. Mas vamos com calma, o vendedor é meu amigo. Edgart tem ajudado muito. Não é uma batida, mas sim uma investigação leve.
     -- Tudo bem -- Lucius concorda -- Vamos, então.
             *

     Rayki saiu do carro, e foi ver o céu noturno, quase sem estrelas.

     -- As pessoas que andam na rua tem um comunicador muito básico, e vai ficar estranho se eu conversar com você, então estou polarizando nossas conversas.
     -- Obrigado por isso, Odarlo. Tudo, menos parecer doido.

     Ao sair para a rua, Rayki vê que saiu da manifestação e seu peka lhe avisa "Não estou conseguindo contato com a viatura".

     Ele tira um bloquinho do bolso e começa a anotar. Nomes de ruas. O número da casa, em que sua salvaguarda viatura está. E sai andando. A pasta preta, embaixo do braço. De fato, a região é falante de português, e é nessas horas que Saber de Línguas importa. Depois de um tempo, chegou a uma área de bares e cafés -- "Pelo ao menos, eles se divertem a noite", pensa -- Então, ele vê uma livraria e decide entrar.

     Ao chegar na entrada da loja de tatuagens,... "Espera um pouco",... ele ficou confuso sobre o porque estava diante de uma loja e olhou ao redor procurando, vendo várias pessoas com tatuagens naquele quarteirão, sentados nos bares e cafés.

     De repente, a porta da livraria apareceu mais uma vez.

     Ele subiu as escadas, e encontrou uma livraria de Magia, reconhecendo vários dos símbolos dos livros, e foi até o balcão.

     -- Me desculpe pela porta, ela não reconheceu você como cliente.
     -- Eu,... visita -- Rayki tentou, e se lembrou do mapa -- Belo Horizonte,...
     -- Olha, que bom que avisou. Vou tentar falar devagar pra você entender melhor. Seja bem vindo à livraria O Doppelgangger. Como você se chama? Nome?
     -- Eu,... Rayki. Nome,... interessante, livraria.

     De repente, entram duas pessoas, uma mulher e um homem.

     -- Edgart, boa noite -- diz a mulher -- Esse é Lucius, Inspetor da Guarda.
     -- Boa noite, Tarja -- Edgart se preocupa -- A que devo a honra?
     -- Nada oficial, Edgart. Só trouxe Lucius para conhecer a livraria. Não quero atrapalhar -- ela diz isso olhando para o cliente.
     -- Eu,... visita. Você,... Inspetor?
     -- Eu sou Inspetor da Guarda da cidade. Prazer, Lucius.
     -- Eu,... Rayki. Também trabalho Inspetor.
     -- Com licença -- pediu Edgart. Uma luzinha vermelha havia acendido, atrás do balcão, e Edgart entrou em seu escritório.
     -- Que bom. Está aqui investigando o que?
     -- Eu?,... conhecendo cidade.
     -- Por favor, com licença -- pede Edgart, vindo apressado -- "Seja bem vindo, Inspetor. Você visita cidade, ou trabalho?" -- Edgart disse isso em outra língua.
     -- "Iyalaloui (Obrigado). Você fala macro Oka? Que bom saber que vim ao lugar certo. Como eu explico a eles o que estou fazendo? Estou aqui a trabalho, investigação da Academia. Você consegue me entender"?
     -- "Um pouco" -- e se virou para Tarja e Lucius -- Ele é de outro mundo, é Inspetor de uma organização muito importante, e está precisando de ajuda.
     -- Você está aqui investigando o que? -- questiona Lucius.
     -- Eu,... investigando Ilha de Realidade, Belo Horizonte.
     -- Olha, eu já ouvi falar disso -- diz Tarja -- Você tem o mapa da Ilha de Realidade?

     Inspetor Rayki tirou a pasta preta de debaixo do braço, e mostrou o mapa.

     Não demorou praticamente nada, até que Tarja concluísse.

     -- Isso é exatamente o mapa da Escola em ruínas que não existia antes -- e se virou para o visitante, muito séria -- Precisamos da sua ajuda. Nós te ajudamos, você nos ajuda.
     -- Grata -- Rayki está começando a se acostumar com a língua -- Muito bom. Eu ajudar vocês investigação, também.
     -- Estou começando a gostar disso -- diz Lucius -- Vamos ajudar.
     -- Então,... eu,... nós,... grupo?
     -- Está certo, isso. Nós vamos investigar isso também -- conclui Lucius.
     -- Os independentes e a Nação da Magia também -- conclui Tarja.
     -- Academia,... também -- Rayki fecha o acordo.

