Thursday, 26 January 2017

A Pasta Preta (#01)

     Início dos jogos, por assim dizer.

     Estamos com dois grupos, jogando em cenários parecidos, mas um está sendo anotado para se tornar romance, um para a publicação aqui no blug.

     Dei o nome de Nephlimburgs a este segundo jogo.

     Nos reunimos na semana passada para jogar. Um jogador de muitos anos e, como eu, admirador de sistemas bem bolados como gurps e ars magica, além é claro da edição do the world of darkness em que o livro de regras vem separado, pronto pra jogar qualquer coisa que o grupo quiser. E um jogador que nunca havia jogado, mas que adorou o jogo. O outro grupo tem dois jogadores de muito tempo de jogo, e a história está mais avançada.

     Estamos jogando em 2016 (5208), e vamos jogar dia a dia.

     Isso significa que não vou poder postar tudo o que é jogado, se não ficaria impossível publicar no blug a história, mas vou publicar todas as partes mais importantes.

             Akkoya, Academia de Ryklant

     A Academia é um lugar imenso, com várias vilas planares e padrão, onde moram mais ou menos dois milhões e meio de estudantes, professores, doutores, militares e especialistas, um lugar aonde só quem recebe essa permissão vai estudar. Outros, frequentam universidades. Hoje seria um dia como outro qualquer. Inspetor Rayki está terminando o relatório de uma investigação, mas decide ir ao banheiro. Ao voltar, encontra uma pasta preta de papel sobre sua mesa. Ele arreda a pasta, e o relatório que iria ser longo, foi reduzido para meia hora de trabalho e, terminado, ele pega a pasta preta.

     Ao abrir, encontra cinco mapas impressos em papel de Akkoya.

     -- O segundo mapa é da Academia, de uma praça em uma das vilas no padrão -- diz seu peka.
     -- Que ótimo,... -- ele continua olhando os mapas -- Peka, eles estão em línguas que eu não conheço. Você tem alguma ideia?
     -- O primeiro mapa está na língua dos navegadores, o português. Temos uma região a sudoeste de Ryklant que fala essa língua, mas é onde as cooperativas travam seu embate e por causa disso tem milícias armadas na região.
     -- Que ótimo,... Avise minha viatura, estamos indo para essa região e que ela se prepare para intervenções.

     Rayki, então, parou o tempo e saiu do seu corpo.

     -- Raýla, eu Rayki preciso falar com você.

     A névoa à sua frente se transformou em Raýla.

     -- Alteza, foram deixados estes cinco mapas sobre minha mesa -- e abriu os mapas para que ela pudesse ver.
     -- A pessoa -- ela cheira o ar, com sutileza -- que deixou isso aqui é ediche, aproximadamente trinta anos, sexo masculino. Não é informação o bastante para identifica-lo.
     -- O que eu faço com esses mapas?
     -- Isso foi deixado para que você investigue.
     -- Eu vou investigar, então. E muito obrigado pelo seu tempo, alteza. Espero descobrir o que está acontecendo em breve, e eu te aviso se houver qualquer perigo.
     A nobre abaixou a cabeça e ergueu, depois sumiu na névoa.

     -- Tugi, desculpe incomodar, mas tenho mapas para uma investigação. Sei que você não vai aparecer para conversar, mas mantenho você avisado. Se houver qualquer perigo, eu volto à Academia e te aviso.
     -- Obrigado.

     Duas horas depois, Rayki sobrevoa a região de Ilha do Peixe.

     -- Viatura, vamos verificar as ilhas?

     Depois de alguns minutos, ele vê uma ilha onde uma menina de uns onze ou doze anos fuma, no alto da ilha, ao lado de um bosque.

     -- Se é isso que chamou a atenção, Viatura, vamos descer e conversar.

     O Inspetor parou a viatura próximo a essa menina, e abriu a janela. É uma menina clara, mas bronzeada de praia.

