Olá, e Seja bem vindo.
Eu sou Sol Cajueiro e este é o meu Blog.
# A Escola dos Mil Herdeiros
O mundo de Tanahta é um mundo singular. Guerras. Devastação. Tudo o que um mundo antigo passou após ir de uma era mítica para uma era espacial, no mínimo tempo possível de cerca de dois meses, isso torna os Herdeiros as pessoas mais fortes do Império. Há mais. Há mundos que sofreram terrores tão próximos, e as raças ejik se unem a outras raças para confrontar inimigos desconhecidos, terrores noturnos e tecnologias estranhas, que fariam o cérebro de um cientista ferver.
Isso é, agora, tempo atual, Anno 2.056 da Aliança.
Melhor ler que eu explicar em minúcias. Os detalhes seriam longos demais, e acredito que sem dúvida explicar não seria o bastante para tudo isso.
E se, ao longo de uma vida sem expectativas, tenha o sonho razão? Se o sonho, no fim da história, é a verdade por trás da ilusão?
This adventure will be written in Portuguese, but all other adventures will still be in English. So, don't worry. You'll be able to read them. Also, there will be no soundtrack music anymore. The reason is that I have a really hard time writing, and when I'm tired, really tired, after doing revision and revision, I have to search for the music on the net and that adds 15% more time to a working day, so it's no good.
(By -- Dec 2012 -- All Stories will be in Portuguese, but all other content will be in English, because I need all players to understand exactly what's happening, and I can't grant they speak English enough to read).
# Tetrus ut Tur - O Garoto da Gaiola das Loucas
Verhut, ninguém de bem vai a esse lugar. Não que a região onde a Gaiola das Loucas fica seja nem o mínimo mais animadora que esse lugar. A Capital tem áreas industriais, muito extensas, e algumas abandonadas. Aquilo ali deve ter sido abandonado pelas entidades boas, se é que algum dia elas já pararam pra prestar atenção no lado subvertido da imensa zona oeste da Capital, porque se sim, elas fazem isso com medo.
Assim, o Orfanato Verhut só existe.
Faz já mais de quinze anos que uma única enfermeira, a única com coragem pra isso, faz o mínimo que o estado deveria fazer, cuidar daqueles a quem a esperança já abandonou.
Apesar disso, ela adora o pequeno Tetrus.
O único pão do cesto que não é mofado, apodrecendo ali com picadas de injeções de ódio contra os ricos, que mantém ali na região uma polícia especial para manter os restos sob controle.
Mas não o Tetrus, a enfermeira não pode revelar que gosta dele, mas tenta fazer o possível pra que ele não termine o dia comendo cupins. Ela teve até que mudar ele de quarto, e ele é o único que tem um quarto só pra ele, por um motivo óbvio.
O pequeno Tetrus, estranho ali, no meio de delinquentes esquecidos, bom,...
Há um ano e meio atrás, Tetrus violou as leis dos, não que haja leis ali, criadores de confusão do lugar, ao revelar que haviam colocado alucinógenos em toda a comida.
E era verdade, a comida toda foi jogada fora e ele foi marcado. Não que aquilo fosse diferente do que ele passava na rua, quando tinha de ignorar as mulheres que andam ali, algumas armadas, e as gangues, mas aquilo era diferente. Os outros pães, todos podres, tornaram a sua vida um inferno, não que ele acredite nisso, mas isso poderia explicar que lugar é esse facilmente.
Além disso, ele anota tudo que pensa nas paredes, porque o sentido da vida já se perdeu. Vozes, sonhos inexplicáveis e o medo dos alucinógenos dividem seu tempo -- isso, se não for o medo do veneno de ratos.
Assim, se não bastasse isso tudo, coisas estranhas acontecem com ele.
Ele vê coisas, ouve vozes nas sombras, e sabe quando as pessoas estão pensando algo de bom, o que não é muito comum entre os outros habitantes daquele inferno. Ele também sabe identificar comida. Bem, isso não é nada tão sobrenatural, mas a Gaiola das Loucas -- nome dado pelos traficantes locais ao Orfanato Verhut -- tem quase nenhuma comida com o pouco dinheiro que tem, dado pelos herdeiros dos terrenos semi-abandonados das indústrias antigas dali, e encontrar comida tem sido sua habilidade mais essencial à vida.
Tetrus fica trancado no quarto, a maior parte do tempo.
Ainda mais porque há um mês ele estava no seu canto, entre uma porta e uma escada de incêndio lateral, quando todas as luzes da festa se tornaram azuis. Sem explicação. O grupo de criadores de confusão estavam olhando para ele, que avaliava se devia fugir, quando isso aconteceu, e a enfermeira disse que isso era normal. Bem, não era, e para sua felicidade nenhum deles quis chegar perto para lhe perguntar.
Em uma manhã fria, que uns outros garotos haviam olhado demais pra ele no pátio, ele estava decidido a ficar no quarto para prevenir, mas foi surpreendido por batidas leves na porta. É claro, que ele ficou em silêncio. Não sabia o que fazer, e já estava com medo de coisas estranhas acontecerem, mesmo que tenha sido isso a única coisa que manteve os outros longe dele, que mesmo jovens, nunca tiveram ou foram nada de bom, mas ali em silêncio ele ouve então a voz da enfermeira, lhe chamando.
-- Tetrus, sou eu - disse ela. Sem nenhuma sensação de segurança, ele foi e abriu a porta, olhando por uma fresta -- Tetrus, você tem uma visita.
O homem tinha cabeços negros, era branco, e tinha roupas de gente, um casaco cobria seu corpo, e ao olhar, o garoto não sabe quem é.
-- Não fui eu -- ele rapidamente se defende.
-- Tetrus, por favor -- pede a enfermeira -- Este é o senhor Emmet Wills.
-- Prazer, Tetrus -- a voz dele era diferente da voz de qualquer pessoa que ele conhecera na vida, e sente que ela passa muita experiência de vida, e confiança -- Podemos conversar?
O garoto abre a porta, e o homem entra, observando tudo, para parecer preocupado logo a seguir.
O quarto de Tetrus é uma bagunça, tem sacos de lixo com coisas coletadas do lixo, pedaços de papel amassados e um armário que nunca deve ter visto um pano. As paredes. Todas elas são sujas, e há coisas escritas nelas. Não fazem o menor sentido. Deveriam ser números, mas são só letras, com traços entre elas, umas anotadas sobre as outras, com símbolos que deveriam ser de matemática, confusos e sem sentido. O homem parou ali, olhando. Suspirou, e então se virou para o garoto.
-- Muito prazer, Tetrus, eu sou o Professor Wills.
-- Professor? -- apertou o olho de lado, cheio de dúvidas -- O que você quer?
-- Estou aqui para te oferecer uma bolsa de estudos em,..
-- Eu aceito -- a simples mensão de que sairia daí foi o bastante para confiar nesse homem, mas ainda assim deu um passo para trás, pois ele podia só querer usar ele para traficar pra ele, e analisou Wills meio de lado.
-- Você,... -- Wills suspirou,... -- Me diga, você vê coisas ou tem visões?
-- Porquê? O que você quer comigo?
-- Estou aqui com O Presente,... um convite, para te entregar. Veja.
O garoto pegou o papel, um envelope pardo. abia ler. Sabia, porque tinha de sobreviver na pior região da Bahia, e se entrasse na rua errada ele sabe muito bem o que poderia acontecer, porque viu isso muitas vezes.
Ao abrir o lacre, uma cera vermelha estranha, uma energia translúcida se formou. Ele olhou aquilo com medo -- mas, se fosse uma bomba, esse homem não teria ficado para ver ele ler. Caiu sobre sua mão um pingente. Um círculo com uma gota no meio, suspensa sem nada ligando ela ao metal que, ou ele está louco, ou é ouro. Todos os traficantes preferem pagamento em ouro. O pingente era macio, parecia meio vivo -- na mesma hora ele pensou que se alguém descobrir que ele tem isso, ele será morto.
Havia um pequeno envelope, dentro do maior. Ele abriu. Assim,... Leu. Leu e releu, várias vezes. Seus olhos estavam arregalados, e ele é muito magro, com um cabelo preto confuso -- o Professor parecia lhe observar cada músculo, e ele sabe disso.
-- Se você aceitar, deve saber que temos leis, e ninguém está acima da lei.
-- O que isso aqui quer dizer? Diz aqui, "Magia",...
-- Infelizmente, só ouvimos falar de coisas estranhas por aqui há bem pouco tempo, bem, não as coisas que você vê de estranhas nas ruas, digo, Magia, e só agora te localizamos.
-- Sabia -- ele disse, e apertou os olhos -- Você tem como provar isso? Eu quero ver,...
-- Tenho sim -- e o Professor tirou um pedaço de pau do casaco.
O homem olha para as paredes, e então se curva até tocar o espeto no chão, e diz:
-- Akhramassi -- de uma forma meio estranha.
A partir do lugar onde ele tocou o chão, agora todo o quarto fica, aos poucos, branco. As paredes, e tudo o que estava nelas, se apara, como se a pintura de quando foi construído estivesse de volta, e o garoto abre a boca, sem conseguir evitar. Engoliu em seco. Tetrus olha para o homem como se ele fosse um alienígena, mas respira fundo, inclina a cabeça para o lado direito, de leve, e decide esperar pelo que ele vai falar.
-- Você vai poder aprender isso, na Escola, -- o homem se levantou -- e vai conhecer pessoas como você, e mais um monte de outras pessoas com capacidades especiais diferentes, bem,... diferentes das que você tem, mas,...
-- Mas? Eu já aceitei. Podemos ir? Agora? Eu estou pronto.
-- Calma -- ele estava pensativo -- Eu tenho duas semanas muito complicadas agora, com reuniões políticas, então você vai ter de esperar duas semanas, e então, os agentes educacionais vem te buscar.
-- Duas semanas,... Duas semanas,... -- ele começou a andar. Tetrus andava tenso para um lado e para o outro, sem parar.
-- Você tem de se comportar -- diz o Professor -- Se não você vai perder a bolsa de estudos.
-- Duas semanas é tempo demais,... -- ele para, e arregala os olhos.
-- Sinto muito. Daqui a duas semanas, os agentes educacionais vem te buscar. Agora eu tenho de ir, Tetrus, e ah, espere.
O Professor se abaixou, e tocou o chão com o espeto.
-- Teneate -- e as paredes voltaram ao normal, enquanto ele se erguia.
Olhou para as paredes, observando aquilo tudo.
-- O que são essas coisas, Tetrus?
-- Eu,... não sei. Duas semanas é muito tempo. Não podemos ir agora, Professor?
-- Não tenho como te levar agora,... E não tem porque tanta formalidade, me chame de Wills. Eu gosto desse nome, e você, se cuide. Muito prazer, Tetrus.
O homem ficou com a mão esticada, mas o garoto ficou olhando, mas depois de uns segundos acabou apertando a mão dele. Uma mão bastante calejada a desse professor, e ele tem um aperto de mão forte.
-- Te vejo em duas semanas -- se despediu Wills.
# O Último Dia
Tetrus ficou ali, vendo a porta que se fechou, sozinho e apavorado. Dito e feito, ele ficou no quarto dois dias, pra evitar qualquer coisa, mas teve de sair. Viu que as pessoas o olhavam, pareciam saber.
Voltou e ficou ali, sem sair mais.
A enfermeira levou comida, que ele pegava pela greta da porta. Sabia que qualquer coisa será motivo pra que qualquer daquelas pessoas sem alma,... lhe,... não queria pensar,...
Tinha muitas dúvidas, precisava saber se aquele homem era real,... ele parecia real,... Saiu para ir falar com a enfermeira, mas foi cercado no corredor.
-- Você vai embora, não é, Truques? -- era o apelido dele, e de repente o outro avançou.
Deu-lhe um empurrão, um soco na cara, e Tetrus revidou com um soco no nariz. O outro tropeçou, e caiu de cara no chão, e ele correu, correu como se não houvesse amanhã.
Faltava só um dia,... havia perdido. Agora, ia ficar preso ali para sempre. O desespero de repente fez ele ficar cego, e ele tateou até um canto, onde se encolheu e ficou.
Duas horas depois, perdido ali, sem lágrimas porque não tem água para beber, ouviu batidas na porta e a voz da enfermeira.
-- Tetrus, você tem uma visita. Abra a porta -- Ele tateou no breu, achou a porta e abriu, mas não viu a luz entrando.
-- Oh! Pelos Antigos,... -- ouviu a voz da enfermeira.
-- Deixe-nos, por favor. Depois eu volto, e conversamos sobre isso -- era a voz de Wills.
-- Sim, sim. Ele não pode ficar aqui, você tem de levar ele,...
-- Eu sei, enfermeira. Muito obrigado por ligar.
-- Então,... está bem, está bem -- e ele ouve a enfermeira andar, indo embora.
-- Teneate -- diz a voz do Professor, e os olhos doem.
A luz voltou, mas seus olhos doeram, e ele aperta o rosto até ver outra vez.
-- Pegue suas coisas, Tetrus. Estamos indo embora agora.
-- Já está tudo pronto, desde o outro dia -- e correu para pegar dois sacos de lixo com todas as coisas que tinha, o que era uma outra roupa, e as anotações, que ele fez de tudo que havia nas paredes.
-- Então, vamos embora agora -- estavam saindo, quando Wills parou -- O que são essas coisas, Tetrus?
-- Você pode apagar isso, Professor? -- pede ele, com medo. O homem saca a varinha e toca o chão.
-- Akhramassi -- e tudo desaparece das paredes -- Vou querer conversar com você sobre isso, depois, mas esse não é nem o tempo e nem o lugar para isso. Vamos.
Andaram por um corredor, com olhares malditos em todo rosto que se via, mas ninguém fala nada, nada, parecia um velório. Descendo o prédio, o Professor viu no rosto de todos ali. O ódio incontrolável deles, velado apenas por algum tipo de força invisível. Sem dúvida, Tetrus não teve uma vida agradável naquele lugar, pensava ele.
Ao sair do portão, estragado há décadas, Tetrus parou e olhou o prédio. Todos estavam olhando. Em silêncio, ele sabia que todos ali estavam amaldiçoando sua vida, e não sabe porquê nenhum deles terminava aquilo de forma terrível agora mesmo, e ao pensar nisso sabia que não sentiria saudade.
Assim, eles andam por uma área lateral do bairro.
Não consegue acreditar, quando o Professor avança para um dos lugares mais barra pesada da região, e ele olha para um mendigo faminto num canto, um cara na entrada do gueto. Quer perguntar para o Professor se ele sabe o que está fazendo, porque aquilo é suicídio, mas ele para. Para, em frente a um lugar sujo, uma casa da luz da noite e simplesmente abre e entra, o menino respira fundo e entra também.
Há um cara fumando não sabe o que numa mesa, e um bêbado desmaiado num outro canto.
Eles avançam, e vão até a mulher velha e sem dente no fundo. Ela olha o garoto, avaliando se seria bom com patatas, ou pelines, molho branco, talvez, e sorri um sorriso torto.
-- Ora, ora -- diz ela, como uma ave de rapina -- Wills? Aqui?
-- Estou a serviço da Agência, e da Escola. Preciso usar a sua sala de teleporte.
De repente, o olhar da mulher se modificou, e ela olhou cheia de medo para o garoto, e ele nunca, mas nunca iria esquecer aquele olhar. Era ele que sentia medo dela, mas de repente, era o contrário.
-- Sim, sim, claro. É a oitava sala, depois da forca -- ela parecia não querer respirar.
-- Obrigado. Vamos -- ordenou e puxou Tetrus, continuando -- Não olhe para as portas.
Havia um quarto aberto, e ele olhou, uma mulher deitada na cama. Ela estava,...
O Professor pegou seu espeto e a porta se fechou quando ele apontou, com um estrondo. Aliás, ele fechou todos os quartos, e logo depois havia um fosso com uma forca, e eles entram na próxima porta.
Uma sala cheia de vidrinhos, estantes com ervas e tem um cheiro estranho. Pareciam drogas, drogas estranhas, todas separadas em diversos vidrinhos com rabiscos neles.
-- Você não tem um nome mágico,... -- diz o professor, em dúvida.
-- Tenho -- disse urgentemente o garoto -- Nunca soube que isso era um nome mágico, mas eu tenho. Eu que criei.
-- Vai ter de servir, não temos tempo pra uma escolha mais adequada. Se alguém lhe chamar por esse nome, você atenderia? Essa resposta é muito importante, pense muito b-,...
-- Sim. Mas ninguém sabe esse nome -- responde o garoto.
-- Exelente -- Wills parece feliz -- Não se preocupe, porque os símbolos do giz-de-chão desaparecem depois do aporte.
A urgência era óbvia, e em menos de um minuto Wills para, pensa, e desenha um símbolo no chão. Não. Vários e vários deles, e rapidamente terminou o ritual.