             (Fim de Sessão)

     Algumas considerações

     Quem deixou a pasta preta na mesa de Rayki?
     Como será que Rayki vai lidar com a investigação dos mapas, considerando que ele já encontrou uma Ilha de Realidade, que por si só já vale alguns anos de investigação?
     Todos os que morreram se tornaram Bênçãos, ou não?

          Obrigado por ler e,...
             Stay Plugged.

Wednesday, 20 June 2012

A Menina que Ama livros (A#01)

     Olá, e Seja bem vindo.

     Eu sou Sol Cajueiro e este é o meu Blug.

          # A Escola dos Mil Herdeiros

     O mundo de Tanahta é um mundo singular. Guerras. Devastação. Tudo o que um mundo antigo passou após ir de uma era mítica de antiguidade para uma era espacial, no mínimo tempo possível de cerca de dois meses, isso torna os Herdeiros as pessoas mais fortes do Império. Há mais. Há mundos que sofreram terrores tão próximos, e as raças ediche se unem a outras raças para confrontar inimigos desconhecidos, terrores noturnos e tecnologias estranhas, que fariam o cérebro de um cientista ferver.

     Isso é, agora, tempo atual, Anno 5.204 tka, ediche.

     Melhor ler que eu explicar em minúcias. Os detalhes seriam longos demais, e acredito que do fundo da alma deste que lhes fala, a única coisa que faz o meu sangue correr é o amor. Sim, o amor. Não seria nada sem ele, e aliás, o que uma pessoa seria sem amor e carinho?

          # Idrias Ink - A Menina que Ama livros

     A Região das Ruínas é tão rara quanto especial, e bela.

     Aí, uma pequena garota cresceu e viveu, dividindo espaço com pessoas que ela nunca conversou, mas viu, e teve muito mais do que acreditou ter, até que sua vida se modificou para sempre. Seu pai, bem, ele morreu. Não é possível dizer isso de outra forma, mas daí em diante a vida dela é muito longa e beira uma equação infinita, que apenas Artífices entenderiam, mas não explicariam. A pequena Idrias nasceu em 5.191 tka, Data de Akkoya, da Aliança das Três Raças, então ela tem agora dez anos.

     Idrias nasceu pequena.
     Bem nos primeiros anos, ela aprendeu a ler sozinha nos livros do pai. Ele ficou apaixonado com essa pequena, que lhe surpreendia todos os dias. Aprendeu a escrever aos cinco anos, e lia muito, tanto que seu pai teve de criar uma regra.

     "Você só pode começar a ler um livro novo, se coletar um artefato", disse ele.

     Fácil, ela nasceu na Região das Ruínas, de Tanahta.

     E foi assim que Idrias saiu de casa pela primeira vez. Primeiro, só as ruas laterais, a praça que ficava além das casas era muito longe, e coletar não era uma coisa tão fácil quanto ela imaginava. Seu pai avaliava os artefatos, antes de lhe dizer que pode ler.
     Um dia, acordou decidida.
     Decidiu ir além das casas que ficavam nas montanhas, e ver o que havia depois. Trilhas. Viu um homem muito sujo e pobre e teve medo dele, mas o homem só sorriu e a deixou passar.
     No final do dia, descobriu a água.
     Era um bosque, que ficava algum tempo depois da ponte que terminava no ar, e levava de lugar nenhum a coisa alguma, mas era um artefato que não podia erguer, ou levar.
     A sede a fez beber a água, e era pura.
     Não imaginava o medo que iria sentir quando em pouco tempo, de repente, anoiteceu. Havia fica perdida. Não sabia o que fazer. Sentiu medo, frio e fome. A proximidade do artefato, bem, vamos explicar. Era uma pedra que parecia um jarro estranho, abaulado, e um pouco acima dele as gotas de água iam se formando, nascia ali água pura que você podia mesmo beber, sem se preocupar.

     A pequena decidiu beber durante a noite. Assim, a fome que sentia sumiu! Não sabia se era a água, mas era o que parecia.

     Havia esquilos noturnos voando naquele bosque.