     -- Oi, você fala Oka?
     -- Nativa, posso saber porque?
     -- Ainda bem. Não, é só pra saber se eu iria ter de falar em português. Isso não é muito normal, pra mim, não sabia que havia moradores nessa ilha.
     -- Meu pai comprou a única casa.
     -- Ele trabalha com o que?
     -- Meu pai trabalha com a Bolsa, mas trabalha em casa.
     -- E você? Vem sempre aqui? Fuma escondido?
     -- Eu venho às Ruínas da Morte sempre, e fumo porque é meu remédio. Se não, coisas estranhas acontecem perto de mim.
     -- Entendi. Minha suposição é de que você é uma bruxa.
     -- Sou -- ela ficou incomodada -- Eu sou uma bruxa.
     -- Que bom. Que Ruína é essa, que você disse?
     -- Dizem que essa lápide é a lápide da primeira vez que a Deusa da Morte morreu. Não é uma ideia muito boa vir aqui e não falar com ela.
     -- Vou descer e ir na Ruína, então.

     O Inspetor Rayki desceu e se aproximou.

     A aura da garota de repente começou a ficar visível, e ele a ouve murmurando "Vou ter de fumar mais um", e se aproxima da lápide.

     -- Deusa da Morte, eu recebi cinco mapas e vou investigar. Se a Senhora tiver qualquer coisa a me dizer, por favor, diga.
     Apareceu uma mão destra de névoa, parecendo ossos. A mão apontou a pasta preta e o chão e, então, Rayki entendeu e abriu os mapas no chão.
     -- Eu sou Efemmera, A Morte. Você vai encontrar um distúrbio aqui -- e a mão apontou um lugar no mapa de Ryklant, uma casa na praça da vila padrão da Academia.
     -- Eu agradeço, e espero pelo dia em que vamos nos encontrar da maneira que eu acho pior. Há ameaça de morte em meu caminho?
     -- Isso existe. Pela sua reverência ao meu Santuário, não levarei você.
     -- Obrigado por isso -- e a mão sumiu.

     Rayki passou pela garota, acenando para ela.

     -- Iyalaloui (Obrigado) -- ele diz -- Espero que possamos nos encontrar de novo.
     -- Obrigada pela visita, mas como eu devia te chamar? -- a aura dela desapareceu, e ela voltou a se acalmar.
     -- Inspetor Rayki, e você?
     -- Orija Manga.

     Rayki entrou na viatura e foi embora, mas enquanto pilotava, resmungava: "Puta merda, eu conversei com A Morte. Puta merda",... várias vezes.

     Ao chegar na praça, havia uma viatura da Defesa da Academia, a patente logo abaixo dele, do lado de fora da casa com a perturbação.

     -- Boa noite, Inspetor Rayki -- ele mostra a carteira.
     -- Boa noite, Inspetor -- disse o líder -- Estou vendo que mandaram um especialista. Que bom. Eu e os outros não queremos entrar, por causa das manifestações.
     -- Eu vou entrar com a minha viatura. Se vocês puderem, façam a segurança da praça, pois não sei aonde isso vai nem sei que dia eu volto, mas a viatura é uma garantia.
     -- Boa sorte, Inspetor -- desejou o líder dos policiais.

     Entrando na viatura, Rayki questionou se está tudo bem.

     -- Vamos entrar em uma manifestação desconhecida, não está tudo bem.
     -- Vou precisar de você, pra ter um lugar seguro pra dormir.

     Depois disso, a viatura concordou, e Rayki sobrevoou a casa para entrar na garagem. Ao estacionar, o telhado tapou a visão do céu.

     -- Inspetor -- diz a viatura -- estou captando satélites de baixa tecnologia em órbita, de tecnologias parecidas com as que eram usadas há dois mil e quinhentos anos atrás.
     -- Que ótimo,... Tem algum sinal da Academia?
     -- Nenhum, e estamos em uma grande cidade. Vou precisar estudar. Me deixe aqui, eu espero você para que você possa dormir.
     -- Iyalaloui (Obrigado).
             *

     Uma das vantagens de ter se tornado Inspetor da Guarda dessa cidade é ter acesso a relatórios da Guarda, e ter presença em qualquer investigação, se quiser.