-- Encoste aqui. Isso. Não tire a mão, hora nenhuma.
Como se fosse possível,...
De repente, tudo foi embora, ele estava preso ali, e de repente estava em outro lugar. O desespero, presente. Era como se ele fosse um fugitivo, mas não sabe porquê isso tudo está acontecendo. Achou que ia perder tudo. Ficou cego, de tanto medo. Ele nem caiu, quando se desequilibrou, afinal, era como se ele houvesse feito isso toda a vida, sumir, se esconder, e ou fugir.
-- Pronto, Tetrus. Você está no Templo das Termas, o lugar mais seguro do mundo. Aqui, você não precisa se preocupar com nada. Venha. Eu não posso ficar aqui -- ordenou o Professor, ainda observando todos os detalhes das reações dele. O Professor tem nos olhos saber que Tetrus sabe tudo o que ele faz, sem palavras, como que por pura intuição.
Tetrus não sabia onde era aqui, mas era o lugar mais fantástico que já havia pisado.
Andou um monte de corredores, e tudo era iluminado por tochas. Viu diversos homens, todos com roupas estranhas, mantos alaranjados, e vermelhos, e marrons, e Wills o deixou em uma suíte. "Te vejo na Escola, Tetrus. E, se comporte", despediu-se Wills e ele ficou ali deitado na cama, quando a porta se fechou. Ele olha em volta. Há uma cascata, "Dentro do quarto!", tinha uma série de janelinhas pequenas lá no alto. A luz vinha de lugar nenhum, mas ele via o que via e não conseguia pensar em nada, não queria pensar em nada, ele era um vazio, uma vida que não sabe o que é conforto. Não sabe o que é nada do que vê nesse lugar, mas as estátuas são bonitas, de pedra cinzenta com ranhuras irregulares, e a água balançando faz ele relaxar, não, ele nunca relaxa, mas aos poucos ele se deita, cansado, e decide dormir.
Será que isso é felicidade?
Suspirou, tentando simplesmente não pensar.
Adormeceu.
(Fim do Prelúdio)
Sim sim, isso é só o começo.
Espero que esteja curtindo as histórias, e não se esqueça,...
Fique ligado.
Halloi (Helo). Welcome to The Action Tale. This is my Adventure Blog. Here I write about the Story I play with my Friends, the Games I create, and the Akkia language that I dedicate to the Study of Fiction.
Thursday, 28 June 2012
O Garoto que Cria bugigangas (ADS-02)
Olá, e Seja bem vindo.
Eu sou Sol Cajueiro e este é o meu Blog.
# A Escola dos Mil Herdeiros
O mundo de Tanahta é um mundo singular. Guerras. Devastação. Tudo o que um mundo antigo passou após ir de uma era mítica para uma era espacial, no mínimo tempo possível de cerca de dois meses, isso torna os Herdeiros as pessoas mais fortes do Império. Há mais. Há mundos que sofreram terrores tão próximos, e as raças ejik se unem a outras raças para confrontar inimigos desconhecidos, terrores noturnos e tecnologias estranhas, que fariam o cérebro de um cientista ferver.
Isso é, agora, tempo atual, Anno 2.056 da Aliança.
Melhor ler que eu explicar em minúcias. Os detalhes seriam longos demais, e acredito que explicar não seria o bastante para tudo isso.
O que o mundo faria sem expectativas e reviravoltas inexperadas?
This adventure will be written in Portuguese, but all other adventures will still be in English. So, don't worry. You'll be able to read them. Also, there will be no soundtrack music anymore. The reason is that I have a really hard time writing, and when I'm tired, really tired, after doing revision and revision, I have to search for the music on the net and that adds 15% more time to a working day, so it's no good.
(By -- Dec 2012, I've decided that all Stories will be written in Portuguese. All other posts, about story creation, rules, narrative techniques, and worldbuilding, conlangs and Blog posts, will be in English. Thank you).
# Otto Saibon - O Garoto que Cria bugigangas
Hoje temos um mundo com uma história complexa, e que é o único mundo das raças ejik que teve de passar pelo processo de terraformagem. As pessoas, Herdeiros naturais e estrangeiros, convivem hoje em um mundo que já esteve considerado morto, mas a vida continua.
O Senhor Saibon é um descendente dos herdeiros deste mundo.
Também casou-se com uma mulher maravilhosa, e assim, tiveram um filho herdeiro. Mas nada disso é importante, e isso tudo são lendas do passado.
Ao que parece, eles estão bastante enganados.
O pequeno Otto Saibon é um capetinha, um menino que talvez no futuro tenha problemas de coluna porque fica a maior parte do tempo debruçado sobre manuais de construção de brinquedos, e bugigangas variadas, o que lhe vale muitas vezes para se defender na escola. Que garoto, mesmo forte, vai querer ser acertado por engenhocas que cospem ervilhas malignas, sob pressão? Sim. Ele também ganha algum crédito, quando os outros meninos vem lhe pedir para construir brinquedos, e isso lhe ajuda a comprar novos manuais, e a aprender a construir novas geringonças que quase contrariam a física estabelecida.
Seu pai passa a maior parte do tempo viajando ou analisando as bolsas de valores. Não, eles não são ricos, mas seu pai tem muito status.
Assim, o Senhor Saibon é um comprador. O contrário de um vendedor. E ele já tentou explicar para o seu filho, sem muito sucesso, que centavos fazem uma diferença impressionante, quando se compra toneladas, mas Otto não entra no escritório de seu pai sem ser convidado. Só entra quando seu pai fala "Pega minha cigarrilha no meu escritório pra mim, meu filho", e ele fica impressionado em ver um computador com oito torres, e vários monitores flutuantes.
É claro que ele não entende as linhas que sobem.
Seu pai raramente recebe pessoas ricas ou importantes, pois prefere ir a lugares onde os ricos e importantes gostam de ir, assim, viver é caro mas dá muito dinheiro.
Um dia o Senhor Saibon reune a família e explica, nervoso, que vai precisar receber um funcionário de alta patente da Frota da Aliança, e estava incisivo quanto às regras. Nada pode sair errado. Essas pessoas são importantes, e você perde tudo o que tem se eles não forem bem recebidos, você se torna um pária, as notícias voam a dactilus, não que a família Saibon saiba muito sobre dactilus. Eles não sabem. Não sabem nada que fuja da rotina, Otto sabe que seu pai tem muito orgulho de suas pequenas invenções, e até já falou na escolha da escola para a qual ele deveria ir, e insiste que noções de engenharia deve começar cedo, e também se orgulha de seu filho passar os colegas para trás com bugigangas de baixo valor, afinal, é disso que o mundo é feito: oferta e procura.
Ensaiaram tudo, até algumas falas, e a senhora Saibon escolheu as roupas.
E então, os convidados chegaram. Um senhor e sua esposa, que são recebidos por Otto abrindo a porta com todo o orgulho, e seu pai aperta a mão do oficial, rapidamente eles fazem o casal se sentir em casa. Nada pode sair errado. Assim, logo depois da conversa inicial, sobre as chuvas na capital -- uma cidade enorme, na Bahia que existe no centro sul do grande continente, eles trazem sem pressa os convidados para a sala de estar.
O jantar é servido, e o Senhor Saibon explica sobre os dons de seu filho, que então explica como se faz uma bússola com materiais reciclados. Isso pareceu impressionar o oficial.
Bem, então, enquanto Otto fingia não estar com fome e comia com paciência, de repente seu prato sumiu.
Sumiu, bem diante dos seus olhos.
Otto olhou para sua mãe, que olhava para a comida sobre a mesa. Sua mãe se levantou, dizendo "Com licença,..." (e Otto viu ela segurar a toalha da mesa), ",..eu vou na,...", e então, sua mãe torceu o pé e foi ao chão.
Levou com ela toda a mesa, pratos, panelas e talheres, suco de amoras, tudo tudo, e todos se levantaram de uma só vez.
Assim, Otto ajuda sua mãe, e o oficial diz que sua esposa é enfermeira, e logo, a visitante conferiu e dizendo que a Senhora Saibon está bem, coisa que ela mesma ficou repetindo o tempo todo. O Senhor Saibon estava vermelho, pedindo desculpas o tempo todo, e o oficial disse que não havia problema nenhum, que ele mesmo já havia até passado por isso uma vez. Ele derrubou a mesa em cima do Chanceler de Kalaummuklutwa, Akkoya, a Capital, e disse que o mais importante é que a Senhora Saibon está bem.
A Senhora Saibon então fez pizza, depois que ela e a visitante -- ela insistiu -- limparam tudo, e Otto teve de ajudar a limpar e ficar olhando a massa ficar pronta.
O oficial e o Senhor Saibon vão para a sala ao lado, fumar um charuto e rapidamente a conversa se focou em bolsas de valores, e necessidades de compras da Frota da Aliança. Também tomaram umas duas ou três cervejas maltadas, artesanais, e a conversa se estendou por bastante tempo.
Acabou se tornando uma noite muito interessante.
Ao final, a família se despediu dos convidados e ao fechar a porta, então, todos se olharam meio tensos.
-- O que foi que aconteceu? - questionou o Senhor Saibon.
-- Eu me desequilibrei, e caí de madura -- disse sua esposa, tentando ser convincente.
-- Eu vou para o meu,...
Ouviu-se um ruidoso "Pop!".
-- ,... quarto - terminou o garoto.
Mas ele terminou a frase já dentro do seu quarto, e assim, gritou a todo pulmão.
-- Mããããaaaae!
Em instantes, seus pais chegaram. Eles tinham os olhos arregalados, e muito tensos eles mediram sua temperatura, seu pai mandou sua mãe ir pegar água pra ele, e fez Otto deitar na cama.
Sua mãe chegou com a água, ele bebeu, ficou tonto e dormiu.
# Os Espiões do Mal
Otto acorda sentindo seu corpo todo cansado, mas bem.
Sentiu fome na mesma hora que se sentou. Desce as escadas do segundo andar, e vê que a luz sobre a mesa estava acesa, e que havia um bilhete sobre a mesa.
"Seu pai teve de viajar. Tive de sair. Tem comida. Não esqueça de colocar o lixo pra fora. Mãe", ele leu, e ficou parado um momento, pensando.
Vai até a cozinha, e viu que a geladeira está cheia, e o congelador também, e era muita comida.
Comeu, depois andou pela casa coletando o lixo. Abre a porta da frente, sem pressa, e vai colocar o lixo na caixa de coleta, mas então, olhou para a frente -- Há um gato preto, no gramado sem luz do vizinho em frente.
Olhou para um lado, depois para o outro. Todas as casas, as luzes desligadas, todos os vizinhos viajaram ao mesmo tempo, e havia um sedã preto parado lá no fim do quarteirão, há umas cento e cinquenta medidas. Ele teve certeza, na mesma hora. Olhou, só pra saber se o gato não estaria lá de novo, e não estava.
"Pronto", pensa, "Agora os Espiões do Mal vão chegar, e me sequestrar".
Voltou pra dentro de casa, já fazendo seus planos.
Assim, verificou toda a comida que havia, molhos, quantos vidros de pimenta havia, mostarda, plenices, e também as "Ervilhas do Mal", sabia onde estavam as caixas de costura, e tinha muitas peças de brinquedos para organizar a defesa, e assim repassou mentalmente o esquema de construção do bodoque que havia criado há uns seis meses, e correu para começar a construir as defesas.
Na hora que os "Espiões do Mal" chegarem, vão se dar muito mal.
Uma hora depois tudo estava pronto.
Decide usar também os brinquedos que estavam guardados na caixa, com um papel anotado com o dia de hoje, oito, que ele ignorou, suspirando porque sua mãe guardou as coisas que ele estava montando ontem. Ela sempre faz isso, pensa ele, e todos os dias as coisas não estão mais no mesmo lugar. Assim então, Otto arma o bodoque-besta e escala o telhado fora do seu quarto, para ficar num lugar onde "Eles" nunca vão conseguir chegar.
O pequeno furinho no seu braço, como o de um exame de sangue, o incomodava.
Esperou, e realmente, uma hora depois um utilitário parou, em frente ao seu gramado.
"Eu sabia! São os Espiões do Mal", e esperou.
O motorista sai, um homem grande, branco e de cabelos curtos pretos. O sobretudo denunciava que ele era mesmo um espião, e acendeu um cigarro. Sem dúvida, os Espiões do Mal sempre fumam,... Daí, o outro, um espião mais magro, "Esse é o mínimo" (pensa Otto, apertando os olhos), "O lacaio", saiu do carro e se lembrou de que havia esquecido uma coisa no carro, um envelope pardo.
Os dois homens se dirigiram para a entrada da casa.
Bateram a campainha, uma, duas, três vezes.
-- Mas não é possível -- disse um deles, não dava pra ver qual, mas pela voz era o lacaio -- A central garantiu que ele estava em casa. Vamos ter de entrar, de um jeito ou de outro.
"Central?! Eu sabia,...", concluiu o garoto, e se agarrou ao seu bodoque-besta, armado com as Ervilhas do Mal, uma coisa contra a qual os espiões não teriam a menor chance.
E então, ele ouve uma palavra esquisita, e a porta da entrada se abrindo. O homem entrou, e não percebeu o barbante no chão.
PPPPpplláááááaaahhhhhhhhh,.......
Ele foi arremessado, por um aríete amarrado no umbral da porta, que desceu e acertou ele bem no peito. Só parou umas cinco medidas depois, caído no gramado.
-- O que foi essa,..... ($%@?),..
Mas o outro homem estava rindo, rindo e sua voz era grave, quando se aproximou do outro caído no chão e jogou o envelope pardo sobre ele.
-- Esse é o seu trabalho, agente. Te espero no carro. Hahahaha-haa,...
"Agente?! Pronto, agora tá confirmado", raciocina o garoto.
O agente se levanta, ele tem um pedaço de pau na mão, pega o envelope e vai para a casa. Logo que chegou à sala de visitas, foi coberto de molho para massas, além de tomar uma paulada na cabeça. Páh! Caiu no chão, e ficou ali falando palavras sem sentido. Foi para a cozinha, e se esquivou da armadilha na porta, mas não da outra que havia na mesa, e escorredou no chão, caindo e gritando "AAaaahhh", mas isso ele merecia, afinal, era um Espião do Mal e estava ali para sequestrá-lo,...
Ele escapou do bife congelado da janela da cozinha.
-- Acho que estou entendendo o que está acontecendo aqui,...
Otto agarrou o bodoque-besta mais forte.
Ouviu uma série de palavras, que nunca havia escutado, "Ele está falando outra língua,... Isso é a prova final, ele é mesmo um Espião do Mal", e "Toma isso!" quando ouviu que ele caiu na armadilha da escada, feita com muita pimenta, molhos, um travesseiro de penas, e os tacos de jogo de campo de seu pai. Essa doeu. O espião ficou ali, deitado no chão um bom tempo, mas ele é durão e se levantou.
Uma palavra esquisita, e ele escapou da armadilha do corredor. Fez um silêncio enorme fora do quarto. A única coisa que se ouvia era a rizada alta e prazeirosa, do outro espião lá no carro. "Aquele é o chefe,... Vou ter de lidar com ele depois,...", raciocinou o garoto.
Escalou o telhado e ficou de frente para a porta do seu quarto, armado.
Uma a uma, as armadilhas eram desfeitas, mas,...
O espião não havia entrado, ele estava desafazendo as armadilhas do lado de fora. Isso é terrível, ele é muito melhor que o garoto havia pensado, e de repente,...
-- Otto,... -- "Ele sabe meu nome?,...", pensou ele -- eu não vou te fazer mal.
-- Você é um Espião do Mal, que eu sei! Fique longe! Eu estou armado -- gritou para a porta, armado com ervilhas assassinas, afinal, as ervilhas são do mal.
-- Eu tenho uma boa notícia para te dar,... Tenho de te entregar uma coisa, Otto. Eu vou entrar.
E a porta começou a se abrir, mas ninguém a estava abrindo.
-- Fique com as mãos onde eu possa ver! -- gritou Otto, ligando a lanterna.
-- Está bem,... calma,...
E assim, o espião do mal, todo coberto de molhos, pimentas, ovos, farinha, e penas, entrou com calma e ficou visível no vão da porta.
-- Eu vim te entregar isso, Otto. (o envelope pardo,...) É um convite, muito especial.
-- Abra e leia, você! -- ordenou.
-- Olha, eu não posso abrir. Tá, vou te mostrar,...
O espião do mal pegou o envelope, que tinha um lacre vermelho como o de uma carta oficial do império, e tentou rasgar para abrir. De repente, o envelope se fechou sozinho, e o lacre voltou ao mesmo lugar.
-- Viu? Eu não posso abrir, Otto. Só você pode abrir.
