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Monday, 4 March 2013

A Travessia das Montanhas (ADS-04)

     Oi, e Seja bem vindo.

     E então, vamos à Aventura,...

     Fiquei um tempo sem publicar, porque apesar de o grupo original que jogava essa história ter acabado, eu queria muito que depois do capítulo que jogamos, eu tivesse boas notícias para nossos leitores.

     Assim, estamos dando início ao Playtest Oficial, e o jogo está indo muito bem. Eu me reuni com os jogadores no último sábado, e ficou acertado que vamos ressuscitar A Ameaça das Sombras. A história é boa, e não vamos deixar isso acabar assim do nada. A partir de agora nós vamos acompanhar o que esses malucos estão fazendo, mas saiba que a história não irá acabar nesse capítulo, pois nós refizemos o grupo, e no próximo capítulo pode contar com novidades.

     Sejam bem vindos à Escola dos Mil Herdeiros.

     # A Travessia das Montanhas

     Idrias estava tão anciosa para chegar o dia que mal dormia. Sua mãe chegou, no dia anterior, carregando uma pilha de,...

     -- Livros! -- gritou Idrias, ao ver sua mãe.

     Sua mãe sorriu, calma. Idrias ajudou a colocar os livros em seu quarto.

     O Grão Ducado de Hu, região onde as ruínas do mundo antigo foram reunidas, é uma região única. Ela tem mais ou menos 500 medidas grandes de horizonte, e umas 800 medidas grandes de norte a sul.
     Você precisa saber andar por essas bandas.
     O nascer do sol é limpo, e o poente na Grande Cordilheira torna as tardes muito belas, para quem mora perto delas. Toda a região tem montanhas baixas, ou rochas despidas, uma mistura do norte gelado com o equador mais abaixo. A região temperada tem florestas plantadas pelos Herdeiros, quando a região ganhou o nome de Hu, há uns mil anos atrás, mas os mais velhos ainda se lembram do controle do Estado sobre a região, que terminou com a intervenção do Norte Imperial, há 42 anos, e o fim da guerra civil de Tanka, ao sul. Logo, o Grão Ducado é, agora, uma região livre, que é gerida com recursos vindos de todo o mundo de Tanahta.
     Ainda assim, as pessoas ignoras o quão tão importante realmente é essa região. Nas ruínas de Hu se esconde um segredo, uma jóia preciosa, que é o símbolo de todos os Herdeiros, os nativos deste mundo.

     A Escola dos Mil Herdeiros.

     Idrias Tuule Ink é uma bruxa, de pai e mãe, mas passou a infância toda acreditando que não tinha Magia, e que nunca iria para a escola, que iria ser obrigada a ir para uma escola comum.

     Hoje a noite, ela não dormiu. Não. Ela pegou os livros da escola, e ficou a noite toda tentando entender o que se passava, mas não era nada simples esse negócio de Magia.
     Apesar de ela não se considerar burra, não entendeu quase nada.
     Depois, acabou dormindo sobre os livros, para ter um sonho estranho, em que ela estava em uma vila estranha, onde fazia a comida para mais de duzentas pessoas, todas vestidas de mantos alaranjados. Havia um esquilo em seu ombro, que dava pitaco no preparo do jantar. Ela acordou, e não se lembrou do sonho.
     -- Mãããaaae! -- gritou, ao acordar.
     Pensou que acordou atrasada, e ia perder o primeiro dia da Escola, desesperada. Sai correndo. Ao chegar ao andar de baixo, ela para. Sua mãe está terminando de se arrumar, vestindo uma calça preta, botas, o chapéu dos andarilhos, que não tem ponta, mas tem um penacho dependurado, também preto, camisa social branca de botões, e um pingente dourado por sobre a camisa.
     -- Bom dia, Tuule -- sua mãe abre um sorriso caloroso.
     -- Mãe, que horas a gente vai? -- ela quer saber.
     -- Agora, minha filha -- e Idrias vai se colocar ao lado da porta de saída. Mas sua mãe vai para o corredor.
     -- Mãe, é mesmo,... Os meus livros -- diz a pequena, em dúvida.
     -- Pode deixar, filha. Eles serão entregues no seu Dormitório, ainda hoje. Você não vem?
     -- Mas mãe,... a saída é por aqui,...
     Sua mãe sorriu, insistindo para irem para o segundo andar. Idrias, sem entender nada, foi. Seguiram para o seu quarto, e sua mãe fechou a porta, retirando então sua varinha da jaqueta. A pequena nunca havia visto sua mãe usar uma varinha, mas só agora percebe isso, e conclui que sua mãe, é claro, não gosta de "aparecer", se sentido orgulhosa.
     E então, sua mãe ergue a varinha, e desce até a direção da porta, mas à medida que desenha a beirada da porta, uma luz branca forte vai aparecendo por trás da beirada.
     -- Amal Tajannaba! -- invoca sua mãe, e a porta desaparece. Em seu lugar, surge um portal de pedra, com o símbolo de uma gota no meio de um círculo, e runas estranhas embaixo -- Venha, Tuule.


     # A Ruína das Termas

     Tetrus acordou, com muito medo, pois não sabia onde estava.

     Por um segundo, pensou em como fugir dali, mas então se lembra de tudo o que aconteceu. Estava livre! Estava longe da Gaiola das Loucas, e queria ficar muito longe dali, para o resto de sua vida.