     Idrias voltou para casa quando amanheceu, e seu pai não deu bronca. Ele ficou muito sério, e pediu que lhe contasse tudo, que não esquecesse nada. Ela achou que nunca mais ia poder sair de casa, e esperou pelo castigo. Castigo que nunca aconteceu, e seu pai lhe contou a verdade: "Minha filha, eu vou te contar a verdade",...
     Assa Ink fez uma pausa, a pequenina engoliu em seco, mas calma. Seu pai lhe olhou nos olhos, e ela decidiu continuar a olhar nos olhos dele.
     -- Eu sou um bruxo -- disse Assa Ink a sua filha, e ela ficou sem palavras -- E você sem dúvida é uma bruxa. Uma que as pessoas vão ter medo, ou admiração e amor.
     -- O que? -- ela perguntou por perguntar.
     -- Isso mesmo, Idrias. Eu sou um bruxo e você é uma bruxa -- disse seu pai, em tom de revelação, mas muito calmo -- Só uma bruxa encontraria um lugar de poder, lá onde é a água, só porque decidiu ir mais longe para conhecer o que encontraria, a Magia te guiou.
     -- E,... ehr,... Como assim, pai?
     -- Melhor se eu te mostrar --  e ele tirou um pedaço de pau do casaco, solenemente apontando para a mesa e, ao dizer: "Ergo!", a mesa começou a flutuar em pleno ar.
     Seu pai apontou a varinha para a janela, e a janela se fechou.
     Depois, ele abriu a janela e pousou a mesa com muito cuidado, no mesmo lugar, apontando o pedaço de pau, e olhou para sua filha esperando pelas palavras dela.
     -- Ah,... --  disse ela -- é igual nos livros? Magia?
     -- Exatamente -- resumiu ele -- E a partir de hoje eu vou lhe mostrar e ensinar tudo o que você quer aprender, se você aceitar ser estudante, e quando você for mais velha você vai entender tudo, eu prometo.
     Os anos foram se passando, e nada.
     Idrias nunca manifestou o mínimo de magia. Nada. Nem mesmo as coisas que seu pai falava que eram as mais fáceis e básicas de todas. Mas seu pai lhe ensinou muitas coisas, desde os cinco ou seis anos de idade, quando ela desvendou lá onde é a água e voltou sozinha. Acampamento. A necessidade da água. Que você sobrevive sem comida, mas não sem água. A observar as estrelas, saber o nome das estrelas que dão direção, a saber as constelações. O Esquilo, A Ave dos Ovos de Ouro, O Daktyl. O que são artefatos, o que são quinquilharias. E ela leu muitos livros, romances, histórias e lendas de Tanahta, seu mundo. Histórias e lendas de Herdeiros. Ela queria ser uma Herdeira, mas só se fosse bruxa ela se tornaria uma. Aos poucos, Idrias andou toda a região em que morava, mas seu pai a proibiu de ir nas vilas que tivessem símbolos de metal nas entradas, e de falar com estranhos, e é estranho que estranhos estranhos não paravam pra falar com ela, e sim, eles a viam, a cumprimentavam a distância, e a deixavam em paz.

     E então, do nada, dormindo, seu pai morreu.

     Seria impossível descrever o seu sofrimento, a pequena Idrias entrou em depressão; e sua mãe, mesmo que também estivesse sofrendo, não conseguia lhe dar lugar, ou uma razão de ser.

     Sua mãe lhe contou, então, que também é uma bruxa. "Muito menos poderosa do que o seu pai era, minha filha", disse ela, "mas não menos herdeira". Inicialmente, Idrias não entendeu o que sua mãe quis dizer com isso.
     Não até mais tarde, quando a educação faz todo o sentido que a gente não percebia que fazia, e as palavras dos nossos mestres de repente tem um significado mais profundo. Descobrimos que paramos de sofrer por coisas pequenas e temos de enfrentar um mundo perigoso, mais perigoso que o mundo das montanhas, dos andarilhos, e daqueles que, bem, no fundo, não entram em nossa vida por acaso.
     Seis meses depois, Idrias desvendou.

     O mistério mais profundo e estranho que seu pai, em várias explicações, havia tentado lhe explicar; em um dia que decidiu tentar uma coisa nova, fazer o que havia de mais difícil.
     Escolheu um Ritual pra fazer; o mais complexo, e seguiu todas as explicações do livro. O difícil Círculo que tinha de desenhar, certinho. Estava decidida. A oferenda, ouro em pó, que ela raspou de um dos livros de romance mais antigos que tinha, os incensos de Flor da Deusa, tudo nos mínimos detalhes, e sua mãe estava fora, no mercado fazendo compras, enquanto isso.
     Assim, Idrias entrou em transe.
     Existem coisas que a gente não tem como evitar pensar, quando se está sofrendo; algumas dessas coisas encontram o perdão em si mesmas.
     O Ritual dizia que você podia fazer uma pergunta.
     E foi o que ela fez.

     -- Meu pai ainda está aqui comigo? -- sem palavras mágicas, só a pergunta.
             -- "Não" -- foi a resposta.

     Aquela não era a resposta que ela queria, então o transe acabou imediatamente. Ficou ali, parada. Sabia que havia conseguido fazer o Ritual, mas,... seu pai não estava com ela pra ver. Não se movou, até sua mãe chegar e ver que ela estava sentada ali, no meio de um Ritual, vendo o olhar perdido da filha.