     Os dois membros da Guarda fazem o seu relatório, e Lucius acompanha cada palavra.

     Em primeiro lugar, o relatório confirma que agora existe a ruína de uma Escola de Magia na região comercial, que não existia antes. Não existia, mas a líder bruxa confirmou que estão aparecendo jovens que estudaram nessa escola, mas que elas e o único garoto tem problemas de memória, e não se lembram exatamente da sua escola. Eles foram com a líder bruxa Tarja até a única entrada conhecida, e ela levou um grupo. Seguindo a Diretriz "Deixe os grupos resolverem", foi o que fizeram, e o grupo desvendou e selou a passagem.

     -- O problema é que havia um meteoro caindo e o tempo estava parado, dentro da passagem havia mais de duzentos Vultus, e corpos de pessoas mortas depois da passagem. Nós demos o tempo que nos é dado para deixa-los resolver, e eles resolveram. Agora, o meteoro se transformou em barro e toda essa escola que apareceu está coberta de barro. O tempo voltou a passar. Não temos mais a necessidade de estar em alerta temporal em nossa cidade, o problema foi resolvido. O que não foi resolvido é que Escola é essa, que apareceu em ruínas e com mais de seissentos mortos, e como os estudantes estão voltando à vida, com família e casa na cidade, esse é o problema.
     -- Por favor, você me passa o contato da líder bruxa, Tarja?

     Saindo da sala de relatório, Lucius liga para Tarja.

     -- Alo.
     -- Tarja? Aqui é o Inspetor Lucius, da Guarda. Podemos nos encontrar?
     -- Claro. Pode ser aqui em casa, te mando o endereço por mensagem.
     -- Obrigado.

     Encontrar a casa foi fácil, parar na garagem para oito carros, também.

     -- Tarja, boa noite.
     -- Lucius, não é isso? Boa noite.
     -- Isso -- ele percebeu que ela não disse "Inspetor".
     -- Entre. Aceita um whisky?
     -- Obrigado, aceito -- e entraram na casa.
     -- Esta é Anita. Anita, Lucius.
     -- Prazer, Anita.
     -- O prazer é meu.
     -- Lucius, acredito que você está investigando a Escola que apareceu, do nada, e ninguém nenhum de nós sabia que existia -- Tarja serve um whisky, pra três.
     -- Exatamente -- Lucius confirma -- O que aconteceu?
     -- Os espíritos estão chamando os estudantes que estão aparecendo de Bênçãos, e nós da Nação da Magia estamos organizando repúblicas para que os estudantes morem juntos e aprendam a conviver uns com os outros, e fica mais fácil levar os professores selecionados por nós e pela Guarda até eles e elas. Em resumo, estamos usando o surgimento dessa escola para fundar nossa educação. Ainda seremos de maioria de independentes, mas a oportunidade de selecionar entre nós aqueles mais velhos que possam dar aulas está batendo à nossa porta.
     -- Tem mais alguma coisa acontecendo?
     -- Tem sim, Lucius -- Tarja fica séria -- A Escola de São Paulo foi atacada anteontem, você deve ter ouvido comentários na Guarda. Temos duas sobreviventes que vieram pra cá, e junto delas veio também uma Deusa, a Deusa Gato, estão sob meus cuidados.
     -- Deusa? Interessante, isso. A Guarda está avisando as sociedades atravéz da Guarda de outros lugares sobre os ataques a Escolas.
     Ambos tiveram a noção de que Anita estava incomodada.
     -- Está tudo bem, Anita? -- pergunta Lucius.
     -- Mais ou menos, Lucius. Obrigada por perguntar, mas a morte de tantas pessoas e o surgimento de alunos e alunas está me colocando medo, isso eu não tenho como esconder.
     -- A Guarda é um modelo usado por muitas cidades, Anita. Nós vamos conseguir desvendar quem está por trás disso. Qual é a sua opinião, Tarja?
     -- Ficamos sabendo que praticamente todos os servos dos magos foram assassinados, por envenenamento, há um mês e meio atrás. Acho que são eles, por trás de tudo.
     -- Ah, a velha rixa entre bruxos e magos. Não temos provas. Além disso, eles parecem ter sido os primeiros alvos. Não podemos culpa-los, principalmente sem provas.
     -- Então, vamos sair e investigar. O que você acha, Lucius?
     -- Eu não, hein?! -- se exclui Anita -- Eu estou cuidando da casa.
     -- Por onde você sugere que começemos?
     -- Tem uma livraria muito boa para começar a investigação. Duas Bênçãos estão trabalhando lá como estagiárias, e um garoto Bênção conseguiu sair do labirinto da Escola Ruína entrando no construto da sala de meditação da livraria. Mas vamos com calma, o vendedor é meu amigo. Edgart tem ajudado muito. Não é uma batida, mas sim uma investigação leve.
     -- Tudo bem -- Lucius concorda -- Vamos, então.
             *