-- Me dá isso aqui -- ordena ele, e ligou a lanterna forte para o agente do mal ficar cego, uma lanterna que ele amarrou no boné com fita adesiva.
Abriu o envelope, com uma mão só, e ainda apontando o bodoque para o espião, leu.
"Senhor Otto Saibon. Você foi aceito na importante e antiga academia A Escola dos Mil Herdeiros, para receber, se assim aceitar as Leis de nossa sociedade, educação especial. A Escola é privada. Você irá estudar Magia, Manifestação e Poder, além de matérias essenciais para sua condição, e deve se apresentar dia 21 do Mês Primeiro.
Segue uma lista de materiais e livros que você deve levar, e todo o resto é fornecido pela Escola, em razão das suas aptidões especiais.
"A propósito, Feliz Aniversário" (escrito a mão).
(Havia uma assinatura que não conseguiu ler no final).
-- Que tipo de idiota você é? - Otto imediatamente perguntou ao espião.
-- Eu sou um agent,...
-- Eu sabia! Você é um Espião do Mal! Hoje não é meu aniversário. Hoje é dia sete, e meu aniversário é treze. Você está mentindo! Você é um Espião do Mal.
-- Não, Otto. Hoje é dia treze do mês primeiro. Veja no equipamento de mídia, ali na parede -- ele olhou, e era. Essa era a coisa mais louca que havia visto na vida -- E eu não sou um espião do mal. Eu sou um bruxo.
Aquilo era a coisa mais sem sentido que um espião poderia dizer. Depois de alguns segundos, Otto se moveu.
-- Prova -- ordenou ele ao espião.
-- Você teleportou, e então a Agência Educacional ficou sabendo. Você vai adorar a Escola. Você leu só o cartão, mas há um pingente de ouro junto com ele. Ele é a prova. Calma, que eu vou te mostrar.
O homem calma e lentamente tirou um espeto de dentro do casaco, e apontou para a sua cama. Ela começou a levitar em pleno ar. Otto ficou de boca aberta, mas nessa hora, em que o homem pousou a cama e guardou o pedaço de pau, sem querer, o bodoque-besta atirou. Ele se desequilibrou, ali no telhado, e enquanto o homem tomava uma salva de tiros de ervilhas do mal, o garoto jogou a arma para trás para usá-la de alavanca e se equilibrou.
-- AAahhh,.... mais pimenta,.... aahhhh,... meus olhos,....... -- grita o agen,... bruxo, ou o-quer-que-seja.
E assim, o homem pegou o espeto e apontou para si mesmo. Toda a sugeira saiu dele e ficou suspensa no ar.
Otto viu aquilo, e sua boca ficou aberta de surpresa, mas ele ainda estava tonto. O telhado cedeu, a telha quebrou, e Otto começa a cair,... até tenta se agarrar na janela, mas seus dedos não alcançam. Está no ar, vai cair e se dar muito mal, e então se lembrou de sua cama, e desejou estar sobre ela, vendo o chão se aproximar, e então, de repente ele cai sobre a sua cama, e balança, vendo que não se machucou. Ele teleportou.
-- Ele caiiiiiiu! Corre! Vê se ele está bem! -- grita o bruxo pela janela. O outro homem, lá no carro, se contorcia de tanto rir.
Otto olhou para o quarto, de olhos arregalados, ouvindo o homem bruxo agente do mal gritar para o outro que ria alto pela janela, desesperado, e se levantou.
-- Corre! Faz alguma coisa!
-- Moço,... -- Otto segurou e puxou a camisa do bruxo, que olhou e depois de novo para a janela, e parou.
-- O qu,...
-- Eu teleportei -- e ao dizer isso o homem ficou parado, até entender.
-- Voc,.......
-- É. Eu acredito em você, agora.
Ouvir aquilo deve ter sido como ter uma visão do paraíso.
O bruxo suspirou, em alívio. Descem calmos para o andar térreo, e o outro homem, o "Chefe" veio para dentro da casa, e não conseguia parar de rir nem por decreto imperial.
-- Eu vou contar essa história pro resto da minha vida! Hahaha-ha-haa,...
-- Isso era um trote! -- gritou o bruxo -- Vocês vão me pagar por isso -- mas não adiantava mais, e Otto já estava rindo com ele. O tal bruxo havia se ferrado.
Aos poucos eles se acalmaram, e Otto pegou o envelope.
Havia mais alguma coisa nele. Ele inclinou um pouco, e caiu sobre a sua mão um pingente de ouro. Parecia,... vivo. Quente. Era um círculo com uma gota no centro, mas não havia nada prendendo a gota ao círculo.
-- Essa,... -- diz o garoto, em dúvida -- Escola,... Como é essa Escola?
-- Vou te mostrar, Otto -- disse o grandão, sorridente, sua voz era grave.
Fez a arma de linhas de uma maquete no ar, e seu computador imprimiu no ar uma série de construções, tão enormes e incríveis, que Otto fica pasmo. Não conseguia falar. Eram castelos, torres, um forte imenso, e diversas construções, compridas, pequenas, grandes, estranhas ou belas, ao longo de bosques e um lago, havia uma ponte e depois o holograma acabava. Havia uma bugiganga maluca no meio, bem no alto. Ele não tem o que dizer. Tomou a sua decisão, nesse mesmo momento.
Irá estudar nessa Escola, custe o que custar.
(Fim do Prelúdio)
A história não acaba aqui, e isso é só o começo.
Espero que você esteja se divertindo ao ler, como nós nos divertimos jogando, e,...
Fique ligado.
Eu sou Sol Cajueiro e este é o meu Blog.
# A Escola dos Mil Herdeiros
O mundo de Tanahta é um mundo singular. Guerras. Devastação. Tudo o que um mundo antigo passou após ir de uma era mítica para uma era espacial, no mínimo tempo possível de cerca de dois meses, isso torna os Herdeiros as pessoas mais fortes do Império. Há mais. Há mundos que sofreram terrores tão próximos, e as raças ejik se unem a outras raças para confrontar inimigos desconhecidos, terrores noturnos e tecnologias estranhas, que fariam o cérebro de um cientista ferver.
Isso é, agora, tempo atual, Anno 2.056 da Aliança.
Melhor ler que eu explicar em minúcias. Os detalhes seriam longos demais, e acredito que explicar não seria o bastante para tudo isso.
O que o mundo faria sem expectativas e reviravoltas inexperadas?
This adventure will be written in Portuguese, but all other adventures will still be in English. So, don't worry. You'll be able to read them. Also, there will be no soundtrack music anymore. The reason is that I have a really hard time writing, and when I'm tired, really tired, after doing revision and revision, I have to search for the music on the net and that adds 15% more time to a working day, so it's no good.
(By -- Dec 2012, I've decided that all Stories will be written in Portuguese. All other posts, about story creation, rules, narrative techniques, and worldbuilding, conlangs and Blog posts, will be in English. Thank you).
# Otto Saibon - O Garoto que Cria bugigangas
Hoje temos um mundo com uma história complexa, e que é o único mundo das raças ejik que teve de passar pelo processo de terraformagem. As pessoas, Herdeiros naturais e estrangeiros, convivem hoje em um mundo que já esteve considerado morto, mas a vida continua.
O Senhor Saibon é um descendente dos herdeiros deste mundo.
Também casou-se com uma mulher maravilhosa, e assim, tiveram um filho herdeiro. Mas nada disso é importante, e isso tudo são lendas do passado.
Ao que parece, eles estão bastante enganados.
O pequeno Otto Saibon é um capetinha, um menino que talvez no futuro tenha problemas de coluna porque fica a maior parte do tempo debruçado sobre manuais de construção de brinquedos, e bugigangas variadas, o que lhe vale muitas vezes para se defender na escola. Que garoto, mesmo forte, vai querer ser acertado por engenhocas que cospem ervilhas malignas, sob pressão? Sim. Ele também ganha algum crédito, quando os outros meninos vem lhe pedir para construir brinquedos, e isso lhe ajuda a comprar novos manuais, e a aprender a construir novas geringonças que quase contrariam a física estabelecida.
Seu pai passa a maior parte do tempo viajando ou analisando as bolsas de valores. Não, eles não são ricos, mas seu pai tem muito status.
Assim, o Senhor Saibon é um comprador. O contrário de um vendedor. E ele já tentou explicar para o seu filho, sem muito sucesso, que centavos fazem uma diferença impressionante, quando se compra toneladas, mas Otto não entra no escritório de seu pai sem ser convidado. Só entra quando seu pai fala "Pega minha cigarrilha no meu escritório pra mim, meu filho", e ele fica impressionado em ver um computador com oito torres, e vários monitores flutuantes.
É claro que ele não entende as linhas que sobem.
Seu pai raramente recebe pessoas ricas ou importantes, pois prefere ir a lugares onde os ricos e importantes gostam de ir, assim, viver é caro mas dá muito dinheiro.
Um dia o Senhor Saibon reune a família e explica, nervoso, que vai precisar receber um funcionário de alta patente da Frota da Aliança, e estava incisivo quanto às regras. Nada pode sair errado. Essas pessoas são importantes, e você perde tudo o que tem se eles não forem bem recebidos, você se torna um pária, as notícias voam a dactilus, não que a família Saibon saiba muito sobre dactilus. Eles não sabem. Não sabem nada que fuja da rotina, Otto sabe que seu pai tem muito orgulho de suas pequenas invenções, e até já falou na escolha da escola para a qual ele deveria ir, e insiste que noções de engenharia deve começar cedo, e também se orgulha de seu filho passar os colegas para trás com bugigangas de baixo valor, afinal, é disso que o mundo é feito: oferta e procura.
Ensaiaram tudo, até algumas falas, e a senhora Saibon escolheu as roupas.
E então, os convidados chegaram. Um senhor e sua esposa, que são recebidos por Otto abrindo a porta com todo o orgulho, e seu pai aperta a mão do oficial, rapidamente eles fazem o casal se sentir em casa. Nada pode sair errado. Assim, logo depois da conversa inicial, sobre as chuvas na capital -- uma cidade enorme, na Bahia que existe no centro sul do grande continente, eles trazem sem pressa os convidados para a sala de estar.
O jantar é servido, e o Senhor Saibon explica sobre os dons de seu filho, que então explica como se faz uma bússola com materiais reciclados. Isso pareceu impressionar o oficial.
Bem, então, enquanto Otto fingia não estar com fome e comia com paciência, de repente seu prato sumiu.
Sumiu, bem diante dos seus olhos.
Otto olhou para sua mãe, que olhava para a comida sobre a mesa. Sua mãe se levantou, dizendo "Com licença,..." (e Otto viu ela segurar a toalha da mesa), ",..eu vou na,...", e então, sua mãe torceu o pé e foi ao chão.
Levou com ela toda a mesa, pratos, panelas e talheres, suco de amoras, tudo tudo, e todos se levantaram de uma só vez.
Assim, Otto ajuda sua mãe, e o oficial diz que sua esposa é enfermeira, e logo, a visitante conferiu e dizendo que a Senhora Saibon está bem, coisa que ela mesma ficou repetindo o tempo todo. O Senhor Saibon estava vermelho, pedindo desculpas o tempo todo, e o oficial disse que não havia problema nenhum, que ele mesmo já havia até passado por isso uma vez. Ele derrubou a mesa em cima do Chanceler de Kalaummuklutwa, Akkoya, a Capital, e disse que o mais importante é que a Senhora Saibon está bem.
A Senhora Saibon então fez pizza, depois que ela e a visitante -- ela insistiu -- limparam tudo, e Otto teve de ajudar a limpar e ficar olhando a massa ficar pronta.
O oficial e o Senhor Saibon vão para a sala ao lado, fumar um charuto e rapidamente a conversa se focou em bolsas de valores, e necessidades de compras da Frota da Aliança. Também tomaram umas duas ou três cervejas maltadas, artesanais, e a conversa se estendou por bastante tempo.
Acabou se tornando uma noite muito interessante.
Ao final, a família se despediu dos convidados e ao fechar a porta, então, todos se olharam meio tensos.
-- O que foi que aconteceu? - questionou o Senhor Saibon.
-- Eu me desequilibrei, e caí de madura -- disse sua esposa, tentando ser convincente.
-- Eu vou para o meu,...
Ouviu-se um ruidoso "Pop!".
-- ,... quarto - terminou o garoto.
Mas ele terminou a frase já dentro do seu quarto, e assim, gritou a todo pulmão.
-- Mããããaaaae!
Em instantes, seus pais chegaram. Eles tinham os olhos arregalados, e muito tensos eles mediram sua temperatura, seu pai mandou sua mãe ir pegar água pra ele, e fez Otto deitar na cama.
Sua mãe chegou com a água, ele bebeu, ficou tonto e dormiu.
# Os Espiões do Mal
Otto acorda sentindo seu corpo todo cansado, mas bem.
Sentiu fome na mesma hora que se sentou. Desce as escadas do segundo andar, e vê que a luz sobre a mesa estava acesa, e que havia um bilhete sobre a mesa.
"Seu pai teve de viajar. Tive de sair. Tem comida. Não esqueça de colocar o lixo pra fora. Mãe", ele leu, e ficou parado um momento, pensando.
Vai até a cozinha, e viu que a geladeira está cheia, e o congelador também, e era muita comida.
Comeu, depois andou pela casa coletando o lixo. Abre a porta da frente, sem pressa, e vai colocar o lixo na caixa de coleta, mas então, olhou para a frente -- Há um gato preto, no gramado sem luz do vizinho em frente.
Olhou para um lado, depois para o outro. Todas as casas, as luzes desligadas, todos os vizinhos viajaram ao mesmo tempo, e havia um sedã preto parado lá no fim do quarteirão, há umas cento e cinquenta medidas. Ele teve certeza, na mesma hora. Olhou, só pra saber se o gato não estaria lá de novo, e não estava.
"Pronto", pensa, "Agora os Espiões do Mal vão chegar, e me sequestrar".
Voltou pra dentro de casa, já fazendo seus planos.
Assim, verificou toda a comida que havia, molhos, quantos vidros de pimenta havia, mostarda, plenices, e também as "Ervilhas do Mal", sabia onde estavam as caixas de costura, e tinha muitas peças de brinquedos para organizar a defesa, e assim repassou mentalmente o esquema de construção do bodoque que havia criado há uns seis meses, e correu para começar a construir as defesas.
Na hora que os "Espiões do Mal" chegarem, vão se dar muito mal.
Uma hora depois tudo estava pronto.
Decide usar também os brinquedos que estavam guardados na caixa, com um papel anotado com o dia de hoje, oito, que ele ignorou, suspirando porque sua mãe guardou as coisas que ele estava montando ontem. Ela sempre faz isso, pensa ele, e todos os dias as coisas não estão mais no mesmo lugar. Assim então, Otto arma o bodoque-besta e escala o telhado fora do seu quarto, para ficar num lugar onde "Eles" nunca vão conseguir chegar.
O pequeno furinho no seu braço, como o de um exame de sangue, o incomodava.
Esperou, e realmente, uma hora depois um utilitário parou, em frente ao seu gramado.
"Eu sabia! São os Espiões do Mal", e esperou.
O motorista sai, um homem grande, branco e de cabelos curtos pretos. O sobretudo denunciava que ele era mesmo um espião, e acendeu um cigarro. Sem dúvida, os Espiões do Mal sempre fumam,... Daí, o outro, um espião mais magro, "Esse é o mínimo" (pensa Otto, apertando os olhos), "O lacaio", saiu do carro e se lembrou de que havia esquecido uma coisa no carro, um envelope pardo.
Os dois homens se dirigiram para a entrada da casa.
Bateram a campainha, uma, duas, três vezes.
-- Mas não é possível -- disse um deles, não dava pra ver qual, mas pela voz era o lacaio -- A central garantiu que ele estava em casa. Vamos ter de entrar, de um jeito ou de outro.
"Central?! Eu sabia,...", concluiu o garoto, e se agarrou ao seu bodoque-besta, armado com as Ervilhas do Mal, uma coisa contra a qual os espiões não teriam a menor chance.
E então, ele ouve uma palavra esquisita, e a porta da entrada se abrindo. O homem entrou, e não percebeu o barbante no chão.
PPPPpplláááááaaahhhhhhhhh,.......
Ele foi arremessado, por um aríete amarrado no umbral da porta, que desceu e acertou ele bem no peito. Só parou umas cinco medidas depois, caído no gramado.
-- O que foi essa,..... ($%@?),..
Mas o outro homem estava rindo, rindo e sua voz era grave, quando se aproximou do outro caído no chão e jogou o envelope pardo sobre ele.
-- Esse é o seu trabalho, agente. Te espero no carro. Hahahaha-haa,...
"Agente?! Pronto, agora tá confirmado", raciocina o garoto.