     Alguns minutos depois, ele se levanta, e vê roupas sobre uma cadeira. Ele pega. Vê que são do seu tamanho. Antes, decide olhar onde está, e vê uma cascata que cai da parede, sobre um laguinho -- "Dentro de casa?!", se assombra, e conclui que as estátuas não vão se importar se ele trocar de roupa ali mesmo. O teto é alto, e há um símbolo irregular de nove pontas desenhado nele, e bolas que parecem aquelas bolas de capim que se vê nos filmes, quando é um filme sobre um deserto, iluminam o lugar.
     Assim que trocou de roupa, entra um monge pela passagem -- não há porta, só a passagem. Ele não diz nada. Apenas indica com a mão que ele deve segui-lo, e Tetrus vai. Antes, ele pega as suas coisas, que são dois sacos de lixo, velhos.
     O Templo é enorme, e tem um sem número de salas e salões, todos com estátuas magníficas, e tapetes sobre as paredes. O jovem também vê um monge koresh, e um monge que parece um monstro, ao passar pelo salão principal. Ninguém fala. Achou que, se o Paraíso existe, a entrada deve ser em algum lugar por aqui.
     Saíram do Templo, e ele viu uma imensa construção.
     Ao longo de mais de 800 medidas, colunas clássicas fazem teto sobre um sem número de pequenas portas, de onde ele vê pessoas saindo, pais, mães, e seus filhos, todos mais ou menos da sua idade, mas alguns mais velhos. O monge lhe apressa. Andaram mais de 200 medidas, até que o monge parou, muito calmo.

     Idrias atravessou o portal, com sua mãe.

     Ao ver onde estavam, soltou um silencioso "Uau",... e viu que um sem número de famílias estava passando pelos portais. As colunas eram do estilo clássico, da era mítica de Tanahta -- "Esse lugar deve ter mais de cinco mil anos",... pensa ela, e logo vê um garoto assustado, andando ao lado dos seus pais, e a mãe dele fala com sua mãe bruxa.
     -- Oi? Desculpe, mas nós não fazemos ideia do que fazer,...
     -- Oke,... Vocês são comuns -- disse sua mãe -- Não se preocupem. De onde vocês são?
     E assim, enquanto os pais conversavam, ela olhou para o garoto.
     -- Oi? Eu sou a Idrias. E você? -- quis saber a pequena.
     -- Otto -- ele estava usando o rosto do espanto, agora, olhando para tudo como quem pensa "Que estranho",... -- Você também vai pra Escola? Vamos ser colegas.
     -- É -- disse ela -- Onde está o seu amuleto? -- ela pega seu pingente, e mostra.
     -- Tá aqui -- ele tira meio desengonçado o pingente de dentro da camisa -- Mas,... como é que a gente vai pra Escola?
     -- Não sei,... Olha ali! Um monge! Vamos perguntar pra ele -- e foram, ele indo atrás da garota.

     O monge havia acabado de chegar, e parar, e havia um garoto assustado com ele. A dupla chegou, correndo.

     -- Senhor monge, senhor monge -- fala a menina -- Como é que a gente vai pra Escola?
     -- Isso,... -- o monge sorri -- eu ia explicar agora ao Tetrus. Vocês vêm essas duas montanhas? Elas são as Montanhas Gêmeas, a única passagem segura para a Escola. Vocês devem atravessar as montanhas, mas a lenda diz que só os Herdeiros conseguem fazer isso.
     O monge, então, faz uma saudação ao garoto assustado, e vai embora, sem dizer mais nada.
     -- Eh,... Oi! Eu sou a Idrias. E você? Tetrus? Que nome e,... diferente,...
     -- Oi,... -- diz ele, e fecha a boca, pressionando os lábios.
     -- Oi, Tetrus. Eu sou o Otto. Como é que a gente vai passar pelas montanhas?
     -- Vamos perguntar pra minha mãe. Ela já fez isso antes, né.

     A menina saiu correndo, e Tetrus olhou pro Otto, que saiu atrás dela, então, decidiu ir também. Não sabia nada disso. Não queria ficar pra trás, porque, "E se ele não conseguisse?", ia ter de voltar pro orfanato,...

     -- Mããaae,... Como que a gente passa pelas montanhas?
     -- Hf,... -- riu sua mãe -- Diz a lenda, que só os Herdeiros conseguem passar, minha filha. Eu confio em você.
     -- Mas mãaae,... como? -- Idrias estava ficando preocupada, agora.
     -- Não se preocupe -- diz sua mãe -- A Travessia das Montanhas é um Ritual. Só se você não for um aluno digno da Escola é que não irá passar, e eu sei que você será uma aluna muito boa, como seu pai já foi.
     -- E você, também,... -- Idrias abaixou a cabeça. Virou-se para os meninos -- Viram? É só passar.
     Aquilo não foi recebido da mesma forma pelos outros dois, que ficaram apreensivos sobre o "não passar", mas então, todas as pessoas olharam para a mesma direção.