     -- Tulja? -- disse sua mãe -- Você,.....
     -- Eu fiz um Ritual -- os olhos de sua mãe brilharam, mas o olhar de tristeza da pequenina era assustador. Sua mãe olhou rapidamente para os símbolos e entendeu.
     -- O Ritual de Augúrio,... O que foi? -- sua mãe se sentou, ao lado.
     -- Meu pai não está mais comigo. Eu queria tanto que ele visse, eu consegui, eu fiz um Ritual, mas eu perguntei,...
     -- O que você perguntou? -- a voz de sua mãe era suave.
     -- Perguntei se papai ainda estava aqui comigo, e a resposta foi "Não" -- revela a pequena.
     -- Tulja,... -- sua mãe passou a mão em seus cabelos -- Olha, esse é o Ritual de Augúrio, e você, bem, olhe só. Você conseguiu. Agora você vai pra Escola. A mesma escola que eu e seu pai estudamos, e foi onde nos conhecemos, A Escola dos Mil Herdeiros. Você entende agora, filha? Nem eu nem seu pai poderíamos desvendar a Magia por você. Mas magia é uma coisa perigosa, também. Você fez um augúrio, mas não era a resposta que você queria, mas você conseguiu. Era a verdade. E a Verdade às vezes é terrível, mas eu tenho certeza de que o seu pai está em um lugar melhor.
     -- O que acontece quando uma pessoa morre? -- foi uma pergunta espontânea. Os olhos da pequena estavam cheios de água, ali, dependurando-se entre as pálpebras.
     -- Isso ninguém sabe -- foi a resposta -- Existe um caminho. Depois de morrer, devemos encontrar uma nova missão. Se encontrarmos a missão, nós aceitamos fazer parte do mundo novamente e, então, voltamos, nascemos de novo. Mas, se uma pessoa teve uma vida intensa demais, e mais ainda, se ela foi ruim, ela se torna uma assombração, ou outras coisas, avantesma, aparição, fantasma. E existem também os espíritos que ficam porque o mundo precisa deles, e eles passam a fazer parte da Natureza, das suas vozes, como guardiões, mas nem eles sabem o que pode acontecer exatamente a uma pessoa quando ela morre, mas ainda bem que seu pai não ficou. Eu iria odiar ter de pensar que nunca mais, em nenhuma vida, iria vê-lo de novo.
     -- Eu quero ir deitar -- a pequena disse, quase desmaiando.

     Sua mãe lhe pegou e levou para a cama, onde ela deitou e ficou.

             O Caso da Cabana -- Mês Primeiro, 8.204, Tanahta.

     A pequena Idrias ficou ali deitada uma semana inteira. Nem percebera que o tempo passava, se esqueceu dos livros, e só comeu porque sua mãe lhe levou comida na cama todos os dias.
     Sua mãe não disse nada, não a censurou, parecia entender a sua dor. Devia entender. Ela é uma bruxa, e mais, mãe.
     Ao final de uma semana sua mãe entrou no quarto. Trazia um pequeno vaso com uma florzinha, deixou sobre a janela para pegar sol, e saiu do quarto, parecendo bastante feliz.
     A curiosidade foi maior que o sofrimento, e Idrias se levantou. Foi ver a florzinha. Parecia um caktus, e tinha uma florzinha amarela bem pequenina. Ela cutucou o caktus, com muito cuidado. E de repente começou a brotar uma flor, no lado esquerdo, uma florzinha linda, vermelha, de um tom bem vivo.

     "O que significa isso?", ela não evitou pensar.

     -- Mãaae! -- chamou ela. Sua mãe havia acabado de por a mesa para o almoço. Suco cítrico, ora e patatas, carne desfiada, e o cheiro estava incrível, mas Idrias tinha os olhos da dúvida.
     -- Sim, minha filha -- ela se sentou numa cadeira.
     -- Mãe, o que é aquela flor? Ela nasceu do nada na hora que eu tava olhando.
     -- Aquela,... aquela é uma flor mágica, minha filha. A cor da flor, ela nasce na hora, é a cor do que você está sentindo naquele momento, esse caktus é muito raro.
     -- O que quer dizer a cor vermelha?
     -- Raiva, ou talvez, dúvida, ou determinação. Seu avô me deu uma antes de morrer, quando eu era pequena, fui aceita na escola e foi então que conheci o seu pai.
     -- E o que significam as outras cores?
     -- Amarela é amor ou alegria, vermelho é raiva ou determinação, verde ou cinza podem ser esperança, tons azuis depende do dia e da lua, e muito raro é a cor branca, que quer dizer pureza.
     -- Qual foi a cor que nasceu quando você conheceu papai?
     -- Amarela - sua mãe viu sua expressão de "Sim, tudo bem, agora eu entendi", e sorriu.
     -- Tá -- ela respirou fundo -- Eu vou sair.
     -- Vamos comer primeiro -- convidou a sua mãe, feliz.
     -- Tá, eu quero suco -- disse, cheia de energia.