O agente se levanta, ele tem um pedaço de pau na mão, pega o envelope e vai para a casa. Logo que chegou à sala de visitas, foi coberto de molho para massas, além de tomar uma paulada na cabeça. Páh! Caiu no chão, e ficou ali falando palavras sem sentido. Foi para a cozinha, e se esquivou da armadilha na porta, mas não da outra que havia na mesa, e escorredou no chão, caindo e gritando "AAaaahhh", mas isso ele merecia, afinal, era um Espião do Mal e estava ali para sequestrá-lo,...
Ele escapou do bife congelado da janela da cozinha.
-- Acho que estou entendendo o que está acontecendo aqui,...
Otto agarrou o bodoque-besta mais forte.
Ouviu uma série de palavras, que nunca havia escutado, "Ele está falando outra língua,... Isso é a prova final, ele é mesmo um Espião do Mal", e "Toma isso!" quando ouviu que ele caiu na armadilha da escada, feita com muita pimenta, molhos, um travesseiro de penas, e os tacos de jogo de campo de seu pai. Essa doeu. O espião ficou ali, deitado no chão um bom tempo, mas ele é durão e se levantou.
Uma palavra esquisita, e ele escapou da armadilha do corredor. Fez um silêncio enorme fora do quarto. A única coisa que se ouvia era a rizada alta e prazeirosa, do outro espião lá no carro. "Aquele é o chefe,... Vou ter de lidar com ele depois,...", raciocinou o garoto.
Escalou o telhado e ficou de frente para a porta do seu quarto, armado.
Uma a uma, as armadilhas eram desfeitas, mas,...
O espião não havia entrado, ele estava desafazendo as armadilhas do lado de fora. Isso é terrível, ele é muito melhor que o garoto havia pensado, e de repente,...
-- Otto,... -- "Ele sabe meu nome?,...", pensou ele -- eu não vou te fazer mal.
-- Você é um Espião do Mal, que eu sei! Fique longe! Eu estou armado -- gritou para a porta, armado com ervilhas assassinas, afinal, as ervilhas são do mal.
-- Eu tenho uma boa notícia para te dar,... Tenho de te entregar uma coisa, Otto. Eu vou entrar.
E a porta começou a se abrir, mas ninguém a estava abrindo.
-- Fique com as mãos onde eu possa ver! -- gritou Otto, ligando a lanterna.
-- Está bem,... calma,...
E assim, o espião do mal, todo coberto de molhos, pimentas, ovos, farinha, e penas, entrou com calma e ficou visível no vão da porta.
-- Eu vim te entregar isso, Otto. (o envelope pardo,...) É um convite, muito especial.
-- Abra e leia, você! -- ordenou.
-- Olha, eu não posso abrir. Tá, vou te mostrar,...
O espião do mal pegou o envelope, que tinha um lacre vermelho como o de uma carta oficial do império, e tentou rasgar para abrir. De repente, o envelope se fechou sozinho, e o lacre voltou ao mesmo lugar.
-- Viu? Eu não posso abrir, Otto. Só você pode abrir.
-- Me dá isso aqui -- ordena ele, e ligou a lanterna forte para o agente do mal ficar cego, uma lanterna que ele amarrou no boné com fita adesiva.
Abriu o envelope, com uma mão só, e ainda apontando o bodoque para o espião, leu.
"Senhor Otto Saibon. Você foi aceito na importante e antiga academia A Escola dos Mil Herdeiros, para receber, se assim aceitar as Leis de nossa sociedade, educação especial. A Escola é privada. Você irá estudar Magia, Manifestação e Poder, além de matérias essenciais para sua condição, e deve se apresentar dia 21 do Mês Primeiro.
Segue uma lista de materiais e livros que você deve levar, e todo o resto é fornecido pela Escola, em razão das suas aptidões especiais.
"A propósito, Feliz Aniversário" (escrito a mão).
(Havia uma assinatura que não conseguiu ler no final).
-- Que tipo de idiota você é? - Otto imediatamente perguntou ao espião.
-- Eu sou um agent,...
-- Eu sabia! Você é um Espião do Mal! Hoje não é meu aniversário. Hoje é dia sete, e meu aniversário é treze. Você está mentindo! Você é um Espião do Mal.
-- Não, Otto. Hoje é dia treze do mês primeiro. Veja no equipamento de mídia, ali na parede -- ele olhou, e era. Essa era a coisa mais louca que havia visto na vida -- E eu não sou um espião do mal. Eu sou um bruxo.
Aquilo era a coisa mais sem sentido que um espião poderia dizer. Depois de alguns segundos, Otto se moveu.
-- Prova -- ordenou ele ao espião.
-- Você teleportou, e então a Agência Educacional ficou sabendo. Você vai adorar a Escola. Você leu só o cartão, mas há um pingente de ouro junto com ele. Ele é a prova. Calma, que eu vou te mostrar.
O homem calma e lentamente tirou um espeto de dentro do casaco, e apontou para a sua cama. Ela começou a levitar em pleno ar. Otto ficou de boca aberta, mas nessa hora, em que o homem pousou a cama e guardou o pedaço de pau, sem querer, o bodoque-besta atirou. Ele se desequilibrou, ali no telhado, e enquanto o homem tomava uma salva de tiros de ervilhas do mal, o garoto jogou a arma para trás para usá-la de alavanca e se equilibrou.
-- AAahhh,.... mais pimenta,.... aahhhh,... meus olhos,....... -- grita o agen,... bruxo, ou o-quer-que-seja.
E assim, o homem pegou o espeto e apontou para si mesmo. Toda a sugeira saiu dele e ficou suspensa no ar.
Otto viu aquilo, e sua boca ficou aberta de surpresa, mas ele ainda estava tonto. O telhado cedeu, a telha quebrou, e Otto começa a cair,... até tenta se agarrar na janela, mas seus dedos não alcançam. Está no ar, vai cair e se dar muito mal, e então se lembrou de sua cama, e desejou estar sobre ela, vendo o chão se aproximar, e então, de repente ele cai sobre a sua cama, e balança, vendo que não se machucou. Ele teleportou.
-- Ele caiiiiiiu! Corre! Vê se ele está bem! -- grita o bruxo pela janela. O outro homem, lá no carro, se contorcia de tanto rir.
Otto olhou para o quarto, de olhos arregalados, ouvindo o homem bruxo agente do mal gritar para o outro que ria alto pela janela, desesperado, e se levantou.
-- Corre! Faz alguma coisa!
-- Moço,... -- Otto segurou e puxou a camisa do bruxo, que olhou e depois de novo para a janela, e parou.
-- O qu,...
-- Eu teleportei -- e ao dizer isso o homem ficou parado, até entender.
-- Voc,.......
-- É. Eu acredito em você, agora.
Ouvir aquilo deve ter sido como ter uma visão do paraíso.
O bruxo suspirou, em alívio. Descem calmos para o andar térreo, e o outro homem, o "Chefe" veio para dentro da casa, e não conseguia parar de rir nem por decreto imperial.
-- Eu vou contar essa história pro resto da minha vida! Hahaha-ha-haa,...
-- Isso era um trote! -- gritou o bruxo -- Vocês vão me pagar por isso -- mas não adiantava mais, e Otto já estava rindo com ele. O tal bruxo havia se ferrado.
Aos poucos eles se acalmaram, e Otto pegou o envelope.
Havia mais alguma coisa nele. Ele inclinou um pouco, e caiu sobre a sua mão um pingente de ouro. Parecia,... vivo. Quente. Era um círculo com uma gota no centro, mas não havia nada prendendo a gota ao círculo.
-- Essa,... -- diz o garoto, em dúvida -- Escola,... Como é essa Escola?
-- Vou te mostrar, Otto -- disse o grandão, sorridente, sua voz era grave.
Fez a arma de linhas de uma maquete no ar, e seu computador imprimiu no ar uma série de construções, tão enormes e incríveis, que Otto fica pasmo. Não conseguia falar. Eram castelos, torres, um forte imenso, e diversas construções, compridas, pequenas, grandes, estranhas ou belas, ao longo de bosques e um lago, havia uma ponte e depois o holograma acabava. Havia uma bugiganga maluca no meio, bem no alto. Ele não tem o que dizer. Tomou a sua decisão, nesse mesmo momento.
Irá estudar nessa Escola, custe o que custar.
(Fim do Prelúdio)
A história não acaba aqui, e isso é só o começo.
Espero que você esteja se divertindo ao ler, como nós nos divertimos jogando, e,...
Fique ligado.
Monday, 25 June 2012
A Menina da Escola do Leste (#A-01)
Olá, e Seja bem vindo.
Eu sou Sol Cajueiro e esse é meu Adventure Blog.
This adventure will be written in Portuguese, but all other adventures will still be in English. So, don't worry. You'll be able to read them. Also, there will be no soundtrack music anymore. The reason is that I have a really hard time writing, and when I'm tired, really tired, after doing revision and revision, I have to search for the music on the net and that adds 15% more time to a working day, so it's no good.
A Escola dos Mil Herdeiros
Você vai perceber que este é um post a parte, mas as explicações serão dadas ao longo das várias histórias, então, não se preocupe.
A Escola do Leste
Kori Kleptra: A Menina da Escola do Leste
Ainda é dia, mas seu coração já se amarga sem esperança. Porque? Porque chegou atrasada? Não sabe o que deve fazer, e seu peito se aperta pensando que vai perder, que não será mais aceita na Escola, a mesma escola que a sua avó estudou. A Escola do Leste, disse sua avó anteontem, ela passou por uma reforma, durante os últimos anos da Guerra Civil, e todas as tribos do leste concordaram que deviam enviar dinheiro para a construção, a única coisa que elas concordaram durante a guerra, e a escola agora é enorme.
Não há fotos, foi o que sua avó havia dito.
Agora, Kori está ali, parada, desesperada porque perdeu o transporte, e sente o frio no estômago do medo de não ser aceita na escola por isso.
O próximo transporte só sai em duas horas, e ela já está ali há três.
Ela não tem dinheiro.
Sua família morreu na guerra, seus pais, o irmão mais novo, e o tio também. Ela sofreu muito. Sua avó, apesar disso, lhe diz que a melhor parte da família está viva.
Mais uma hora se passa, ela olhando o relógio de parede o tempo todo.
Parece uma eternidade sem fim.
Se lembrou da primeira vez que sua avó teleportou com ela, pra mostrar a ela o que era. A avó diz que ela também pode fazer isso, mas nunca conseguiu. A única coisa que consegue, sim sim, isso é seu orgulho, é curar qualquer tipo de ferimento. Ela tem o poder da cura, e por isso a avó a inscreveu na escola, o único lugar na região leste do Grande Continente em que ela vai estudar com pessoas iguais a ela, mas perdeu o transporte e agora acha que vai ser punida, ou expulsa, já no primeiro dia antes das aulas.
Teve de ir sozinha, pois sua avó é muito velha já, e não pode ir.
Assim, Kori andou dois quilômetros no meio das vilas, e favelas, com medo de ser assaltada, mas sabe que não se assalta quem não incomoda as tribos. Ela não é de nenhuma tribo. Não que ela saiba. Sua família veio de outro mundo há uns cem anos, quando não havia guerra nesse país.
Sentiu sede, e foi beber água no bebedouro da estação, ninguém ali deu atenção a ela, ninguém ali sabia o que se passava em seu coração.
Isso aconteceu por toda a sua vida.
Às vezes, ela acha que é invisível para as outras pessoas.
Afinal de contas, ela é loura, e ninguém é louro.
Sentiu seus olhos se arregalarem, vinte minutos mais tarde, quando o transporte parou. Desceu uma senhora com uma galinha, e sacos amarrotados.
Entrou no transporte, público, porque não tinha dinheiro.
- Oi - disse ao andróide motorista.
- Onde quer ir, senhorita? - ouviu a voz metálica dele.
- Aklámera Mythus. Fica...
- Vou deixar você no meio do nada, mas se é o que você quer então sente-se e use o sinto de segurança - concluiu o andróide.
Ela engoliu em seco e foi se sentar.
Foram duas horas e meia ali, tentando não voar porque o transporte público, ainda que viaje há centímetros do chão, é tão velho que sai fumaça da lateral amassada.
Viu um grupo de dáctilos voando lá no alto.
De repente, no meio do árido vazio, o transporte parou.
- Chegamos - disse a voz do andróide.
- Ah... é aqui? Eu,... hm, obrigada - e viu o relógio marcando seis e vinte e sete no painel.
- Você tem água, garota? Esta região não tem água - comentou o andróide.
- Eu,... hmmmh,... é aqui mesmo que eu desço.
- Boa noite - despediu-se o motorista.
O transporte, em que ela estava sozinha, ficou vazio de vez.
Olhou para um lado, para o outro, e nada.
Não sabia para onde ir, mas viu que havia uma estradinha há uns cinquenta metros, e uma placa que ela não conseguia ler.
Decidiu andar e ler a placa, e as sombras da noite estavam chegando.
A placa dizia: Aklámera Mythus.
Aquela estrada levava para a lateral das montanhas, e ia adiante. Sem outra opção decidiu ir andando mesmo, e suspirou imaginando que ia ficar de castigo.
Assim sendo, contornou a primeira montanha, e seguiu por um bosque de árvores retorcidas, na lateral de outra montanha, e depois de mais de uma hora, atravessou mais montanhas e então ela viu. Havia um sem número de edifícios grandes, uns compridos, mas não podia dizer a forma exata deles. A noite agora era fria, porque a região árida é mais fria a noite, e seguiu sem luz para aquele lugar.
Em alguns minutos, ela chegou.
Todas as luzes estavam desligadas, e na hora que estava pisando no gramado bem cuidado que levava ao que ela achou que era a entrada, um carro passou por ela. Não era um carro comum. Era um Voller, uma limousine com várias medidas de tamanho, e preto.
Ela viu o carro parando, e foi até lá sem pensar.
Parou há uns oito metros, olhando, e viu um menino de uns dez anos também, como ela, mas era branco e tinha cabelos negros, como a maioria das pessoas.
Ele parou ao sair do carro.
Seus olhos estavam parados um no outro, ali nas sombras da noite.
- Quem é você? - perguntou o garoto.
- Eu? Ah, Kori. Kori Kleptra. Eu vim pra Escola - respondeu.
- A pé? - a voz dele demonstrava espanto.
- Hmm,... é, parece que sim. Aqui é a Escola, não é? Aqui é Aklámera Mythus, a Escola do Leste?
- Sim, é aqui mesmo. Se aproxime, pra eu ver você - a voz dele parecia dar uma ordem, mas a pequena só andou e chegou perto dele.
O garoto olhou de lado, analisando.
- O que você é? - a pergunta dele fazia pouco sentido.
- Eu? Eu tenho o poder da cura, e você? - perguntou ela.
- Eu sou um vampiro. Qual é o seu nome?
- Kori. Eu já disse isso pra você - e ela começou a sentir um pouco de medo.
- Você não pode ficar andando por aí a noite, Kori.
- Porque? - ela não conseguiu decidir se ele era confiável, ou não, e isso a estava deixando nervosa, com medo, e ainda por cima, estava com fome e com frio.
- Porque,...
Mas o barulho de carros chegando os tiraram da conversa.
Mais um carro, e depois outro, e depois outro chegaram, e eles ficaram ali olhando.
Desceram mais três pessoas, da mesma idade que eles. Três garotos que olharam para eles, e pararam bem na porta tal como o primeiro garoto.
Os três então se aproximaram uns dos outros, e apertaram as mãos.
Eles riram, como se aquilo fosse um prêmio. Assim, olharam para a pequena. Se aproximaram, e todos eles estavam carregando uma pequena bolsa, como o garoto que chegou primeiro estava, mas a pequena carregava uma mochila nas costas, e eles pareceram gostar disso.
- Ei, você - falou alto o mais magro - Deixa um pouco pra nós.
Os outros dois riram, e ela deu um passo pra trás.
- Ela está comigo - defendeu o primeiro, e andou até ficar entre ela e os três - Vocês três vão entrar e nos deixar a sós. Agora.
- Olha,... (disse supreso o garoto, e riu),.. eu acho que você não entendeu. Mas se você a quer só pra você, eu vou deixar você se divertir sozinho. Essa escola é um paraíso. Vamos - ordenou aos outros dois, que também riam como se aquilo fosse realmente engraçado.
Depois que eles foram embora, ele se virou para ela.
- Não vou te fazer mal - disse ele.
- Eu sei. Mas não sei onde é que eu devo ir, afinal, eu devia ter vindo de dia, e,... acho que vou ser expulsa já no primeiro dia e minha vó vai me matar, ou vai morrer quando souber.
- Bem,... prazer. (esticou a mão para ela). Himmil Talir.
- Himmil? Que nome diferente,...
- (tsc) Pode me chamar como quiser - ele acrescentou.
- Oi, Himmil. Pode me chamar de Kori, também.