     Vindos das montanhas, um sem número de tuleques, um bicho estranho que já tentaram fazer sobreviver nesse mundo várias vezes, mas só agora parece que conseguiram.
     Os mais velhos, todos eles, se adiantaram e pegaram um tuleque para si mesmos.
     Tem uns montes de veteranos, aqui.
     -- Me dê um beijo, filha -- pediu a mãe de Idrias -- E tenha um bom semestre.
     Tetrus ficou olhando os novos amigos se despedirem dos pais, e seguiu eles até encontrarem um monge livre, que lhes ajudou a subir no animal, um tipo de lagarto bípede, cinza escuro e forte.
     -- Você será o "Cinzoso" -- disse Otto para o seu tuleque, ao montar.
     -- Será que precisamos de Magia pra fazer a Travessia? Ei! -- Idrias chamou um garoto, ao lado, com uma expressão séria -- Tem alguma Magia pra fazer a Travessia?
     -- Hmpf,... Você não precisa de Magia pra fazer a Travessia. Meu pai me contou que essa é a primeira vez que psiónicos e monges vão fazer a Travessia, e se eles precisassem de Magia, é óbvio que não conseguiriam passar -- respondeu ele. Ele olhou para a frente, e daí em diante ignorou o que eles poderiam perguntar.
     Idrias então se abaixou para que só Otto e Tetrus ouvissem ela.
     -- E esse é o garoto chato que vamos ter de aturar na Escola, marquem as minhas palavras -- disse ela, num sussurro. Otto parece que viu o que ela queria dizer. O garoto parecia importante, pra alguém que ainda não fez nada na vida.


     # A Travessia das Montanhas

     De repente, todos os pais, que já haviam passado por isso, retiraram um lenço branco e acenaram para os filhos. Idrias ficou muito feliz, de ver sua mãe acenando, e jurou ser uma boa aluna, ali mesmo. E todos os tuleques se moveram. Idrias quase caiu. Ela se segura firme, e olha o garoto chato, que está levemente erguido, colocando o peso sobre os pés lá embaixo. Ela imita ele. "E funciona",... pensa a menina. Assim, ela olha para o lado, para ver um Otto sacolejando, e um Tetrus apavorado se agarrando com força ao pescoço do animal.

     As Montanhas Gêmeas foram se aproximando. A partida havia sido exatamente às nove horas da manhã, e o cansaço já se faz, depois de uma hora de montaria.

     Ainda assim, as montanhas e pedras, as rochas, tudo vai se modificando aos poucos, como se você estivesse indo para um outro lugar, outro mundo, onde quer que fique a passagem. Idrias, que não está nem um pouco cansada -- ela é uma andarilha, há mais de dois anos -- tenta explicar com gestos para Otto e Tetrus fazerem o mesmo que ela, o jeito certo de montar, sem nenhum sucesso. A menina percebe que há uma série de cavernas, lá no alto das Montanhas Gêmeas, observando a Travessia.
     E então, de repente, as duas montanhas que parecem se apoiar uma na outra para existir, começam a se separar, muito calmamente, e em mais dez minutos de montaria se pode ver que há uma passagem entre elas. A Travessia. Ao chegar à passagem, Idrias percebe que nem Otto nem Tetrus estão se dando muito bem, mas consegue perceber em detalhes as montanhas, à esqueda e à direita deles, e durante dez minutos eles avançam sobre uma Estrada muito antiga, que mais parece um relíquia que uma estrada de verdade. A pequena bruxa vê que a única coisa que ela pode fazer é alertar aos tuleques para seguirem ela, e ela consegue fazer isso, naturalmente. Era como se a vida toda ela tivesse nascido para montar. Sentia o vento bater em seu rosto, uma alegria sem tamanho.
     Assim, eles passam por um tipo estranho de barreira.

     Aconteceu sem avisar, e era um tipo transparente de parede, que ia até o céu. Nesse momento, os alunos mais velhos, que passaram quase toda a Travessia mantendo os pequenos sobre seus animais, tiram seus itens e apontam para cima, gerando uma saraivada de explosões. Cor. Parece uma festa de fogos de artifício, no momento em que avistaram a primeira vila.
     Atravessaram a vila, sob os aplausos dos seus moradores. Eles jogam flores sobre os viajantes, a lhes dar boas vindas.
     Dalí, avistaram uma enorme Ponte. Era a maior ponte do mundo, feita de um metal branco, com cabos enormes maiores que você, prendendo o caminho para aquelas centenas de tuleques que passam.

     E, então, A Escola dos Mil Herdeiros à frente.

     As enormes construções, de matérias estranhas, coloridas ou cinzentas, ou com rochas antigas como base, e um imenso mecanismo ao alto, como se fosse um relógio estranho, vão se formando e se aproximando.