     Depois do almoço, Idrias arrumou a mochila de acampamento, que estava encostada ao lado do armário de sibra, uma madeira bem clarinha e levemente cheirosa, e se lembrou de tudo o que seu pai ensinou. Também colocou um cantil na cintura, e se despediu de sua mãe. Verificou se havia corda, e também comida -- ração de viagem, na verdade.

     Andou para o oeste, em meio a trilhas nas montanhas, e evitou as vilas. Passou pela meia ponte, que fica suspensa por não-se-sabe-o-que e olhou as bruxinhas pousadas na pedra. Verificou os cogumelos brancos, um tipo muito comum nessa região, e tinha um cogumelo rei ao lado da pedra pão, com uma coroa que chama a atenção dos insetos para beber as deliciosos pingos da água doce da coroa.
     Andou no leito do Rio Seco, e foi para o Bosque da Pedra.
     O bosque tem esse nome porque tem a tal pedra, que sempre encontra estudiosos ali pesquisando, pois ela é oca por dentro e brota água da pedra, mas ninguém nunca explicou porque brota água dela. A água é pura. Ela bebeu dessa água no dia que saiu pela primeira vez. A água sacia a sede, a fome e o sono. "Deve ser mágica", essa foi a conclusão dessa vez. Ela sabe que tem de acampar num lugar com água e há um pouco de distância, por causa dos animais que também precisam de água e vão nesses lugares para beber.
     Encheu o seu cantil, e montou acampamento. Idrias olha para cima e vê um dáctilo no céu, e sente um arrepio só de pensar em sair do chão, então desvia os olhos rapidamente.
     Ergue a barraca há dois metros do chão, amarrada entre duas árvores, e levou só alguns instantes para usar a pederneira para acender o fogo.

     Haviam gravetos por todo o chão. Ia anoitecer logo. Consultou o céu e olhou para o por-do-sol, dourado, pra saber onde era o oeste. O sol estava entre três montanhas, e anoitece sem halo ao redor do segundo sol distante, o que quer dizer que não vai fazer frio essa noite, e isso é bom.
     Ficou ali, olhando os esquilos noturnos voarem de árvore em árvore.
     Sabe que eles vão avisar se qualquer problema estiver por perto, e então, decidiu pegar um livro para ler, pois já fazia uma semana que não lia nada.

     Idrias leu mais uma vez o conto chamado O Poço, uma história de uma bruxa linda, que morava nas névoas ao lado de uma Zona Morta, e que sofria com a misteriosa falta de água do poço quando era lua cheia. Um dia, um velho chegou acompanhado de um jovem, ambos vindo do Árido Sem Fim. Ela disse logo que não tinha água. O jovem disse que sabia o que fazer, mas que ele só ia fazer isso porque havia se apaixonado por ela. O velho, que tinha de manter o respirador porque era muito velho, disse que faria o casamento. Ela duvidou, "Nem magia faz essa água brotar", mas o jovem tirou o respirador e ele era muito bonito. Ele foi até o poço, e retirou um giz-de-chão da bolsa lateral com o qual fez uma série de símbolos e então, de repente, havia água no poço. Ela ficou intrigada: "Qual o segredo da sua magia?", e ele então respondeu: "Case-se comigo, e nossa Magia será uma", e eles se casaram naquela mesma noite.

     Quando de repente, Idrias acorda, e é agora meio da noite.

     Ela dormiu. Ela ergue os olhos, tensa, sabe que não deve dormir assim, no chão. Por sorte nada aconteceu. Ela guarda o livro e atiça a fogueira, e então apura os ouvidos para a noite negra, para perceber que foram sininhos que a fizeram acordar, eram sinos de urso -- você deve balançar sininhos para os ursos, porque um urso não te ataca se ele souber que você está chegando, "Mas são vários sininhos, então sem dúvida não é um urso", pensa ela, pois há cuidadores que põe sininhos no pescoço dos ursos -- sem dúvida, não era o caso. Olha para a barraca, ali no meio das duas árvores, e vê um estranho se aproximando.
     Parece um fantasma, era um peregrino, um viajante das ruínas.
     -- Hhóo -- saúda ele, mas a menina não diz nada. O velho, muito velho, e com uma barba que lhe vai até a cintura, para e fica olhando.
     A menina está ao alcance da fogueira, então o velho pode vê-la e ela sabe disso. Depois de alguns momentos tensos, o velho decide dar a volta e ir andando meio longe dela, vai até a Pedra e bebe até saciar a sua sede e fome.
     Olha para a menina, de lá, enche seus cantis e vai embora.
     Idrias fica ali alguns momentos e se decide. Não quer dar a chance ao azar. Seu pai disse para não falar com estranhos, e tomar cuidado com as vilas. Ela não vai ficar ali. Se esse velho passou por ali, isso pode querer dizer que outros viajantes estão passando por ali também.