- Primeiro nome,... tá. Isso é incomum pro meu povo, mas tudo bem. Vamos entrar e tentar achar um professor pra te levar,... você disse que tem o poder da cura, não é? Então, o seu lugar é o Templo.
- Deve ser,... Você parece saber muita coisa.
- Vamos. Você não pode ficar aqui.
Eles viram o carro de cada um dos outros três fazendo manobras para ir embora, e Himmil fez um gesto para que o carro que o trouxe fosse embora também.
Andaram por um bosque a meia luz, passaram pela entrada de uma "Biblioteca", era o que dizia a placa em aço escovado na entrada, e deram a volta em um edifício enorme. Himmil não falou nada com ela, mas já que ele tinha protegido ela logo quando se conheceram, ela decidiu confiar nele, mesmo porque, desde que sua família toda havia morrido que não tinha nenhum amigo.
Ouviram vozes vindas do edifício Oito, e o barulho de talheres e música ambiente, aquele tipo de música que você coloca pra ninguém prestar atenção na música.
Havia uma entrada iluminada, e eles entraram.
(Fim do Prelúdio)
Algumas coisas surpreendem, tal como a bondade gratuita.
Agradeço pelo acesso, espero que esteja gostando das histórias, e,...
,... Fique ligado.
Wednesday, 20 June 2012
A Menina que Ama livros (A#01)
Olá, e Seja bem vindo.
Eu sou Sol Cajueiro e este é o meu Blug.
# A Escola dos Mil Herdeiros
O mundo de Tanahta é um mundo singular. Guerras. Devastação. Tudo o que um mundo antigo passou após ir de uma era mítica de antiguidade para uma era espacial, no mínimo tempo possível de cerca de dois meses, isso torna os Herdeiros as pessoas mais fortes do Império. Há mais. Há mundos que sofreram terrores tão próximos, e as raças ediche se unem a outras raças para confrontar inimigos desconhecidos, terrores noturnos e tecnologias estranhas, que fariam o cérebro de um cientista ferver.
Isso é, agora, tempo atual, Anno 5.204 tka, ediche.
Melhor ler que eu explicar em minúcias. Os detalhes seriam longos demais, e acredito que do fundo da alma deste que lhes fala, a única coisa que faz o meu sangue correr é o amor. Sim, o amor. Não seria nada sem ele, e aliás, o que uma pessoa seria sem amor e carinho?
# Idrias Ink - A Menina que Ama livros
A Região das Ruínas é tão rara quanto especial, e bela.
Aí, uma pequena garota cresceu e viveu, dividindo espaço com pessoas que ela nunca conversou, mas viu, e teve muito mais do que acreditou ter, até que sua vida se modificou para sempre. Seu pai, bem, ele morreu. Não é possível dizer isso de outra forma, mas daí em diante a vida dela é muito longa e beira uma equação infinita, que apenas Artífices entenderiam, mas não explicariam. A pequena Idrias nasceu em 5.191 tka, Data de Akkoya, da Aliança das Três Raças, então ela tem agora dez anos.
Idrias nasceu pequena.
Bem nos primeiros anos, ela aprendeu a ler sozinha nos livros do pai. Ele ficou apaixonado com essa pequena, que lhe surpreendia todos os dias. Aprendeu a escrever aos cinco anos, e lia muito, tanto que seu pai teve de criar uma regra.
"Você só pode começar a ler um livro novo, se coletar um artefato", disse ele.
Fácil, ela nasceu na Região das Ruínas, de Tanahta.
E foi assim que Idrias saiu de casa pela primeira vez. Primeiro, só as ruas laterais, a praça que ficava além das casas era muito longe, e coletar não era uma coisa tão fácil quanto ela imaginava. Seu pai avaliava os artefatos, antes de lhe dizer que pode ler.
Um dia, acordou decidida.
Decidiu ir além das casas que ficavam nas montanhas, e ver o que havia depois. Trilhas. Viu um homem muito sujo e pobre e teve medo dele, mas o homem só sorriu e a deixou passar.
No final do dia, descobriu a água.
Era um bosque, que ficava algum tempo depois da ponte que terminava no ar, e levava de lugar nenhum a coisa alguma, mas era um artefato que não podia erguer, ou levar.
A sede a fez beber a água, e era pura.
Não imaginava o medo que iria sentir quando em pouco tempo, de repente, anoiteceu. Havia fica perdida. Não sabia o que fazer. Sentiu medo, frio e fome. A proximidade do artefato, bem, vamos explicar. Era uma pedra que parecia um jarro estranho, abaulado, e um pouco acima dele as gotas de água iam se formando, nascia ali água pura que você podia mesmo beber, sem se preocupar.
A pequena decidiu beber durante a noite. Assim, a fome que sentia sumiu! Não sabia se era a água, mas era o que parecia.
Havia esquilos noturnos voando naquele bosque.
Idrias voltou para casa quando amanheceu, e seu pai não deu bronca. Ele ficou muito sério, e pediu que lhe contasse tudo, que não esquecesse nada. Ela achou que nunca mais ia poder sair de casa, e esperou pelo castigo. Castigo que nunca aconteceu, e seu pai lhe contou a verdade: "Minha filha, eu vou te contar a verdade",...
Assa Ink fez uma pausa, a pequenina engoliu em seco, mas calma. Seu pai lhe olhou nos olhos, e ela decidiu continuar a olhar nos olhos dele.
-- Eu sou um bruxo -- disse Assa Ink a sua filha, e ela ficou sem palavras -- E você sem dúvida é uma bruxa. Uma que as pessoas vão ter medo, ou admiração e amor.
-- O que? -- ela perguntou por perguntar.
-- Isso mesmo, Idrias. Eu sou um bruxo e você é uma bruxa -- disse seu pai, em tom de revelação, mas muito calmo -- Só uma bruxa encontraria um lugar de poder, lá onde é a água, só porque decidiu ir mais longe para conhecer o que encontraria, a Magia te guiou.
-- E,... ehr,... Como assim, pai?
-- Melhor se eu te mostrar -- e ele tirou um pedaço de pau do casaco, solenemente apontando para a mesa e, ao dizer: "Ergo!", a mesa começou a flutuar em pleno ar.
Seu pai apontou a varinha para a janela, e a janela se fechou.
Depois, ele abriu a janela e pousou a mesa com muito cuidado, no mesmo lugar, apontando o pedaço de pau, e olhou para sua filha esperando pelas palavras dela.
-- Ah,... -- disse ela -- é igual nos livros? Magia?
-- Exatamente -- resumiu ele -- E a partir de hoje eu vou lhe mostrar e ensinar tudo o que você quer aprender, se você aceitar ser estudante, e quando você for mais velha você vai entender tudo, eu prometo.
Os anos foram se passando, e nada.
Idrias nunca manifestou o mínimo de magia. Nada. Nem mesmo as coisas que seu pai falava que eram as mais fáceis e básicas de todas. Mas seu pai lhe ensinou muitas coisas, desde os cinco ou seis anos de idade, quando ela desvendou lá onde é a água e voltou sozinha. Acampamento. A necessidade da água. Que você sobrevive sem comida, mas não sem água. A observar as estrelas, saber o nome das estrelas que dão direção, a saber as constelações. O Esquilo, A Ave dos Ovos de Ouro, O Daktyl. O que são artefatos, o que são quinquilharias. E ela leu muitos livros, romances, histórias e lendas de Tanahta, seu mundo. Histórias e lendas de Herdeiros. Ela queria ser uma Herdeira, mas só se fosse bruxa ela se tornaria uma. Aos poucos, Idrias andou toda a região em que morava, mas seu pai a proibiu de ir nas vilas que tivessem símbolos de metal nas entradas, e de falar com estranhos, e é estranho que estranhos estranhos não paravam pra falar com ela, e sim, eles a viam, a cumprimentavam a distância, e a deixavam em paz.
E então, do nada, dormindo, seu pai morreu.
Seria impossível descrever o seu sofrimento, a pequena Idrias entrou em depressão; e sua mãe, mesmo que também estivesse sofrendo, não conseguia lhe dar lugar, ou uma razão de ser.
Sua mãe lhe contou, então, que também é uma bruxa. "Muito menos poderosa do que o seu pai era, minha filha", disse ela, "mas não menos herdeira". Inicialmente, Idrias não entendeu o que sua mãe quis dizer com isso.
Não até mais tarde, quando a educação faz todo o sentido que a gente não percebia que fazia, e as palavras dos nossos mestres de repente tem um significado mais profundo. Descobrimos que paramos de sofrer por coisas pequenas e temos de enfrentar um mundo perigoso, mais perigoso que o mundo das montanhas, dos andarilhos, e daqueles que, bem, no fundo, não entram em nossa vida por acaso.
Seis meses depois, Idrias desvendou.
O mistério mais profundo e estranho que seu pai, em várias explicações, havia tentado lhe explicar; em um dia que decidiu tentar uma coisa nova, fazer o que havia de mais difícil.
Escolheu um Ritual pra fazer; o mais complexo, e seguiu todas as explicações do livro. O difícil Círculo que tinha de desenhar, certinho. Estava decidida. A oferenda, ouro em pó, que ela raspou de um dos livros de romance mais antigos que tinha, os incensos de Flor da Deusa, tudo nos mínimos detalhes, e sua mãe estava fora, no mercado fazendo compras, enquanto isso.
Assim, Idrias entrou em transe.
Existem coisas que a gente não tem como evitar pensar, quando se está sofrendo; algumas dessas coisas encontram o perdão em si mesmas.
O Ritual dizia que você podia fazer uma pergunta.
E foi o que ela fez.
-- Meu pai ainda está aqui comigo? -- sem palavras mágicas, só a pergunta.
-- "Não" -- foi a resposta.
Aquela não era a resposta que ela queria, então o transe acabou imediatamente. Ficou ali, parada. Sabia que havia conseguido fazer o Ritual, mas,... seu pai não estava com ela pra ver. Não se movou, até sua mãe chegar e ver que ela estava sentada ali, no meio de um Ritual, vendo o olhar perdido da filha.
-- Tulja? -- disse sua mãe -- Você,.....
-- Eu fiz um Ritual -- os olhos de sua mãe brilharam, mas o olhar de tristeza da pequenina era assustador. Sua mãe olhou rapidamente para os símbolos e entendeu.
-- O Ritual de Augúrio,... O que foi? -- sua mãe se sentou, ao lado.
-- Meu pai não está mais comigo. Eu queria tanto que ele visse, eu consegui, eu fiz um Ritual, mas eu perguntei,...
-- O que você perguntou? -- a voz de sua mãe era suave.
-- Perguntei se papai ainda estava aqui comigo, e a resposta foi "Não" -- revela a pequena.
-- Tulja,... -- sua mãe passou a mão em seus cabelos -- Olha, esse é o Ritual de Augúrio, e você, bem, olhe só. Você conseguiu. Agora você vai pra Escola. A mesma escola que eu e seu pai estudamos, e foi onde nos conhecemos, A Escola dos Mil Herdeiros. Você entende agora, filha? Nem eu nem seu pai poderíamos desvendar a Magia por você. Mas magia é uma coisa perigosa, também. Você fez um augúrio, mas não era a resposta que você queria, mas você conseguiu. Era a verdade. E a Verdade às vezes é terrível, mas eu tenho certeza de que o seu pai está em um lugar melhor.
-- O que acontece quando uma pessoa morre? -- foi uma pergunta espontânea. Os olhos da pequena estavam cheios de água, ali, dependurando-se entre as pálpebras.
-- Isso ninguém sabe -- foi a resposta -- Existe um caminho. Depois de morrer, devemos encontrar uma nova missão. Se encontrarmos a missão, nós aceitamos fazer parte do mundo novamente e, então, voltamos, nascemos de novo. Mas, se uma pessoa teve uma vida intensa demais, e mais ainda, se ela foi ruim, ela se torna uma assombração, ou outras coisas, avantesma, aparição, fantasma. E existem também os espíritos que ficam porque o mundo precisa deles, e eles passam a fazer parte da Natureza, das suas vozes, como guardiões, mas nem eles sabem o que pode acontecer exatamente a uma pessoa quando ela morre, mas ainda bem que seu pai não ficou. Eu iria odiar ter de pensar que nunca mais, em nenhuma vida, iria vê-lo de novo.
-- Eu quero ir deitar -- a pequena disse, quase desmaiando.
Sua mãe lhe pegou e levou para a cama, onde ela deitou e ficou.
O Caso da Cabana -- Mês Primeiro, 8.204, Tanahta.
A pequena Idrias ficou ali deitada uma semana inteira. Nem percebera que o tempo passava, se esqueceu dos livros, e só comeu porque sua mãe lhe levou comida na cama todos os dias.
Sua mãe não disse nada, não a censurou, parecia entender a sua dor. Devia entender. Ela é uma bruxa, e mais, mãe.
Ao final de uma semana sua mãe entrou no quarto. Trazia um pequeno vaso com uma florzinha, deixou sobre a janela para pegar sol, e saiu do quarto, parecendo bastante feliz.
A curiosidade foi maior que o sofrimento, e Idrias se levantou. Foi ver a florzinha. Parecia um caktus, e tinha uma florzinha amarela bem pequenina. Ela cutucou o caktus, com muito cuidado. E de repente começou a brotar uma flor, no lado esquerdo, uma florzinha linda, vermelha, de um tom bem vivo.
"O que significa isso?", ela não evitou pensar.
-- Mãaae! -- chamou ela. Sua mãe havia acabado de por a mesa para o almoço. Suco cítrico, ora e patatas, carne desfiada, e o cheiro estava incrível, mas Idrias tinha os olhos da dúvida.
-- Sim, minha filha -- ela se sentou numa cadeira.
-- Mãe, o que é aquela flor? Ela nasceu do nada na hora que eu tava olhando.
-- Aquela,... aquela é uma flor mágica, minha filha. A cor da flor, ela nasce na hora, é a cor do que você está sentindo naquele momento, esse caktus é muito raro.
-- O que quer dizer a cor vermelha?
-- Raiva, ou talvez, dúvida, ou determinação. Seu avô me deu uma antes de morrer, quando eu era pequena, fui aceita na escola e foi então que conheci o seu pai.
-- E o que significam as outras cores?
-- Amarela é amor ou alegria, vermelho é raiva ou determinação, verde ou cinza podem ser esperança, tons azuis depende do dia e da lua, e muito raro é a cor branca, que quer dizer pureza.
-- Qual foi a cor que nasceu quando você conheceu papai?
-- Amarela - sua mãe viu sua expressão de "Sim, tudo bem, agora eu entendi", e sorriu.
-- Tá -- ela respirou fundo -- Eu vou sair.
-- Vamos comer primeiro -- convidou a sua mãe, feliz.
-- Tá, eu quero suco -- disse, cheia de energia.
Depois do almoço, Idrias arrumou a mochila de acampamento, que estava encostada ao lado do armário de sibra, uma madeira bem clarinha e levemente cheirosa, e se lembrou de tudo o que seu pai ensinou. Também colocou um cantil na cintura, e se despediu de sua mãe. Verificou se havia corda, e também comida -- ração de viagem, na verdade.
Andou para o oeste, em meio a trilhas nas montanhas, e evitou as vilas. Passou pela meia ponte, que fica suspensa por não-se-sabe-o-que e olhou as bruxinhas pousadas na pedra. Verificou os cogumelos brancos, um tipo muito comum nessa região, e tinha um cogumelo rei ao lado da pedra pão, com uma coroa que chama a atenção dos insetos para beber as deliciosos pingos da água doce da coroa.
Andou no leito do Rio Seco, e foi para o Bosque da Pedra.
O bosque tem esse nome porque tem a tal pedra, que sempre encontra estudiosos ali pesquisando, pois ela é oca por dentro e brota água da pedra, mas ninguém nunca explicou porque brota água dela. A água é pura. Ela bebeu dessa água no dia que saiu pela primeira vez. A água sacia a sede, a fome e o sono. "Deve ser mágica", essa foi a conclusão dessa vez. Ela sabe que tem de acampar num lugar com água e há um pouco de distância, por causa dos animais que também precisam de água e vão nesses lugares para beber.
Encheu o seu cantil, e montou acampamento. Idrias olha para cima e vê um dáctilo no céu, e sente um arrepio só de pensar em sair do chão, então desvia os olhos rapidamente.
Ergue a barraca há dois metros do chão, amarrada entre duas árvores, e levou só alguns instantes para usar a pederneira para acender o fogo.
Haviam gravetos por todo o chão. Ia anoitecer logo. Consultou o céu e olhou para o por-do-sol, dourado, pra saber onde era o oeste. O sol estava entre três montanhas, e anoitece sem halo ao redor do segundo sol distante, o que quer dizer que não vai fazer frio essa noite, e isso é bom.
Ficou ali, olhando os esquilos noturnos voarem de árvore em árvore.
Sabe que eles vão avisar se qualquer problema estiver por perto, e então, decidiu pegar um livro para ler, pois já fazia uma semana que não lia nada.