     Algum tempo depois, a saída da ponte os entrega em uma área de gramado, diretamente à frente do maior edifícil. O Arco do Edifício C
entral olha para a ponte, como se fosse uma metade de um olho -- a outra metade, embaixo da terra. Os mais velhos começaram a parar, e desceram para ajudar os calouros a descer dos animais. "Por aqui!", ouviram um veterano chamar, "Reúnam-se aqui!". Outros veteranos chegaram, do Edifício Central, e foram receber os calouros. Idrias desmontou com facilidade, se surpreendeu o veterano, e rapidamente foi ajudar Tetrus, que estava todo suado, mais que agarrado ao pescoço do seu tuleque, de olhos estalados.
     -- Tetrus! -- diz a pequena -- Vem! Vou te ajudar.
     O veterano ajudou Otto a descer, e eles se juntaram aos calouros para ir, mas,... para onde deveriam ir? À medida que entraram, passaram pelo Arco, e começaram a perceber que a construção é muito antiga. Tem partes antigas, construídas sobre partes mais antigas ainda, e Idrias imaginou ver uma placa suspensa no ar que dizia "Biblioteca", mas foi forçada a continuar com a multidão de novos alunos. E então, sentiram o cheiro de comida, ou melhor, de banquete -- e perceberam o quanto estão todos com fome.
     Havia uma área aberta, com oito restaurantes, bares e delicatessens nas laterais, e mesas ao ar livre, com um guardassol bem vermelho sobre cada uma das mesas, que foram achar uma mesa livre.
     -- Otto! Tetrus, vem comigo -- chamou a bruxa.
     Acharam uma mesa em frente à Delicatessen Hu, e se sentaram para descansar. Idrias parecia muito bem. Otto parecia um mendigo, e não estava muito melhor que Tetrus.
     Foram atendidos por androides e ginoides muito educados, que lhes apresentavam um cardápio holográfico com imagens de todos os pratos, dizendo que podiam comer à vontade. Enquanto Idrias dizia que "Comer muito pode fazer mal", Otto e Tetrus não estavam acostumados com isso, e pediram logo tudo o que queriam comer, de uma vez.


     # Aizha Narbán

     -- Oi! Posso me sentar com vocês? -- perguntou o garoto, mais velho.

     Eles ficaram em silêncio, mas o garoto se sentou.

     -- Oi! Eu sou Himmer Loren -- disse o garoto -- Sou bruxo. Esse é o primeiro semestre que temos não-bruxos na Escola. Sejam bem vindos. Como vocês se chamam?
     -- Eu sou o Otto. Essa é a Idrias, e esse é o Tetrus -- resumiu o garoto. Idrias ficou com raiva, porque essa fala era dela, e aliás, quem era esse garoto que chegou? Como que o Otto vai e fala o nome deles assim, pra um estranho? Mas, pode ser só uma preocupação sem fundamentos,...
     -- Sejam bem vindos -- diz o bruxo Himmer.
     -- Eu sou,... bem, eu não sei o que eu sou -- revela Otto -- Eu posso teleportar.
     -- Então, você deve ser um monge, Otto -- explica Himmer, calmo -- Não é exatamente verdade que psiónicos e monges nunca estudaram na nossa Escola, mas sim que eles antes se reuniam em lugares muito diferentes. Temos uma floresta para os monges. Temos vilas, onde bruxos, psiónicos e monges se reúnem, e vivem juntos, há vários milênios.
     -- Mas,... Não é a Escola dos Mil Herdeiros? -- questiona Idrias.
     -- E porque você acha que só existem herdeiros
bruxos em nosso mundo, Idrias? Não. Mas eu tenho de dizer uma coisa pra vocês,... Vocês não podem andar à noite pela escola,...
     -- Porque? -- quis saber a pequena.
     -- Olha,... Não é seguro, pra vocês do Ciclo Básico,...

     Mas, então, foram interrompidos,...

     Exatamente nesse momento, chega uma senhora. Ela é velha, mas é possível ver que ainda assim guarda as feições de sua juventude, e quando se aproxima o aluno mais velho imediatamente se levanta, e faz uma reverência.
     -- Diretora?,... -- ele abaixa a cabeça.
     -- Não se preocupem em se levantar, crianças -- diz uma voz tranquila -- Sejam bem vindos à Escola, Idrias, Otto e Tetrus. Vejo vocês amanhã, em minha sala na Diretoria, pela manhã. Eu sou a Diretora Aizha Narbán. Aproveitem o dia.
     -- Obrigada,... -- murmurou Idrias, e o mesmo fizeram Otto e Tetrus.
     A Diretora foi para a próxima mesa, dar as boas vindas. Foi Otto que percebeu que Himmer estava com um olhar estranho.
     -- O que foi? -- Otto não resiste, e pergunta.
     -- Não sei,... Não é nada -- diz o veterano -- Eu nunca vi alunos serem chamados à Diretoria no primeiro dia. Bem, hoje é domingo, e amanhã as aulas começam. Seria muito bom se hoje fosse sábado, pra vocês se acostumarem à Escola, mas bem, é melhor que vocês não se atrasem, porque a Diretora quer vocês na sala dela pela manhã.
     -- Mas o que a gente fez?! -- Idrias parecia muito preocupada.
     -- Nada, nada -- tenta Himmer -- Terminaram de comer? Vamos. Eu tenho de levar vocês ao seu Dormitório, que eu recebi a mensagem agora,... ah, sim. Vamos, vamos.

     Aquilo não havia convencido eles de que não era "nada".

     Depois de dez minutos andando, Idrias tentava ler todas as mensagens mágicas que flutuavam à frente dos edifícios, mas não encontrou a que ela havia pensado ler "Biblioteca".

     E assim, chegaram a um enorme bosque, com macieiras e pessegueiras.

     O veterano lhes levou até o edifício ao fundo, meio torto como a maioria dos dormitórios que passaram, reconheceram que todos tem um mesmo tipo de forma, meio torta. Apesar disso, colunas enfeitam uma entrada magestosa, em uma pedra rara, branco leitosa. As janelas são de ferro, e há uma estátua ali, à direita da entrada.

     Ali, suspensa, está uma indicação, o Número do seu Dormitório:

               13.