     Em pouco tempo, ela desmontou o acampamento, e encheu de terra a fogueira. Decide ir para o outro lado, contrário ao que o velho ia.
     Após uma pequena caminhada, a pequena viu uma vila e desviou para a montanha, onde passou por uma casa que tinha uma placa "Cão dócil. Dono nervoso", e riu. O cachorro latiu, e os esquilos voaram nas árvores. Ela murmurou para o cachorro "Shhh,...", e seguiu viagem.
     Ao passar pela segunda montanha, foi até onde nunca havia ido.

     De repente, estava pisando sobre chão duro. Era o que parecia ser uma pedreira. Tinha uma placa velha, que não se podia mais ler. Que pena, ler a placa iria ajudar muito,...
     Idrias avança -- ela usa uma lanterna autocarregável, que você só precisa bombear e recarrega a bateria, e então, ela encontrou um barracão.

     Abandonado.

     -- Tem alguém aí? -- pergunta sua voz muito jovem. Depois de não encontrar eco, ela abre sem esforço uma porta sem tranca, e ve um barracão vazio, onde decide passar o resto da noite.
     Ela se lembra que há dois meses chegou aos dois dígitos, e isso foi o seu primeiro aniversário sem seu pai,... que hora pra lembrar de seu pai,... ela suspira, e sente o cheiro de poeira.

     A cabana, de um cômodo só, tem um banheiro que foi cimentado, e o chão fica acima do solo algumas medidas pequenas. Isso é bom, não vai ter ratos nem grassos. O chão range, quando ela anda. Nada demais. Isso não vai chamar a atenção de ninguém passando por ali.

     As janelas estão pregadas, por ripas e muitos pregos. De repente, a porta se fecha e ela se assusta.

     -- Quem está aí? -- sua voz é firme, ignorando a sua idade. Assim, o vento começa a soprar entre as gretas, fazendo "Uuuhh-uuuuuuuuh,...", e ela sente que tem um problema, agora.
     -- Quem está aí? Apareça -- ordena ela.
      Nenhuma resposta, só o vento como se tentasse falar coisas sobre a noite e as sombras.
     Afasta o medo bobo das sombras, sua preocupação são pessoas. Se alguém estiver ali, ela sem dúvida vai ter problemas sérios. Mas então, ela se lembra que é uma bruxa, e ergue as sobrancelhas.
     -- Eu sei que você está aí. Apareça -- e nada. Tentando se concentrar naquela sensação estranha do Ritual, o único que ela conhece, ela concentra todas as suas forças e sente um arrepio.
     -- Meu nome é Idrias Tuule Ink, e eu ordeno que apareça -- e sente uma energia em volta de si mesma, lhe envolvendo de forma macia, estranha, quente. A energia sai dela, e aos poucos envolve todo o barracão.

     Assim, ela ve, no canto ao lado do banheiro cimentado, é cinzento, um borrão muito definido, uma imagem como seria a imagem do avatar de um computador, em preto e branco quase, com os olhos cheios de medo, não, de raiva, bem, fica mudando de raiva para medo, e o vento faz "Uuuuuuuuuuuuhh" quando ele abre a boca. Ela olha bem nos olhos do homem, sem certeza alguma do que devia fazer.

     -- Quem é você?
     -- Você,... (diz uma voz distante, como alguém gritando pelas montanhas afora), você pode me ver?..
     -- Me responda. Quem é você? -- ela demanda.
     -- NINGUÉM,... ninguém pode me ver,... como é que você me vê?
     -- Eu sou uma bruxa -- ela não tinha certeza disso, mas achou que ele poderia ter medo de enfrentar ela, pro caso de ela saber alguma magia.

     O-que-quer-que-seja esse homem, ele ficou calado. Depois de alguns segundos, ela ligou a lanterna e foi estudar o lugar. Havia um monte de lixo no canto. Vários pequenos pedacinhos de madeira, velha. Havia uns papéis, com o símbolo da polícia, um pedaço de corda.
     -- Como é que você pode me ver? -- sussurrava em berros muito distantes o homem -- Isso não pode acontecer, isso nunca aconteceu,...
     A menina olhou para cima, um pouco assustada.
     O teto estava balançando com os berros distantes do o-que-quer-que-seja esse homem, e começou a ranger, ela ficou com dó dele. Parou. Ela parou, olhando pra ele, enquanto pensa. O homem está vestido com roupas pobres, era cinzento, quase prateado, tinha um vergão sombrio no pescoço, e então, viu a corda. Pensando muito rápido, a pequena olhou para o lixo e remexeu ele, procurando.
     Sim, sabia! Era a mesma corda.