Idrias leu mais uma vez o conto chamado O Poço, uma história de uma bruxa linda, que morava nas névoas ao lado de uma Zona Morta, e que sofria com a misteriosa falta de água do poço quando era lua cheia. Um dia, um velho chegou acompanhado de um jovem, ambos vindo do Árido Sem Fim. Ela disse logo que não tinha água. O jovem disse que sabia o que fazer, mas que ele só ia fazer isso porque havia se apaixonado por ela. O velho, que tinha de manter o respirador porque era muito velho, disse que faria o casamento. Ela duvidou, "Nem magia faz essa água brotar", mas o jovem tirou o respirador e ele era muito bonito. Ele foi até o poço, e retirou um giz-de-chão da bolsa lateral com o qual fez uma série de símbolos e então, de repente, havia água no poço. Ela ficou intrigada: "Qual o segredo da sua magia?", e ele então respondeu: "Case-se comigo, e nossa Magia será uma", e eles se casaram naquela mesma noite.
Quando de repente, Idrias acorda, e é agora meio da noite.
Ela dormiu. Ela ergue os olhos, tensa, sabe que não deve dormir assim, no chão. Por sorte nada aconteceu. Ela guarda o livro e atiça a fogueira, e então apura os ouvidos para a noite negra, para perceber que foram sininhos que a fizeram acordar, eram sinos de urso -- você deve balançar sininhos para os ursos, porque um urso não te ataca se ele souber que você está chegando, "Mas são vários sininhos, então sem dúvida não é um urso", pensa ela, pois há cuidadores que põe sininhos no pescoço dos ursos -- sem dúvida, não era o caso. Olha para a barraca, ali no meio das duas árvores, e vê um estranho se aproximando.
Parece um fantasma, era um peregrino, um viajante das ruínas.
-- Hhóo -- saúda ele, mas a menina não diz nada. O velho, muito velho, e com uma barba que lhe vai até a cintura, para e fica olhando.
A menina está ao alcance da fogueira, então o velho pode vê-la e ela sabe disso. Depois de alguns momentos tensos, o velho decide dar a volta e ir andando meio longe dela, vai até a Pedra e bebe até saciar a sua sede e fome.
Olha para a menina, de lá, enche seus cantis e vai embora.
Idrias fica ali alguns momentos e se decide. Não quer dar a chance ao azar. Seu pai disse para não falar com estranhos, e tomar cuidado com as vilas. Ela não vai ficar ali. Se esse velho passou por ali, isso pode querer dizer que outros viajantes estão passando por ali também.
Em pouco tempo, ela desmontou o acampamento, e encheu de terra a fogueira. Decide ir para o outro lado, contrário ao que o velho ia.
Após uma pequena caminhada, a pequena viu uma vila e desviou para a montanha, onde passou por uma casa que tinha uma placa "Cão dócil. Dono nervoso", e riu. O cachorro latiu, e os esquilos voaram nas árvores. Ela murmurou para o cachorro "Shhh,...", e seguiu viagem.
Ao passar pela segunda montanha, foi até onde nunca havia ido.
De repente, estava pisando sobre chão duro. Era o que parecia ser uma pedreira. Tinha uma placa velha, que não se podia mais ler. Que pena, ler a placa iria ajudar muito,...
Idrias avança -- ela usa uma lanterna autocarregável, que você só precisa bombear e recarrega a bateria, e então, ela encontrou um barracão.
Abandonado.
-- Tem alguém aí? -- pergunta sua voz muito jovem. Depois de não encontrar eco, ela abre sem esforço uma porta sem tranca, e ve um barracão vazio, onde decide passar o resto da noite.
Ela se lembra que há dois meses chegou aos dois dígitos, e isso foi o seu primeiro aniversário sem seu pai,... que hora pra lembrar de seu pai,... ela suspira, e sente o cheiro de poeira.
A cabana, de um cômodo só, tem um banheiro que foi cimentado, e o chão fica acima do solo algumas medidas pequenas. Isso é bom, não vai ter ratos nem grassos. O chão range, quando ela anda. Nada demais. Isso não vai chamar a atenção de ninguém passando por ali.
As janelas estão pregadas, por ripas e muitos pregos. De repente, a porta se fecha e ela se assusta.
-- Quem está aí? -- sua voz é firme, ignorando a sua idade. Assim, o vento começa a soprar entre as gretas, fazendo "Uuuhh-uuuuuuuuh,...", e ela sente que tem um problema, agora.
-- Quem está aí? Apareça -- ordena ela.
Nenhuma resposta, só o vento como se tentasse falar coisas sobre a noite e as sombras.
Afasta o medo bobo das sombras, sua preocupação são pessoas. Se alguém estiver ali, ela sem dúvida vai ter problemas sérios. Mas então, ela se lembra que é uma bruxa, e ergue as sobrancelhas.
-- Eu sei que você está aí. Apareça -- e nada. Tentando se concentrar naquela sensação estranha do Ritual, o único que ela conhece, ela concentra todas as suas forças e sente um arrepio.
-- Meu nome é Idrias Tuule Ink, e eu ordeno que apareça -- e sente uma energia em volta de si mesma, lhe envolvendo de forma macia, estranha, quente. A energia sai dela, e aos poucos envolve todo o barracão.
Assim, ela ve, no canto ao lado do banheiro cimentado, é cinzento, um borrão muito definido, uma imagem como seria a imagem do avatar de um computador, em preto e branco quase, com os olhos cheios de medo, não, de raiva, bem, fica mudando de raiva para medo, e o vento faz "Uuuuuuuuuuuuhh" quando ele abre a boca. Ela olha bem nos olhos do homem, sem certeza alguma do que devia fazer.
-- Quem é você?
-- Você,... (diz uma voz distante, como alguém gritando pelas montanhas afora), você pode me ver?..
-- Me responda. Quem é você? -- ela demanda.
-- NINGUÉM,... ninguém pode me ver,... como é que você me vê?
-- Eu sou uma bruxa -- ela não tinha certeza disso, mas achou que ele poderia ter medo de enfrentar ela, pro caso de ela saber alguma magia.
O-que-quer-que-seja esse homem, ele ficou calado. Depois de alguns segundos, ela ligou a lanterna e foi estudar o lugar. Havia um monte de lixo no canto. Vários pequenos pedacinhos de madeira, velha. Havia uns papéis, com o símbolo da polícia, um pedaço de corda.
-- Como é que você pode me ver? -- sussurrava em berros muito distantes o homem -- Isso não pode acontecer, isso nunca aconteceu,...
A menina olhou para cima, um pouco assustada.
O teto estava balançando com os berros distantes do o-que-quer-que-seja esse homem, e começou a ranger, ela ficou com dó dele. Parou. Ela parou, olhando pra ele, enquanto pensa. O homem está vestido com roupas pobres, era cinzento, quase prateado, tinha um vergão sombrio no pescoço, e então, viu a corda. Pensando muito rápido, a pequena olhou para o lixo e remexeu ele, procurando.
Sim, sabia! Era a mesma corda.
-- Você está preso aqui, não está? -- perguntou ela.
-- SAAAIA! Largue isso! Vamos, por favor, largue isso, ou eu...
-- É isso aqui,... (ela pergunta, em dúvida), não é? A corda, ela tá te mantendo preso. Esse lugar tá abandonado, há quanto tempo você tá aqui?
-- NÃAAO! -- a voz dele é como um grito de uma montanha para a outra -- Eu vou derrubar esse lugaaaar,...
Idrias teve então uma ideia, meio estranha. Sabia que o homem só tinha aparecido porque ela concentrou aquela energia, e então, ela segurou a corda, e concentrou toda a sua vontade nela.
As frestas voltaram a fazer vento "U-Uuuuuuuuuuhhhhh",...
De repente, ela sentiu estar num tipo de transe, mesmo sem estar fazendo um Ritual, e viu que tudo estava ficando com aquela cor cinza, prateada, uma mistura de luzes e sombras por todo o lugar. Voltou toda a sua atenção para a corda, e decidiu destruí-la.
Assim, sentiu que a corda estava se desfazendo. A Corda, na verdade um laço que ela não conseguia desfazer, foi virando pó e em alguns momentos era um montinho de poeira no chão.
-- O QUÊE VOC,... espera,... -- o homem percebe a corda em seu pescoço.
A estranha corda estava desaparecendo.
Idrias olha no montinho de lixo, e tem também uma outra corda, que ela pega e faz a mesma coisa que ela fez com a outra corda, e olha para o homem cinzento. Ele ve que o laço que amarra seus pulsos desaparece, e então, a pequena nunca imaginou isso, ele sorri.
Sorri, um sorriso de espanto e admiração. Aos poucos uma luz, vinda de ninguém sabe onde, envolve ele, e ele começa a desaparecer.
-- Não! -- ela grita -- Não vai embora! Não! Eu quero conversar com você.
Não adiantou, e o homem foi envolto numa luz que não vinha de lugar algum, e em alguns momentos ele havia desaparecido, e o sorriso dele era um sorriso de felicidade.
Do nada, toda a luz, o transe, e o uivo do vento desapareceram. Idrias ouviu um passarinho cantando, anunciando o amanhecer que chega, mais uma vez, para comprovar que a natureza é a mais poderosa das verdades.
# Os Visitantes
A pequena Idrias viu a luz desse amanhecer entrando pela fresta da porta, e decidiu sair e voltar para casa, e se sentia, meio que, não conseguiria explicar -- triste e feliz, ao mesmo tempo.
Ela fez o caminho de volta, e chegou em casa para o almoço.
Ao entrar em casa, ela chama.
-- Mãaaae! -- e sua mãe vem da cozinha, com a tijela de ora saindo cheiro de comida quentinha. Idrias não queria comer, afinal, queria era contar o que aconteceu.
Sua mãe ouviu tudo com muita calma.
-- Você entende o que aconteceu, Tuule?
-- Não, mãe -- ela tinha um olhar de não faço a menor ideia -- Eu queria conversar com ele, eu só tentei ajudar, e depois ele sumiu. Ah, sim! Na hora que eu saí da cabana, vi que uma vaca branca cheirava o chão do lugar, e daí, ela foi e entrou na pedreira, ah, e um esquilinho também.
-- Você viu um espírito, minha filha -- disse sua mãe, e ela se lembrou de seu pai -- Você ajudou ele a se libertar, não sei como você conseguiu, mas foi exatamente isso que você fez.
-- Mas ele foi embora? Porquê?
-- Ele foi para onde os espíritos livres vão, ninguém sabe com toda certeza onde é, mas existem lugares,... você vai estudar todos na Escola, onde você vai aprender tudo sobre essas coisas.
Idrias fica de boca aberta, e não consegue evitar de pensar. Ela conseguiria falar com o seu pai, um dia? Mas então, o cansaço aconteceu.
-- Você acha que eles vão me deixar ir pra escola, mãe?
-- Tenho a certeza mais absoluta disso, Tuule -- ela sorria um sorriso tranquilo.
-- Eu quero ir deitar,...
-- Não vai comer nada? Tem ora. E você estava acampando, e não...
-- Tá, ração não é igual comida. Eu quero, mas to cansada -- disse a pequena.
-- Vai indo se deitar que eu levo pra você comer. Vai.
-- Hmmmh,...
Idrias Tuule Ink se levantou, e foi tonta para o quarto, se arrumou e deitou. Mas se levantou, e foi ver a florzinha. Nasceu de repente, uma flor bem pequenininha, amarela. Feliz, deitou-se. Comeu uma tijela pequena de ora, carne de panela, mitras ao molho branco, e patatas, e então adormeceu profundamente.
De repente, depois de dormir muito, a campainha toca sem parar. "Eu não vou atender. Estou dormindo", pensou. A campainha toca pela décima vez, e então ela ouve um chamado, uma voz de homem.
-- Senhorita Idrias Tuule Ink! Eu tenho uma entrega para você! -- disse um homem.
Ela se levantou imediatamente.
-- Livros! -- diz sem pensar, e sai correndo.
Desce correndo a escada de madeira, onde na lateral há os guarda-volumes, tudo cheio de livros, agendas e cadernos de anotações, e brinquedos que seu pai inventava. Na hora que passou pela sala, não conseguiu evitar de olhar para a mesa. Havia um bilhete.
-- Tô iiindo! -- grita para a porta, anciosa.
"Tuule querida, fui ao mercado da vila. Me espere para o almoço", era o bilhete.
Correu e abriu a porta, mas então, parou desconfiada.
-- Você é Tuule? -- pergunta um homem usando calças comuns, jaqueta e capa por cima. "Ninguém me chama de Tuule",... pensou. Ela ficou um segundo avaliando eles, havia um outro montado em um tuleque, segurando o outro animal.
-- Sim, sou eu. Quem é você?
-- Eu sou um Oficial de Educação, e tenho uma surpresa para você. Acho isso tão impressionante. Não é, Hal? -- o outro homem sorri -- Mas eu acho que você vai ter de abrir para ler.
Entregou a ela um envelope pardo, lacrado com cêra vermelha. Ela parou, mas abriu desconfiada, saiu uma energia transparente do lacre, e pousou em sua mão um pingente dourado -- sim, era de ouro. Um círculo com uma gota no meio,... mas a gota não era presa ao círculo por nada, parecia uma coisa realmente mágica. Havia um bilhete pequeno, num outro envelopezinho branco, dentro do envelope maior.
"Senhorita Idrias Tuule Ink. Você foi aceita na importante e antiga escola -- A Escola dos Mil Herdeiros, para receber, se assim aceitar as Leis de nossa sociedade, educação de especiais. A Escola é privada. Você irá estudar Magia, Manifestação e Poder, além de matérias essenciais para sua condição, e deve se apresentar dia 21 do Mês Primeiro.
Segue uma lista de materiais e livros que você deve levar, e todo o resto é fornecido pela Escola, em razão das suas aptidões especiais".
(Havia uma assinatura no final).
-- Livros! -- e pegou a segunda folha -- Como minha mãe sabia? -- ela estava assombrada -- Onde está a minha mãe?
-- Hehe,... -- riu o homem -- Sua mãe não está em casa? Não se preocupe, ela vai voltar pra comemorar com você. As aulas começam daqui a uma semana. Você vai fazer a Travessia das Montanhas, que só se abrem para os verdadeiros herdeiros.
O homem, obviamente um Herdeiro, de pele clara e cabelos negros, tocou o peito na altura do coração, depois ergueu o chapéu marrom, dizendo "Parabéns", e se virou, o outro homem ergueu o chapéu preto, e eles falaram com os tuleques deles "Vamos", segurando as rédeas, para ir embora.
Idrias ficou ali intrigada, com aquele olhar perdido. Voltou para dentro de casa, ainda inquieta, e se sentou na primeira cadeira para tentar entender o que era aquele pingente.
"Como a minha mãe sabia? Como, se a carta só chegou hoje?", duvidou com ela mesma. Não conseguiu fazer nada até sua mãe voltar. "Bom, tenho meu Pingente. Estou na Escola. Eu sou estudante", aceita ela.
-- Mãe! -- ela ficou em pé, na hora que a porta se abriu.
-- Oi, querida -- e olhou para o envelope pardo sem nada escrito e o lacre aberto.
-- Mãe, como você sabia se o Pingente só chegou hoje? -- Sua mãe deixa as sacolas costumeiras no chão e sorri abrindo os braços.
-- Magia, querida -- abraça sua pequena -- Magia.
(Fim do Prelúdio)
O que espera pela Menina que Ama livros, você vai ler ao longo de várias histórias. Bom, está claro que ela sabe mais do que acha que sabe, mas vamos aos poucos porque as histórias tem muitos detalhes e todos são necessários.
Espero que esteja gostando das histórias do Blug, e,...
Fique Ligado.
Eu sou Sol Cajueiro e este é o meu Blug.
# A Escola dos Mil Herdeiros
O mundo de Tanahta é um mundo singular. Guerras. Devastação. Tudo o que um mundo antigo passou após ir de uma era mítica de antiguidade para uma era espacial, no mínimo tempo possível de cerca de dois meses, isso torna os Herdeiros as pessoas mais fortes do Império. Há mais. Há mundos que sofreram terrores tão próximos, e as raças ediche se unem a outras raças para confrontar inimigos desconhecidos, terrores noturnos e tecnologias estranhas, que fariam o cérebro de um cientista ferver.
Isso é, agora, tempo atual, Anno 5.204 tka, ediche.
Melhor ler que eu explicar em minúcias. Os detalhes seriam longos demais, e acredito que do fundo da alma deste que lhes fala, a única coisa que faz o meu sangue correr é o amor. Sim, o amor. Não seria nada sem ele, e aliás, o que uma pessoa seria sem amor e carinho?
# Idrias Ink - A Menina que Ama livros
A Região das Ruínas é tão rara quanto especial, e bela.