          (Fim de Sessão)

     # Cenas do Próximo Episódio

     Otto dá o primeiro passo, e é seguido por Idrias e, temeroso, Tetrus, e assim eles entram no Salão de Entrada do seu Dormitório.

     Atrás do balcão, eles o vêem pela primeira vez na vida,...


     Era esverdeado, com um nariz enorme, um monóculo no olho direito, mãos com dedos longos e cheios de nódulos, e Otto quebra o silêncio.

     -- E você é o Verdoso.
 
          (Aguarde)

     Algumas considerações necessárias

     Porque eles foram chamados à Diretoria, no primeiro dia na Escola?

          Fique ligado.

Thursday, 28 June 2012

O Garoto que Cria bugigangas (ADS-02)

     Olá, e Seja bem vindo.

     Eu sou Sol Cajueiro e este é o meu Blog.

          # A Escola dos Mil Herdeiros

     O mundo de Tanahta é um mundo singular. Guerras. Devastação. Tudo o que um mundo antigo passou após ir de uma era mítica para uma era espacial, no mínimo tempo possível de cerca de dois meses, isso torna os Herdeiros as pessoas mais fortes do Império. Há mais. Há mundos que sofreram terrores tão próximos, e as raças ejik se unem a outras raças para confrontar inimigos desconhecidos, terrores noturnos e tecnologias estranhas, que fariam o cérebro de um cientista ferver.

     Isso é, agora, tempo atual, Anno 2.056 da Aliança.

     Melhor ler que eu explicar em minúcias. Os detalhes seriam longos demais, e acredito que explicar não seria o bastante para tudo isso.

     O que o mundo faria sem expectativas e reviravoltas inexperadas?

     This adventure will be written in Portuguese, but all other adventures will still be in English. So, don't worry. You'll be able to read them. Also, there will be no soundtrack music anymore. The reason is that I have a really hard time writing, and when I'm tired, really tired, after doing revision and revision, I have to search for the music on the net and that adds 15% more time to a working day, so it's no good.
     (By -- Dec 2012, I've decided that all Stories will be written in Portuguese. All other posts, about story creation, rules, narrative techniques, and worldbuilding, conlangs and Blog posts, will be in English. Thank you).

          # Otto Saibon - O Garoto que Cria bugigangas

     Hoje temos um mundo com uma história complexa, e que é o único mundo das raças ejik que teve de passar pelo processo de terraformagem. As pessoas, Herdeiros naturais e estrangeiros, convivem hoje em um mundo que já esteve considerado morto, mas a vida continua.

     O Senhor Saibon é um descendente dos herdeiros deste mundo.

     Também casou-se com uma mulher maravilhosa, e assim, tiveram um filho herdeiro.  Mas nada disso é importante, e isso tudo são lendas do passado.
     Ao que parece, eles estão bastante enganados.

     O pequeno Otto Saibon é um capetinha, um menino que talvez no futuro tenha problemas de coluna porque fica a maior parte do tempo debruçado sobre manuais de construção de brinquedos, e bugigangas variadas, o que lhe vale muitas vezes para se defender na escola. Que garoto, mesmo forte, vai querer ser acertado por engenhocas que cospem ervilhas malignas, sob pressão? Sim. Ele também ganha algum crédito, quando os outros meninos vem lhe pedir para construir brinquedos, e isso lhe ajuda a comprar novos manuais, e a aprender a construir novas geringonças que quase contrariam a física estabelecida.
     Seu pai passa a maior parte do tempo viajando ou analisando as bolsas de valores. Não, eles não são ricos, mas seu pai tem muito status.

     Assim, o Senhor Saibon é um comprador. O contrário de um vendedor. E ele já tentou explicar para o seu filho, sem muito sucesso, que centavos fazem uma diferença impressionante, quando se compra toneladas, mas Otto não entra no escritório de seu pai sem ser convidado. Só entra quando seu pai fala "Pega minha cigarrilha no meu escritório pra mim, meu filho", e ele fica impressionado em ver um computador com oito torres, e vários monitores flutuantes.
     É claro que ele não entende as linhas que sobem.
     Seu pai raramente recebe pessoas ricas ou importantes, pois prefere ir a lugares onde os ricos e importantes gostam de ir, assim, viver é caro mas dá muito dinheiro.

     Um dia o Senhor Saibon reune a família e explica, nervoso, que vai precisar receber um funcionário de alta patente da Frota da Aliança, e estava incisivo quanto às regras. Nada pode sair errado. Essas pessoas são importantes, e você perde tudo o que tem se eles não forem bem recebidos, você se torna um pária, as notícias voam a dactilus, não que a família Saibon saiba muito sobre dactilus. Eles não sabem. Não sabem nada que fuja da rotina, Otto sabe que seu pai tem muito orgulho de suas pequenas invenções, e até já falou na escolha da escola para a qual ele deveria ir, e insiste que noções de engenharia deve começar cedo, e também se orgulha de seu filho passar os colegas para trás com bugigangas de baixo valor, afinal, é disso que o mundo é feito: oferta e procura.
     Ensaiaram tudo, até algumas falas, e a senhora Saibon escolheu as roupas.
     E então, os convidados chegaram. Um senhor e sua esposa, que são recebidos por Otto abrindo a porta com todo o orgulho, e seu pai aperta a mão do oficial, rapidamente eles fazem o casal se sentir em casa. Nada pode sair errado. Assim, logo depois da conversa inicial, sobre as chuvas na capital -- uma cidade enorme, na Bahia que existe no centro sul do grande continente, eles trazem sem pressa os convidados para a sala de estar.