     -- Você está preso aqui, não está? -- perguntou ela.
     -- SAAAIA! Largue isso! Vamos, por favor, largue isso, ou eu...
     -- É isso aqui,... (ela pergunta, em dúvida), não é? A corda, ela tá te mantendo preso. Esse lugar tá abandonado, há quanto tempo você tá aqui?
     -- NÃAAO! -- a voz dele é como um grito de uma montanha para a outra -- Eu vou derrubar esse lugaaaar,...

     Idrias teve então uma ideia, meio estranha. Sabia que o homem só tinha aparecido porque ela concentrou aquela energia, e então, ela segurou a corda, e concentrou toda a sua vontade nela.
     As frestas voltaram a fazer vento "U-Uuuuuuuuuuhhhhh",...
     De repente, ela sentiu estar num tipo de transe, mesmo sem estar fazendo um Ritual, e viu que tudo estava ficando com aquela cor cinza, prateada, uma mistura de luzes e sombras por todo o lugar. Voltou toda a sua atenção para a corda, e decidiu destruí-la.

     Assim, sentiu que a corda estava se desfazendo. A Corda, na verdade um laço que ela não conseguia desfazer, foi virando pó e em alguns momentos era um montinho de poeira no chão.

     -- O QUÊE VOC,... espera,... -- o homem percebe a corda em seu pescoço.

     A estranha corda estava desaparecendo.
     Idrias olha no montinho de lixo, e tem também uma outra corda, que ela pega e faz a mesma coisa que ela fez com a outra corda, e olha para o homem cinzento. Ele ve que o laço que amarra seus pulsos desaparece, e então, a pequena nunca imaginou isso, ele sorri.
     Sorri, um sorriso de espanto e admiração. Aos poucos uma luz, vinda de ninguém sabe onde, envolve ele, e ele começa a desaparecer.
     -- Não! -- ela grita -- Não vai embora! Não! Eu quero conversar com você.
     Não adiantou, e o homem foi envolto numa luz que não vinha de lugar algum, e em alguns momentos ele havia desaparecido, e o sorriso dele era um sorriso de felicidade.
     Do nada, toda a luz, o transe, e o uivo do vento desapareceram. Idrias ouviu um passarinho cantando, anunciando o amanhecer que chega, mais uma vez, para comprovar que a natureza é a mais poderosa das verdades.

          # Os Visitantes

     A pequena Idrias viu a luz desse amanhecer entrando pela fresta da porta, e decidiu sair e voltar para casa, e se sentia, meio que, não conseguiria explicar -- triste e feliz, ao mesmo tempo.
     Ela fez o caminho de volta, e chegou em casa para o almoço.
     Ao entrar em casa, ela chama.

     -- Mãaaae! -- e sua mãe vem da cozinha, com a tijela de ora saindo cheiro de comida quentinha. Idrias não queria comer, afinal, queria era contar o que aconteceu.
     Sua mãe ouviu tudo com muita calma.

     -- Você entende o que aconteceu, Tuule?
     -- Não, mãe -- ela tinha um olhar de não faço a menor ideia -- Eu queria conversar com ele, eu só tentei ajudar, e depois ele sumiu. Ah, sim! Na hora que eu saí da cabana, vi que uma vaca branca cheirava o chão do lugar, e daí, ela foi e entrou na pedreira, ah, e um esquilinho também.
     -- Você viu um espírito, minha filha -- disse sua mãe, e ela se lembrou de seu pai -- Você ajudou ele a se libertar, não sei como você conseguiu, mas foi exatamente isso que você fez.
     -- Mas ele foi embora? Porquê?
     -- Ele foi para onde os espíritos livres vão, ninguém sabe com toda certeza onde é, mas existem lugares,... você vai estudar todos na Escola, onde você vai aprender tudo sobre essas coisas.
     Idrias fica de boca aberta, e não consegue evitar de pensar. Ela conseguiria falar com o seu pai, um dia? Mas então, o cansaço aconteceu.
     -- Você acha que eles vão me deixar ir pra escola, mãe?
     -- Tenho a certeza mais absoluta disso, Tuule -- ela sorria um sorriso tranquilo.
     -- Eu quero ir deitar,...
     -- Não vai comer nada? Tem ora. E você estava acampando, e não...
     -- Tá, ração não é igual comida. Eu quero, mas to cansada -- disse a pequena.
     -- Vai indo se deitar que eu levo pra você comer. Vai.
     -- Hmmmh,...