Aí, uma pequena garota cresceu e viveu, dividindo espaço com pessoas que ela nunca conversou, mas viu, e teve muito mais do que acreditou ter, até que sua vida se modificou para sempre. Seu pai, bem, ele morreu. Não é possível dizer isso de outra forma, mas daí em diante a vida dela é muito longa e beira uma equação infinita, que apenas Artífices entenderiam, mas não explicariam. A pequena Idrias nasceu em 5.191 tka, Data de Akkoya, da Aliança das Três Raças, então ela tem agora dez anos.
Idrias nasceu pequena.
Bem nos primeiros anos, ela aprendeu a ler sozinha nos livros do pai. Ele ficou apaixonado com essa pequena, que lhe surpreendia todos os dias. Aprendeu a escrever aos cinco anos, e lia muito, tanto que seu pai teve de criar uma regra.
"Você só pode começar a ler um livro novo, se coletar um artefato", disse ele.
Fácil, ela nasceu na Região das Ruínas, de Tanahta.
E foi assim que Idrias saiu de casa pela primeira vez. Primeiro, só as ruas laterais, a praça que ficava além das casas era muito longe, e coletar não era uma coisa tão fácil quanto ela imaginava. Seu pai avaliava os artefatos, antes de lhe dizer que pode ler.
Um dia, acordou decidida.
Decidiu ir além das casas que ficavam nas montanhas, e ver o que havia depois. Trilhas. Viu um homem muito sujo e pobre e teve medo dele, mas o homem só sorriu e a deixou passar.
No final do dia, descobriu a água.
Era um bosque, que ficava algum tempo depois da ponte que terminava no ar, e levava de lugar nenhum a coisa alguma, mas era um artefato que não podia erguer, ou levar.
A sede a fez beber a água, e era pura.
Não imaginava o medo que iria sentir quando em pouco tempo, de repente, anoiteceu. Havia fica perdida. Não sabia o que fazer. Sentiu medo, frio e fome. A proximidade do artefato, bem, vamos explicar. Era uma pedra que parecia um jarro estranho, abaulado, e um pouco acima dele as gotas de água iam se formando, nascia ali água pura que você podia mesmo beber, sem se preocupar.
A pequena decidiu beber durante a noite. Assim, a fome que sentia sumiu! Não sabia se era a água, mas era o que parecia.
Havia esquilos noturnos voando naquele bosque.
Idrias voltou para casa quando amanheceu, e seu pai não deu bronca. Ele ficou muito sério, e pediu que lhe contasse tudo, que não esquecesse nada. Ela achou que nunca mais ia poder sair de casa, e esperou pelo castigo. Castigo que nunca aconteceu, e seu pai lhe contou a verdade: "Minha filha, eu vou te contar a verdade",...
Assa Ink fez uma pausa, a pequenina engoliu em seco, mas calma. Seu pai lhe olhou nos olhos, e ela decidiu continuar a olhar nos olhos dele.
-- Eu sou um bruxo -- disse Assa Ink a sua filha, e ela ficou sem palavras -- E você sem dúvida é uma bruxa. Uma que as pessoas vão ter medo, ou admiração e amor.
-- O que? -- ela perguntou por perguntar.
-- Isso mesmo, Idrias. Eu sou um bruxo e você é uma bruxa -- disse seu pai, em tom de revelação, mas muito calmo -- Só uma bruxa encontraria um lugar de poder, lá onde é a água, só porque decidiu ir mais longe para conhecer o que encontraria, a Magia te guiou.
-- E,... ehr,... Como assim, pai?
-- Melhor se eu te mostrar -- e ele tirou um pedaço de pau do casaco, solenemente apontando para a mesa e, ao dizer: "Ergo!", a mesa começou a flutuar em pleno ar.
Seu pai apontou a varinha para a janela, e a janela se fechou.
Depois, ele abriu a janela e pousou a mesa com muito cuidado, no mesmo lugar, apontando o pedaço de pau, e olhou para sua filha esperando pelas palavras dela.
-- Ah,... -- disse ela -- é igual nos livros? Magia?
-- Exatamente -- resumiu ele -- E a partir de hoje eu vou lhe mostrar e ensinar tudo o que você quer aprender, se você aceitar ser estudante, e quando você for mais velha você vai entender tudo, eu prometo.
Os anos foram se passando, e nada.
Idrias nunca manifestou o mínimo de magia. Nada. Nem mesmo as coisas que seu pai falava que eram as mais fáceis e básicas de todas. Mas seu pai lhe ensinou muitas coisas, desde os cinco ou seis anos de idade, quando ela desvendou lá onde é a água e voltou sozinha. Acampamento. A necessidade da água. Que você sobrevive sem comida, mas não sem água. A observar as estrelas, saber o nome das estrelas que dão direção, a saber as constelações. O Esquilo, A Ave dos Ovos de Ouro, O Daktyl. O que são artefatos, o que são quinquilharias. E ela leu muitos livros, romances, histórias e lendas de Tanahta, seu mundo. Histórias e lendas de Herdeiros. Ela queria ser uma Herdeira, mas só se fosse bruxa ela se tornaria uma. Aos poucos, Idrias andou toda a região em que morava, mas seu pai a proibiu de ir nas vilas que tivessem símbolos de metal nas entradas, e de falar com estranhos, e é estranho que estranhos estranhos não paravam pra falar com ela, e sim, eles a viam, a cumprimentavam a distância, e a deixavam em paz.
E então, do nada, dormindo, seu pai morreu.
Seria impossível descrever o seu sofrimento, a pequena Idrias entrou em depressão; e sua mãe, mesmo que também estivesse sofrendo, não conseguia lhe dar lugar, ou uma razão de ser.
Sua mãe lhe contou, então, que também é uma bruxa. "Muito menos poderosa do que o seu pai era, minha filha", disse ela, "mas não menos herdeira". Inicialmente, Idrias não entendeu o que sua mãe quis dizer com isso.
Não até mais tarde, quando a educação faz todo o sentido que a gente não percebia que fazia, e as palavras dos nossos mestres de repente tem um significado mais profundo. Descobrimos que paramos de sofrer por coisas pequenas e temos de enfrentar um mundo perigoso, mais perigoso que o mundo das montanhas, dos andarilhos, e daqueles que, bem, no fundo, não entram em nossa vida por acaso.
Seis meses depois, Idrias desvendou.
O mistério mais profundo e estranho que seu pai, em várias explicações, havia tentado lhe explicar; em um dia que decidiu tentar uma coisa nova, fazer o que havia de mais difícil.
Escolheu um Ritual pra fazer; o mais complexo, e seguiu todas as explicações do livro. O difícil Círculo que tinha de desenhar, certinho. Estava decidida. A oferenda, ouro em pó, que ela raspou de um dos livros de romance mais antigos que tinha, os incensos de Flor da Deusa, tudo nos mínimos detalhes, e sua mãe estava fora, no mercado fazendo compras, enquanto isso.
Assim, Idrias entrou em transe.
Existem coisas que a gente não tem como evitar pensar, quando se está sofrendo; algumas dessas coisas encontram o perdão em si mesmas.
O Ritual dizia que você podia fazer uma pergunta.
E foi o que ela fez.
-- Meu pai ainda está aqui comigo? -- sem palavras mágicas, só a pergunta.
-- "Não" -- foi a resposta.
Aquela não era a resposta que ela queria, então o transe acabou imediatamente. Ficou ali, parada. Sabia que havia conseguido fazer o Ritual, mas,... seu pai não estava com ela pra ver. Não se movou, até sua mãe chegar e ver que ela estava sentada ali, no meio de um Ritual, vendo o olhar perdido da filha.
-- Tulja? -- disse sua mãe -- Você,.....
-- Eu fiz um Ritual -- os olhos de sua mãe brilharam, mas o olhar de tristeza da pequenina era assustador. Sua mãe olhou rapidamente para os símbolos e entendeu.
-- O Ritual de Augúrio,... O que foi? -- sua mãe se sentou, ao lado.
-- Meu pai não está mais comigo. Eu queria tanto que ele visse, eu consegui, eu fiz um Ritual, mas eu perguntei,...
-- O que você perguntou? -- a voz de sua mãe era suave.
-- Perguntei se papai ainda estava aqui comigo, e a resposta foi "Não" -- revela a pequena.
-- Tulja,... -- sua mãe passou a mão em seus cabelos -- Olha, esse é o Ritual de Augúrio, e você, bem, olhe só. Você conseguiu. Agora você vai pra Escola. A mesma escola que eu e seu pai estudamos, e foi onde nos conhecemos, A Escola dos Mil Herdeiros. Você entende agora, filha? Nem eu nem seu pai poderíamos desvendar a Magia por você. Mas magia é uma coisa perigosa, também. Você fez um augúrio, mas não era a resposta que você queria, mas você conseguiu. Era a verdade. E a Verdade às vezes é terrível, mas eu tenho certeza de que o seu pai está em um lugar melhor.
-- O que acontece quando uma pessoa morre? -- foi uma pergunta espontânea. Os olhos da pequena estavam cheios de água, ali, dependurando-se entre as pálpebras.
-- Isso ninguém sabe -- foi a resposta -- Existe um caminho. Depois de morrer, devemos encontrar uma nova missão. Se encontrarmos a missão, nós aceitamos fazer parte do mundo novamente e, então, voltamos, nascemos de novo. Mas, se uma pessoa teve uma vida intensa demais, e mais ainda, se ela foi ruim, ela se torna uma assombração, ou outras coisas, avantesma, aparição, fantasma. E existem também os espíritos que ficam porque o mundo precisa deles, e eles passam a fazer parte da Natureza, das suas vozes, como guardiões, mas nem eles sabem o que pode acontecer exatamente a uma pessoa quando ela morre, mas ainda bem que seu pai não ficou. Eu iria odiar ter de pensar que nunca mais, em nenhuma vida, iria vê-lo de novo.
-- Eu quero ir deitar -- a pequena disse, quase desmaiando.
Sua mãe lhe pegou e levou para a cama, onde ela deitou e ficou.
O Caso da Cabana -- Mês Primeiro, 8.204, Tanahta.
A pequena Idrias ficou ali deitada uma semana inteira. Nem percebera que o tempo passava, se esqueceu dos livros, e só comeu porque sua mãe lhe levou comida na cama todos os dias.
Sua mãe não disse nada, não a censurou, parecia entender a sua dor. Devia entender. Ela é uma bruxa, e mais, mãe.
Ao final de uma semana sua mãe entrou no quarto. Trazia um pequeno vaso com uma florzinha, deixou sobre a janela para pegar sol, e saiu do quarto, parecendo bastante feliz.
A curiosidade foi maior que o sofrimento, e Idrias se levantou. Foi ver a florzinha. Parecia um caktus, e tinha uma florzinha amarela bem pequenina. Ela cutucou o caktus, com muito cuidado. E de repente começou a brotar uma flor, no lado esquerdo, uma florzinha linda, vermelha, de um tom bem vivo.
"O que significa isso?", ela não evitou pensar.
-- Mãaae! -- chamou ela. Sua mãe havia acabado de por a mesa para o almoço. Suco cítrico, ora e patatas, carne desfiada, e o cheiro estava incrível, mas Idrias tinha os olhos da dúvida.
-- Sim, minha filha -- ela se sentou numa cadeira.
-- Mãe, o que é aquela flor? Ela nasceu do nada na hora que eu tava olhando.
-- Aquela,... aquela é uma flor mágica, minha filha. A cor da flor, ela nasce na hora, é a cor do que você está sentindo naquele momento, esse caktus é muito raro.
-- O que quer dizer a cor vermelha?
-- Raiva, ou talvez, dúvida, ou determinação. Seu avô me deu uma antes de morrer, quando eu era pequena, fui aceita na escola e foi então que conheci o seu pai.
-- E o que significam as outras cores?
-- Amarela é amor ou alegria, vermelho é raiva ou determinação, verde ou cinza podem ser esperança, tons azuis depende do dia e da lua, e muito raro é a cor branca, que quer dizer pureza.
-- Qual foi a cor que nasceu quando você conheceu papai?
-- Amarela - sua mãe viu sua expressão de "Sim, tudo bem, agora eu entendi", e sorriu.
-- Tá -- ela respirou fundo -- Eu vou sair.
-- Vamos comer primeiro -- convidou a sua mãe, feliz.
-- Tá, eu quero suco -- disse, cheia de energia.
Depois do almoço, Idrias arrumou a mochila de acampamento, que estava encostada ao lado do armário de sibra, uma madeira bem clarinha e levemente cheirosa, e se lembrou de tudo o que seu pai ensinou. Também colocou um cantil na cintura, e se despediu de sua mãe. Verificou se havia corda, e também comida -- ração de viagem, na verdade.
Andou para o oeste, em meio a trilhas nas montanhas, e evitou as vilas. Passou pela meia ponte, que fica suspensa por não-se-sabe-o-que e olhou as bruxinhas pousadas na pedra. Verificou os cogumelos brancos, um tipo muito comum nessa região, e tinha um cogumelo rei ao lado da pedra pão, com uma coroa que chama a atenção dos insetos para beber as deliciosos pingos da água doce da coroa.
Andou no leito do Rio Seco, e foi para o Bosque da Pedra.
O bosque tem esse nome porque tem a tal pedra, que sempre encontra estudiosos ali pesquisando, pois ela é oca por dentro e brota água da pedra, mas ninguém nunca explicou porque brota água dela. A água é pura. Ela bebeu dessa água no dia que saiu pela primeira vez. A água sacia a sede, a fome e o sono. "Deve ser mágica", essa foi a conclusão dessa vez. Ela sabe que tem de acampar num lugar com água e há um pouco de distância, por causa dos animais que também precisam de água e vão nesses lugares para beber.
Encheu o seu cantil, e montou acampamento. Idrias olha para cima e vê um dáctilo no céu, e sente um arrepio só de pensar em sair do chão, então desvia os olhos rapidamente.
Ergue a barraca há dois metros do chão, amarrada entre duas árvores, e levou só alguns instantes para usar a pederneira para acender o fogo.
Haviam gravetos por todo o chão. Ia anoitecer logo. Consultou o céu e olhou para o por-do-sol, dourado, pra saber onde era o oeste. O sol estava entre três montanhas, e anoitece sem halo ao redor do segundo sol distante, o que quer dizer que não vai fazer frio essa noite, e isso é bom.
Ficou ali, olhando os esquilos noturnos voarem de árvore em árvore.
Sabe que eles vão avisar se qualquer problema estiver por perto, e então, decidiu pegar um livro para ler, pois já fazia uma semana que não lia nada.
Idrias leu mais uma vez o conto chamado O Poço, uma história de uma bruxa linda, que morava nas névoas ao lado de uma Zona Morta, e que sofria com a misteriosa falta de água do poço quando era lua cheia. Um dia, um velho chegou acompanhado de um jovem, ambos vindo do Árido Sem Fim. Ela disse logo que não tinha água. O jovem disse que sabia o que fazer, mas que ele só ia fazer isso porque havia se apaixonado por ela. O velho, que tinha de manter o respirador porque era muito velho, disse que faria o casamento. Ela duvidou, "Nem magia faz essa água brotar", mas o jovem tirou o respirador e ele era muito bonito. Ele foi até o poço, e retirou um giz-de-chão da bolsa lateral com o qual fez uma série de símbolos e então, de repente, havia água no poço. Ela ficou intrigada: "Qual o segredo da sua magia?", e ele então respondeu: "Case-se comigo, e nossa Magia será uma", e eles se casaram naquela mesma noite.
Quando de repente, Idrias acorda, e é agora meio da noite.
Ela dormiu. Ela ergue os olhos, tensa, sabe que não deve dormir assim, no chão. Por sorte nada aconteceu. Ela guarda o livro e atiça a fogueira, e então apura os ouvidos para a noite negra, para perceber que foram sininhos que a fizeram acordar, eram sinos de urso -- você deve balançar sininhos para os ursos, porque um urso não te ataca se ele souber que você está chegando, "Mas são vários sininhos, então sem dúvida não é um urso", pensa ela, pois há cuidadores que põe sininhos no pescoço dos ursos -- sem dúvida, não era o caso. Olha para a barraca, ali no meio das duas árvores, e vê um estranho se aproximando.
Parece um fantasma, era um peregrino, um viajante das ruínas.
-- Hhóo -- saúda ele, mas a menina não diz nada. O velho, muito velho, e com uma barba que lhe vai até a cintura, para e fica olhando.
A menina está ao alcance da fogueira, então o velho pode vê-la e ela sabe disso. Depois de alguns momentos tensos, o velho decide dar a volta e ir andando meio longe dela, vai até a Pedra e bebe até saciar a sua sede e fome.
Olha para a menina, de lá, enche seus cantis e vai embora.