     O jantar é servido, e o Senhor Saibon explica sobre os dons de seu filho, que então explica como se faz uma bússola com materiais reciclados. Isso pareceu impressionar o oficial.
     Bem, então, enquanto Otto fingia não estar com fome e comia com paciência, de repente seu prato sumiu.

     Sumiu, bem diante dos seus olhos.

     Otto olhou para sua mãe, que olhava para a comida sobre a mesa. Sua mãe se levantou, dizendo "Com licença,..." (e Otto viu ela segurar a toalha da mesa), ",..eu vou na,...", e então, sua mãe torceu o pé e foi ao chão.
     Levou com ela toda a mesa, pratos, panelas e talheres, suco de amoras, tudo tudo, e todos se levantaram de uma só vez.
     Assim, Otto ajuda sua mãe, e o oficial diz que sua esposa é enfermeira, e logo, a visitante conferiu e dizendo que a Senhora Saibon está bem, coisa que ela mesma ficou repetindo o tempo todo. O Senhor Saibon estava vermelho, pedindo desculpas o tempo todo, e o oficial disse que não havia problema nenhum, que ele mesmo já havia até passado por isso uma vez. Ele derrubou a mesa em cima do Chanceler de Kalaummuklutwa, Akkoya, a Capital, e disse que o mais importante é que a Senhora Saibon está bem.

     A Senhora Saibon então fez pizza, depois que ela e a visitante -- ela insistiu -- limparam tudo, e Otto teve de ajudar a limpar e ficar olhando a massa ficar pronta.
     O oficial e o Senhor Saibon vão para a sala ao lado, fumar um charuto e rapidamente a conversa se focou em bolsas de valores, e necessidades de compras da Frota da Aliança. Também tomaram umas duas ou três cervejas maltadas, artesanais, e a conversa se estendou por bastante tempo.
     Acabou se tornando uma noite muito interessante.

     Ao final, a família se despediu dos convidados e ao fechar a porta, então, todos se olharam meio tensos.

     -- O que foi que aconteceu? - questionou o Senhor Saibon.
     -- Eu me desequilibrei, e caí de madura -- disse sua esposa, tentando ser convincente.
     -- Eu vou para o meu,...

          Ouviu-se um ruidoso "Pop!".

     -- ,... quarto - terminou o garoto.

     Mas ele terminou a frase já dentro do seu quarto, e assim, gritou a todo pulmão.

     -- Mããããaaaae!

     Em instantes, seus pais chegaram. Eles tinham os olhos arregalados, e muito tensos eles mediram sua temperatura, seu pai mandou sua mãe ir pegar água pra ele, e fez Otto deitar na cama.
     Sua mãe chegou com a água, ele bebeu, ficou tonto e dormiu.

          # Os Espiões do Mal

     Otto acorda sentindo seu corpo todo cansado, mas bem.

     Sentiu fome na mesma hora que se sentou. Desce as escadas do segundo andar, e vê que a luz sobre a mesa estava acesa, e que havia um bilhete sobre a mesa.

     "Seu pai teve de viajar. Tive de sair. Tem comida. Não esqueça de colocar o lixo pra fora. Mãe", ele leu, e ficou parado um momento, pensando.

     Vai até a cozinha, e viu que a geladeira está cheia, e o congelador também, e era muita comida.
     Comeu, depois andou pela casa coletando o lixo. Abre a porta da frente, sem pressa, e vai colocar o lixo na caixa de coleta, mas então, olhou para a frente -- Há um gato preto, no gramado sem luz do vizinho em frente.
     Olhou para um lado, depois para o outro. Todas as casas, as luzes desligadas, todos os vizinhos viajaram ao mesmo tempo, e havia um sedã preto parado lá no fim do quarteirão, há umas cento e cinquenta medidas. Ele teve certeza, na mesma hora. Olhou, só pra saber se o gato não estaria lá de novo, e não estava.
     "Pronto", pensa, "Agora os Espiões do Mal vão chegar, e me sequestrar".

     Voltou pra dentro de casa, já fazendo seus planos.

     Assim, verificou toda a comida que havia, molhos, quantos vidros de pimenta havia, mostarda, plenices, e também as "Ervilhas do Mal", sabia onde estavam as caixas de costura, e tinha muitas peças de brinquedos para organizar a defesa, e assim repassou mentalmente o esquema de construção do bodoque que havia criado há uns seis meses, e correu para começar a construir as defesas.
     Na hora que os "Espiões do Mal" chegarem, vão se dar muito mal.
     Uma hora depois tudo estava pronto.
     Decide usar também os brinquedos que estavam guardados na caixa, com um papel anotado com o dia de hoje, oito, que ele ignorou, suspirando porque sua mãe guardou as coisas que ele estava montando ontem. Ela sempre faz isso, pensa ele, e todos os dias as coisas não estão mais no mesmo lugar. Assim então, Otto arma o bodoque-besta e escala o telhado fora do seu quarto, para ficar num lugar onde "Eles" nunca vão conseguir chegar.
     O pequeno furinho no seu braço, como o de um exame de sangue, o incomodava.