     Idrias Tuule Ink se levantou, e foi tonta para o quarto, se arrumou e deitou. Mas se levantou, e foi ver a florzinha. Nasceu de repente, uma flor bem pequenininha, amarela. Feliz, deitou-se. Comeu uma tijela pequena de ora, carne de panela, mitras ao molho branco, e patatas, e então adormeceu profundamente.
     De repente, depois de dormir muito, a campainha toca sem parar. "Eu não vou atender. Estou dormindo", pensou. A campainha toca pela décima vez, e então ela ouve um chamado, uma voz de homem.
     -- Senhorita Idrias Tuule Ink! Eu tenho uma entrega para você! -- disse um homem.
     Ela se levantou imediatamente.
     -- Livros! -- diz sem pensar, e sai correndo.
     Desce correndo a escada de madeira, onde na lateral há os guarda-volumes, tudo cheio de livros, agendas e cadernos de anotações, e brinquedos que seu pai inventava. Na hora que passou pela sala, não conseguiu evitar de olhar para a mesa. Havia um bilhete.
     -- Tô iiindo! -- grita para a porta, anciosa.

     "Tuule querida, fui ao mercado da vila. Me espere para o almoço", era o bilhete.

     Correu e abriu a porta, mas então, parou desconfiada.

     -- Você é Tuule? -- pergunta um homem usando calças comuns, jaqueta e capa por cima. "Ninguém me chama de Tuule",... pensou. Ela ficou um segundo avaliando eles, havia um outro montado em um tuleque, segurando o outro animal.
     -- Sim, sou eu. Quem é você?
     -- Eu sou um Oficial de Educação, e tenho uma surpresa para você. Acho isso tão impressionante. Não é, Hal? -- o outro homem sorri -- Mas eu acho que você vai ter de abrir para ler.
     Entregou a ela um envelope pardo, lacrado com cêra vermelha. Ela parou, mas abriu desconfiada, saiu uma energia transparente do lacre, e pousou em sua mão um pingente dourado -- sim, era de ouro. Um círculo com uma gota no meio,... mas a gota não era presa ao círculo por nada, parecia uma coisa realmente mágica. Havia um bilhete pequeno, num outro envelopezinho branco, dentro do envelope maior.

     "Senhorita Idrias Tuule Ink. Você foi aceita na importante e antiga escola -- A Escola dos Mil Herdeiros, para receber, se assim aceitar as Leis de nossa sociedade, educação de especiais. A Escola é privada. Você irá estudar Magia, Manifestação e Poder, além de matérias essenciais para sua condição, e deve se apresentar dia 21 do Mês Primeiro.
     Segue uma lista de materiais e livros que você deve levar, e todo o resto é fornecido pela Escola, em razão das suas aptidões especiais".

     (Havia uma assinatura no final).

     -- Livros! -- e pegou a segunda folha -- Como minha mãe sabia? -- ela estava assombrada -- Onde está a minha mãe?
     -- Hehe,... -- riu o homem -- Sua mãe não está em casa? Não se preocupe, ela vai voltar pra comemorar com você. As aulas começam daqui a uma semana. Você vai fazer a Travessia das Montanhas, que só se abrem para os verdadeiros herdeiros.

     O homem, obviamente um Herdeiro, de pele clara e cabelos negros, tocou o peito na altura do coração, depois ergueu o chapéu marrom, dizendo "Parabéns", e se virou, o outro homem ergueu o chapéu preto, e eles falaram com os tuleques deles "Vamos", segurando as rédeas, para ir embora.
     Idrias ficou ali intrigada, com aquele olhar perdido. Voltou para dentro de casa, ainda inquieta, e se sentou na primeira cadeira para tentar entender o que era aquele pingente.

     "Como a minha mãe sabia? Como, se a carta só chegou hoje?", duvidou com ela mesma. Não conseguiu fazer nada até sua mãe voltar. "Bom, tenho meu Pingente. Estou na Escola. Eu sou estudante", aceita ela.

     -- Mãe! -- ela ficou em pé, na hora que a porta se abriu.
     -- Oi, querida -- e olhou para o envelope pardo sem nada escrito e o lacre aberto.
     -- Mãe, como você sabia se o Pingente só chegou hoje? -- Sua mãe deixa as sacolas costumeiras no chão e sorri abrindo os braços.
     -- Magia, querida -- abraça sua pequena -- Magia.

          (Fim do Prelúdio)

     O que espera pela Menina que Ama livros, você vai ler ao longo de várias histórias. Bom, está claro que ela sabe mais do que acha que sabe, mas vamos aos poucos porque as histórias tem muitos detalhes e todos são necessários.

     Espero que esteja gostando das histórias do Blug, e,...
          Fique Ligado.