Idrias fica ali alguns momentos e se decide. Não quer dar a chance ao azar. Seu pai disse para não falar com estranhos, e tomar cuidado com as vilas. Ela não vai ficar ali. Se esse velho passou por ali, isso pode querer dizer que outros viajantes estão passando por ali também.
Em pouco tempo, ela desmontou o acampamento, e encheu de terra a fogueira. Decide ir para o outro lado, contrário ao que o velho ia.
Após uma pequena caminhada, a pequena viu uma vila e desviou para a montanha, onde passou por uma casa que tinha uma placa "Cão dócil. Dono nervoso", e riu. O cachorro latiu, e os esquilos voaram nas árvores. Ela murmurou para o cachorro "Shhh,...", e seguiu viagem.
Ao passar pela segunda montanha, foi até onde nunca havia ido.
De repente, estava pisando sobre chão duro. Era o que parecia ser uma pedreira. Tinha uma placa velha, que não se podia mais ler. Que pena, ler a placa iria ajudar muito,...
Idrias avança -- ela usa uma lanterna autocarregável, que você só precisa bombear e recarrega a bateria, e então, ela encontrou um barracão.
Abandonado.
-- Tem alguém aí? -- pergunta sua voz muito jovem. Depois de não encontrar eco, ela abre sem esforço uma porta sem tranca, e ve um barracão vazio, onde decide passar o resto da noite.
Ela se lembra que há dois meses chegou aos dois dígitos, e isso foi o seu primeiro aniversário sem seu pai,... que hora pra lembrar de seu pai,... ela suspira, e sente o cheiro de poeira.
A cabana, de um cômodo só, tem um banheiro que foi cimentado, e o chão fica acima do solo algumas medidas pequenas. Isso é bom, não vai ter ratos nem grassos. O chão range, quando ela anda. Nada demais. Isso não vai chamar a atenção de ninguém passando por ali.
As janelas estão pregadas, por ripas e muitos pregos. De repente, a porta se fecha e ela se assusta.
-- Quem está aí? -- sua voz é firme, ignorando a sua idade. Assim, o vento começa a soprar entre as gretas, fazendo "Uuuhh-uuuuuuuuh,...", e ela sente que tem um problema, agora.
-- Quem está aí? Apareça -- ordena ela.
Nenhuma resposta, só o vento como se tentasse falar coisas sobre a noite e as sombras.
Afasta o medo bobo das sombras, sua preocupação são pessoas. Se alguém estiver ali, ela sem dúvida vai ter problemas sérios. Mas então, ela se lembra que é uma bruxa, e ergue as sobrancelhas.
-- Eu sei que você está aí. Apareça -- e nada. Tentando se concentrar naquela sensação estranha do Ritual, o único que ela conhece, ela concentra todas as suas forças e sente um arrepio.
-- Meu nome é Idrias Tuule Ink, e eu ordeno que apareça -- e sente uma energia em volta de si mesma, lhe envolvendo de forma macia, estranha, quente. A energia sai dela, e aos poucos envolve todo o barracão.
Assim, ela ve, no canto ao lado do banheiro cimentado, é cinzento, um borrão muito definido, uma imagem como seria a imagem do avatar de um computador, em preto e branco quase, com os olhos cheios de medo, não, de raiva, bem, fica mudando de raiva para medo, e o vento faz "Uuuuuuuuuuuuhh" quando ele abre a boca. Ela olha bem nos olhos do homem, sem certeza alguma do que devia fazer.
-- Quem é você?
-- Você,... (diz uma voz distante, como alguém gritando pelas montanhas afora), você pode me ver?..
-- Me responda. Quem é você? -- ela demanda.
-- NINGUÉM,... ninguém pode me ver,... como é que você me vê?
-- Eu sou uma bruxa -- ela não tinha certeza disso, mas achou que ele poderia ter medo de enfrentar ela, pro caso de ela saber alguma magia.
O-que-quer-que-seja esse homem, ele ficou calado. Depois de alguns segundos, ela ligou a lanterna e foi estudar o lugar. Havia um monte de lixo no canto. Vários pequenos pedacinhos de madeira, velha. Havia uns papéis, com o símbolo da polícia, um pedaço de corda.
-- Como é que você pode me ver? -- sussurrava em berros muito distantes o homem -- Isso não pode acontecer, isso nunca aconteceu,...
A menina olhou para cima, um pouco assustada.
O teto estava balançando com os berros distantes do o-que-quer-que-seja esse homem, e começou a ranger, ela ficou com dó dele. Parou. Ela parou, olhando pra ele, enquanto pensa. O homem está vestido com roupas pobres, era cinzento, quase prateado, tinha um vergão sombrio no pescoço, e então, viu a corda. Pensando muito rápido, a pequena olhou para o lixo e remexeu ele, procurando.
Sim, sabia! Era a mesma corda.
-- Você está preso aqui, não está? -- perguntou ela.
-- SAAAIA! Largue isso! Vamos, por favor, largue isso, ou eu...
-- É isso aqui,... (ela pergunta, em dúvida), não é? A corda, ela tá te mantendo preso. Esse lugar tá abandonado, há quanto tempo você tá aqui?
-- NÃAAO! -- a voz dele é como um grito de uma montanha para a outra -- Eu vou derrubar esse lugaaaar,...
Idrias teve então uma ideia, meio estranha. Sabia que o homem só tinha aparecido porque ela concentrou aquela energia, e então, ela segurou a corda, e concentrou toda a sua vontade nela.
As frestas voltaram a fazer vento "U-Uuuuuuuuuuhhhhh",...
De repente, ela sentiu estar num tipo de transe, mesmo sem estar fazendo um Ritual, e viu que tudo estava ficando com aquela cor cinza, prateada, uma mistura de luzes e sombras por todo o lugar. Voltou toda a sua atenção para a corda, e decidiu destruí-la.
Assim, sentiu que a corda estava se desfazendo. A Corda, na verdade um laço que ela não conseguia desfazer, foi virando pó e em alguns momentos era um montinho de poeira no chão.
-- O QUÊE VOC,... espera,... -- o homem percebe a corda em seu pescoço.
A estranha corda estava desaparecendo.
Idrias olha no montinho de lixo, e tem também uma outra corda, que ela pega e faz a mesma coisa que ela fez com a outra corda, e olha para o homem cinzento. Ele ve que o laço que amarra seus pulsos desaparece, e então, a pequena nunca imaginou isso, ele sorri.
Sorri, um sorriso de espanto e admiração. Aos poucos uma luz, vinda de ninguém sabe onde, envolve ele, e ele começa a desaparecer.
-- Não! -- ela grita -- Não vai embora! Não! Eu quero conversar com você.
Não adiantou, e o homem foi envolto numa luz que não vinha de lugar algum, e em alguns momentos ele havia desaparecido, e o sorriso dele era um sorriso de felicidade.
Do nada, toda a luz, o transe, e o uivo do vento desapareceram. Idrias ouviu um passarinho cantando, anunciando o amanhecer que chega, mais uma vez, para comprovar que a natureza é a mais poderosa das verdades.
# Os Visitantes
A pequena Idrias viu a luz desse amanhecer entrando pela fresta da porta, e decidiu sair e voltar para casa, e se sentia, meio que, não conseguiria explicar -- triste e feliz, ao mesmo tempo.
Ela fez o caminho de volta, e chegou em casa para o almoço.
Ao entrar em casa, ela chama.
-- Mãaaae! -- e sua mãe vem da cozinha, com a tijela de ora saindo cheiro de comida quentinha. Idrias não queria comer, afinal, queria era contar o que aconteceu.
Sua mãe ouviu tudo com muita calma.
-- Você entende o que aconteceu, Tuule?
-- Não, mãe -- ela tinha um olhar de não faço a menor ideia -- Eu queria conversar com ele, eu só tentei ajudar, e depois ele sumiu. Ah, sim! Na hora que eu saí da cabana, vi que uma vaca branca cheirava o chão do lugar, e daí, ela foi e entrou na pedreira, ah, e um esquilinho também.
-- Você viu um espírito, minha filha -- disse sua mãe, e ela se lembrou de seu pai -- Você ajudou ele a se libertar, não sei como você conseguiu, mas foi exatamente isso que você fez.
-- Mas ele foi embora? Porquê?
-- Ele foi para onde os espíritos livres vão, ninguém sabe com toda certeza onde é, mas existem lugares,... você vai estudar todos na Escola, onde você vai aprender tudo sobre essas coisas.
Idrias fica de boca aberta, e não consegue evitar de pensar. Ela conseguiria falar com o seu pai, um dia? Mas então, o cansaço aconteceu.
-- Você acha que eles vão me deixar ir pra escola, mãe?
-- Tenho a certeza mais absoluta disso, Tuule -- ela sorria um sorriso tranquilo.
-- Eu quero ir deitar,...
-- Não vai comer nada? Tem ora. E você estava acampando, e não...
-- Tá, ração não é igual comida. Eu quero, mas to cansada -- disse a pequena.
-- Vai indo se deitar que eu levo pra você comer. Vai.
-- Hmmmh,...
Idrias Tuule Ink se levantou, e foi tonta para o quarto, se arrumou e deitou. Mas se levantou, e foi ver a florzinha. Nasceu de repente, uma flor bem pequenininha, amarela. Feliz, deitou-se. Comeu uma tijela pequena de ora, carne de panela, mitras ao molho branco, e patatas, e então adormeceu profundamente.
De repente, depois de dormir muito, a campainha toca sem parar. "Eu não vou atender. Estou dormindo", pensou. A campainha toca pela décima vez, e então ela ouve um chamado, uma voz de homem.
-- Senhorita Idrias Tuule Ink! Eu tenho uma entrega para você! -- disse um homem.
Ela se levantou imediatamente.
-- Livros! -- diz sem pensar, e sai correndo.
Desce correndo a escada de madeira, onde na lateral há os guarda-volumes, tudo cheio de livros, agendas e cadernos de anotações, e brinquedos que seu pai inventava. Na hora que passou pela sala, não conseguiu evitar de olhar para a mesa. Havia um bilhete.
-- Tô iiindo! -- grita para a porta, anciosa.
"Tuule querida, fui ao mercado da vila. Me espere para o almoço", era o bilhete.
Correu e abriu a porta, mas então, parou desconfiada.
-- Você é Tuule? -- pergunta um homem usando calças comuns, jaqueta e capa por cima. "Ninguém me chama de Tuule",... pensou. Ela ficou um segundo avaliando eles, havia um outro montado em um tuleque, segurando o outro animal.
-- Sim, sou eu. Quem é você?
-- Eu sou um Oficial de Educação, e tenho uma surpresa para você. Acho isso tão impressionante. Não é, Hal? -- o outro homem sorri -- Mas eu acho que você vai ter de abrir para ler.
Entregou a ela um envelope pardo, lacrado com cêra vermelha. Ela parou, mas abriu desconfiada, saiu uma energia transparente do lacre, e pousou em sua mão um pingente dourado -- sim, era de ouro. Um círculo com uma gota no meio,... mas a gota não era presa ao círculo por nada, parecia uma coisa realmente mágica. Havia um bilhete pequeno, num outro envelopezinho branco, dentro do envelope maior.
"Senhorita Idrias Tuule Ink. Você foi aceita na importante e antiga escola -- A Escola dos Mil Herdeiros, para receber, se assim aceitar as Leis de nossa sociedade, educação de especiais. A Escola é privada. Você irá estudar Magia, Manifestação e Poder, além de matérias essenciais para sua condição, e deve se apresentar dia 21 do Mês Primeiro.
Segue uma lista de materiais e livros que você deve levar, e todo o resto é fornecido pela Escola, em razão das suas aptidões especiais".
(Havia uma assinatura no final).
-- Livros! -- e pegou a segunda folha -- Como minha mãe sabia? -- ela estava assombrada -- Onde está a minha mãe?
-- Hehe,... -- riu o homem -- Sua mãe não está em casa? Não se preocupe, ela vai voltar pra comemorar com você. As aulas começam daqui a uma semana. Você vai fazer a Travessia das Montanhas, que só se abrem para os verdadeiros herdeiros.
O homem, obviamente um Herdeiro, de pele clara e cabelos negros, tocou o peito na altura do coração, depois ergueu o chapéu marrom, dizendo "Parabéns", e se virou, o outro homem ergueu o chapéu preto, e eles falaram com os tuleques deles "Vamos", segurando as rédeas, para ir embora.
Idrias ficou ali intrigada, com aquele olhar perdido. Voltou para dentro de casa, ainda inquieta, e se sentou na primeira cadeira para tentar entender o que era aquele pingente.
"Como a minha mãe sabia? Como, se a carta só chegou hoje?", duvidou com ela mesma. Não conseguiu fazer nada até sua mãe voltar. "Bom, tenho meu Pingente. Estou na Escola. Eu sou estudante", aceita ela.
-- Mãe! -- ela ficou em pé, na hora que a porta se abriu.
-- Oi, querida -- e olhou para o envelope pardo sem nada escrito e o lacre aberto.
-- Mãe, como você sabia se o Pingente só chegou hoje? -- Sua mãe deixa as sacolas costumeiras no chão e sorri abrindo os braços.
-- Magia, querida -- abraça sua pequena -- Magia.
(Fim do Prelúdio)
O que espera pela Menina que Ama livros, você vai ler ao longo de várias histórias. Bom, está claro que ela sabe mais do que acha que sabe, mas vamos aos poucos porque as histórias tem muitos detalhes e todos são necessários.
Espero que esteja gostando das histórias do Blug, e,...
Fique Ligado.
Wednesday, 13 June 2012
Adventure Blog News (0612)
Helo, and Be welcome.
I'm Sol Cajueiro and this is my adventure blog.
Actually, this blog takes much more time to create than I thought so at the start, and the adventures are here in a true mess. Some are not published yet. Some halted. Some players made my life a hell in the last months, and they're not playing anymore.
I apologize.
To deal with this messy science fantasy blog, I'm talking with some people, and soon there will be two adventures, one in English, one in Portuguese. To write in English is not the problem, but my bronken english sometimes distract from the Story, and that's not the main goal at the blog. The adventures created for adults, now mainly with politics and setting narrative will be in English. But well, I'm planning a Story I wanted to play for a very long time, and that's a story of a School for special students, this one will be in Portuguese because writing in Portuguese is easier for me and players asked for it.
So, wait for new adventures! (-;
The second but no less important blog, the Wormbar|Epic Destiny, will have a more light adventures than a long campaign as the first one. I'll save some time to keep up with final versions. This paused in a very difficult moment of the history of the Trikumai worlds. This event ended. But then, there's much more to come in near future, and the Wormbar is alive.
The Novel's book one release date is not decided.
I'll keep everyone informed, here and later on Twitter, and Amazon.
Follow me at Twitter: @solcajueiro to see things first.
News on my conlang Akkia, and othe official languages you will find on my Akkia group on Facebook, but even if the group is not public if you ask for permission I'll let you in. We discuss Akkia, ejik Oka, Siddha, Draka, Deathspeech, Trade and more languages. Members can post on the group, and I'll be ready to explain grammar and other questions.
I noticed you don't comment much... don't be shy. ^~
To ask for information or know about secrets and what's to come, go to our Facebook page and or group Action Tale, but please explain who you are and why you want to participate.
This is it for now, and I hope to keep up with the blog, and so,...
... Stay Plugged.
I'm Sol Cajueiro and this is my adventure blog.
Actually, this blog takes much more time to create than I thought so at the start, and the adventures are here in a true mess. Some are not published yet. Some halted. Some players made my life a hell in the last months, and they're not playing anymore.
I apologize.
To deal with this messy science fantasy blog, I'm talking with some people, and soon there will be two adventures, one in English, one in Portuguese. To write in English is not the problem, but my bronken english sometimes distract from the Story, and that's not the main goal at the blog. The adventures created for adults, now mainly with politics and setting narrative will be in English. But well, I'm planning a Story I wanted to play for a very long time, and that's a story of a School for special students, this one will be in Portuguese because writing in Portuguese is easier for me and players asked for it.
So, wait for new adventures! (-;
The second but no less important blog, the Wormbar|Epic Destiny, will have a more light adventures than a long campaign as the first one. I'll save some time to keep up with final versions. This paused in a very difficult moment of the history of the Trikumai worlds. This event ended. But then, there's much more to come in near future, and the Wormbar is alive.
The Novel's book one release date is not decided.
I'll keep everyone informed, here and later on Twitter, and Amazon.
Follow me at Twitter: @solcajueiro to see things first.
News on my conlang Akkia, and othe official languages you will find on my Akkia group on Facebook, but even if the group is not public if you ask for permission I'll let you in. We discuss Akkia, ejik Oka, Siddha, Draka, Deathspeech, Trade and more languages. Members can post on the group, and I'll be ready to explain grammar and other questions.
I noticed you don't comment much... don't be shy. ^~
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This is it for now, and I hope to keep up with the blog, and so,...
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