     Esperou, e realmente, uma hora depois um utilitário parou, em frente ao seu gramado.

     "Eu sabia! São os Espiões do Mal", e esperou.
     O motorista sai, um homem grande, branco e de cabelos curtos pretos. O sobretudo denunciava que ele era mesmo um espião, e acendeu um cigarro. Sem dúvida, os Espiões do Mal sempre fumam,... Daí, o outro, um espião mais magro, "Esse é o mínimo" (pensa Otto, apertando os olhos), "O lacaio", saiu do carro e se lembrou de que havia esquecido uma coisa no carro, um envelope pardo.
     Os dois homens se dirigiram para a entrada da casa.
     Bateram a campainha, uma, duas, três vezes.
     -- Mas não é possível -- disse um deles, não dava pra ver qual, mas pela voz era o lacaio -- A central garantiu que ele estava em casa. Vamos ter de entrar, de um jeito ou de outro.
     "Central?! Eu sabia,...", concluiu o garoto, e se agarrou ao seu bodoque-besta, armado com as Ervilhas do Mal, uma coisa contra a qual os espiões não teriam a menor chance.

     E então, ele ouve uma palavra esquisita, e a porta da entrada se abrindo. O homem entrou, e não percebeu o barbante no chão.

          PPPPpplláááááaaahhhhhhhhh,.......

     Ele foi arremessado, por um aríete amarrado no umbral da porta, que desceu e acertou ele bem no peito. Só parou umas cinco medidas depois, caído no gramado.
     -- O que foi essa,..... ($%@?),..
     Mas o outro homem estava rindo, rindo e sua voz era grave, quando se aproximou do outro caído no chão e jogou o envelope pardo sobre ele.
     -- Esse é o seu trabalho, agente. Te espero no carro. Hahahaha-haa,...
     "Agente?! Pronto, agora tá confirmado", raciocina o garoto.
     O agente se levanta, ele tem um pedaço de pau na mão, pega o envelope e vai para a casa. Logo que chegou à sala de visitas, foi coberto de molho para massas, além de tomar uma paulada na cabeça. Páh! Caiu no chão, e ficou ali falando palavras sem sentido. Foi para a cozinha, e se esquivou da armadilha na porta, mas não da outra que havia na mesa, e escorredou no chão, caindo e gritando "AAaaahhh", mas isso ele merecia, afinal, era um Espião do Mal e estava ali para sequestrá-lo,...
     Ele escapou do bife congelado da janela da cozinha.

     -- Acho que estou entendendo o que está acontecendo aqui,...

     Otto agarrou o bodoque-besta mais forte.
     Ouviu uma série de palavras, que nunca havia escutado, "Ele está falando outra língua,... Isso é a prova final, ele é mesmo um Espião do Mal", e "Toma isso!" quando ouviu que ele caiu na armadilha da escada, feita com muita pimenta, molhos, um travesseiro de penas, e os tacos de jogo de campo de seu pai. Essa doeu. O espião ficou ali, deitado no chão um bom tempo, mas ele é durão e se levantou.
     Uma palavra esquisita, e ele escapou da armadilha do corredor. Fez um silêncio enorme fora do quarto. A única coisa que se ouvia era a rizada alta e prazeirosa, do outro espião lá no carro. "Aquele é o chefe,... Vou ter de lidar com ele depois,...", raciocinou o garoto.
     Escalou o telhado e ficou de frente para a porta do seu quarto, armado.

     Uma a uma, as armadilhas eram desfeitas, mas,...
     O espião não havia entrado, ele estava desafazendo as armadilhas do lado de fora. Isso é terrível, ele é muito melhor que o garoto havia pensado, e de repente,...
     -- Otto,... -- "Ele sabe meu nome?,...", pensou ele -- eu não vou te fazer mal.
     -- Você é um Espião do Mal, que eu sei! Fique longe! Eu estou armado -- gritou para a porta, armado com ervilhas assassinas, afinal, as ervilhas são do mal.
     -- Eu tenho uma boa notícia para te dar,... Tenho de te entregar uma coisa, Otto. Eu vou entrar.

     E a porta começou a se abrir, mas ninguém a estava abrindo.

     -- Fique com as mãos onde eu possa ver! -- gritou Otto, ligando a lanterna.
     -- Está bem,... calma,...

     E assim, o espião do mal, todo coberto de molhos, pimentas, ovos, farinha, e penas, entrou com calma e ficou visível no vão da porta.

     -- Eu vim te entregar isso, Otto. (o envelope pardo,...) É um convite, muito especial.
     -- Abra e leia, você! -- ordenou.
     -- Olha, eu não posso abrir. Tá, vou te mostrar,...
     O espião do mal pegou o envelope, que tinha um lacre vermelho como o de uma carta oficial do império, e tentou rasgar para abrir. De repente, o envelope se fechou sozinho, e o lacre voltou ao mesmo lugar.
     -- Viu? Eu não posso abrir, Otto. Só você pode abrir.
     -- Me dá isso aqui -- ordena ele, e ligou a lanterna forte para o agente do mal ficar cego, uma lanterna que ele amarrou no boné com fita adesiva.

     Abriu o envelope, com uma mão só, e ainda apontando o bodoque para o espião, leu.

     "Senhor Otto Saibon. Você foi aceito na importante e antiga academia A Escola dos Mil Herdeiros, para receber, se assim aceitar as Leis de nossa sociedade, educação especial. A Escola é privada. Você irá estudar Magia, Manifestação e Poder, além de matérias essenciais para sua condição, e deve se apresentar dia 21 do Mês Primeiro.
     Segue uma lista de materiais e livros que você deve levar, e todo o resto é fornecido pela Escola, em razão das suas aptidões especiais.

          "A propósito, Feliz Aniversário" (escrito a mão).

     (Havia uma assinatura que não conseguiu ler no final).

     -- Que tipo de idiota você é? - Otto imediatamente perguntou ao espião.
     -- Eu sou um agent,...
     -- Eu sabia! Você é um Espião do Mal! Hoje não é meu aniversário. Hoje é dia sete, e meu aniversário é treze. Você está mentindo! Você é um Espião do Mal. 
     -- Não, Otto. Hoje é dia treze do mês primeiro. Veja no equipamento de mídia, ali na parede -- ele olhou, e era. Essa era a coisa mais louca que havia visto na vida -- E eu não sou um espião do mal. Eu sou um bruxo.

     Aquilo era a coisa mais sem sentido que um espião poderia dizer. Depois de alguns segundos, Otto se moveu.
     -- Prova -- ordenou ele ao espião.
     -- Você teleportou, e então a Agência Educacional ficou sabendo. Você vai adorar a Escola. Você leu só o cartão, mas há um pingente de ouro junto com ele. Ele é a prova. Calma, que eu vou te mostrar.

     O homem calma e lentamente tirou um espeto de dentro do casaco, e apontou para a sua cama. Ela começou a levitar em pleno ar. Otto ficou de boca aberta, mas nessa hora, em que o homem pousou a cama e guardou o pedaço de pau, sem querer, o bodoque-besta atirou. Ele se desequilibrou, ali no telhado, e enquanto o homem tomava uma salva de tiros de ervilhas do mal, o garoto jogou a arma para trás para usá-la de alavanca e se equilibrou.
     -- AAahhh,.... mais pimenta,.... aahhhh,... meus olhos,....... -- grita o agen,... bruxo, ou o-quer-que-seja.
     E assim, o homem pegou o espeto e apontou para si mesmo. Toda a sugeira saiu dele e ficou suspensa no ar.
     Otto viu aquilo, e sua boca ficou aberta de surpresa, mas ele ainda estava tonto. O telhado cedeu, a telha quebrou, e Otto começa a cair,... até tenta se agarrar na janela, mas seus dedos não alcançam. Está no ar, vai cair e se dar muito mal, e então se lembrou de sua cama, e desejou estar sobre ela, vendo o chão se aproximar, e então, de repente ele cai sobre a sua cama, e balança, vendo que não se machucou. Ele teleportou.

     -- Ele caiiiiiiu! Corre! Vê se ele está bem! -- grita o bruxo pela janela. O outro homem, lá no carro, se contorcia de tanto rir.
     Otto olhou para o quarto, de olhos arregalados, ouvindo o homem bruxo agente do mal gritar para o outro que ria alto pela janela, desesperado, e se levantou.
     -- Corre! Faz alguma coisa!
     -- Moço,... -- Otto segurou e puxou a camisa do bruxo, que olhou e depois de novo para a janela, e parou.
     -- O qu,...
     -- Eu teleportei -- e ao dizer isso o homem ficou parado, até entender.
     -- Voc,.......
     -- É. Eu acredito em você, agora.

     Ouvir aquilo deve ter sido como ter uma visão do paraíso.

     O bruxo suspirou, em alívio. Descem calmos para o andar térreo, e o outro homem, o "Chefe" veio para dentro da casa, e não conseguia parar de rir nem por decreto imperial.
     -- Eu vou contar essa história pro resto da minha vida! Hahaha-ha-haa,...
     -- Isso era um trote! -- gritou o bruxo -- Vocês vão me pagar por isso -- mas não adiantava mais, e Otto já estava rindo com ele. O tal bruxo havia se ferrado.

     Aos poucos eles se acalmaram, e Otto pegou o envelope.
     Havia mais alguma coisa nele. Ele inclinou um pouco, e caiu sobre a sua mão um pingente de ouro. Parecia,... vivo. Quente. Era um círculo com uma gota no centro, mas não havia nada prendendo a gota ao círculo.
     -- Essa,... -- diz o garoto, em dúvida -- Escola,... Como é essa Escola?
     -- Vou te mostrar, Otto -- disse o grandão, sorridente, sua voz era grave.
     Fez a arma de linhas de uma maquete no ar, e seu computador imprimiu no ar uma série de construções, tão enormes e incríveis, que Otto fica pasmo. Não conseguia falar. Eram castelos, torres, um forte imenso, e diversas construções, compridas, pequenas, grandes, estranhas ou belas, ao longo de bosques e um lago, havia uma ponte e depois o holograma acabava. Havia uma bugiganga maluca no meio, bem no alto. Ele não tem o que dizer. Tomou a sua decisão, nesse mesmo momento.

     Irá estudar nessa Escola, custe o que custar.

          (Fim do Prelúdio)

     A história não acaba aqui, e isso é só o começo.

Espero que você esteja se divertindo ao ler, como nós nos divertimos jogando, e,...
          Fique ligado.