     Rayki saiu do carro, e foi ver o céu noturno, quase sem estrelas.

     -- As pessoas que andam na rua tem um comunicador muito básico, e vai ficar estranho se eu conversar com você, então estou polarizando nossas conversas.
     -- Obrigado por isso, Odarlo. Tudo, menos parecer doido.

     Ao sair para a rua, Rayki vê que saiu da manifestação e seu peka lhe avisa "Não estou conseguindo contato com a viatura".

     Ele tira um bloquinho do bolso e começa a anotar. Nomes de ruas. O número da casa, em que sua salvaguarda viatura está. E sai andando. A pasta preta, embaixo do braço. De fato, a região é falante de português, e é nessas horas que Saber de Línguas importa. Depois de um tempo, chegou a uma área de bares e cafés -- "Pelo ao menos, eles se divertem a noite", pensa -- Então, ele vê uma livraria e decide entrar.

     Ao chegar na entrada da loja de tatuagens,... "Espera um pouco",... ele ficou confuso sobre o porque estava diante de uma loja e olhou ao redor procurando, vendo várias pessoas com tatuagens naquele quarteirão, sentados nos bares e cafés.

     De repente, a porta da livraria apareceu mais uma vez.

     Ele subiu as escadas, e encontrou uma livraria de Magia, reconhecendo vários dos símbolos dos livros, e foi até o balcão.

     -- Me desculpe pela porta, ela não reconheceu você como cliente.
     -- Eu,... visita -- Rayki tentou, e se lembrou do mapa -- Belo Horizonte,...
     -- Olha, que bom que avisou. Vou tentar falar devagar pra você entender melhor. Seja bem vindo à livraria O Doppelgangger. Como você se chama? Nome?
     -- Eu,... Rayki. Nome,... interessante, livraria.

     De repente, entram duas pessoas, uma mulher e um homem.

     -- Edgart, boa noite -- diz a mulher -- Esse é Lucius, Inspetor da Guarda.
     -- Boa noite, Tarja -- Edgart se preocupa -- A que devo a honra?
     -- Nada oficial, Edgart. Só trouxe Lucius para conhecer a livraria. Não quero atrapalhar -- ela diz isso olhando para o cliente.
     -- Eu,... visita. Você,... Inspetor?
     -- Eu sou Inspetor da Guarda da cidade. Prazer, Lucius.
     -- Eu,... Rayki. Também trabalho Inspetor.
     -- Com licença -- pediu Edgart. Uma luzinha vermelha havia acendido, atrás do balcão, e Edgart entrou em seu escritório.
     -- Que bom. Está aqui investigando o que?
     -- Eu?,... conhecendo cidade.
     -- Por favor, com licença -- pede Edgart, vindo apressado -- "Seja bem vindo, Inspetor. Você visita cidade, ou trabalho?" -- Edgart disse isso em outra língua.
     -- "Iyalaloui (Obrigado). Você fala macro Oka? Que bom saber que vim ao lugar certo. Como eu explico a eles o que estou fazendo? Estou aqui a trabalho, investigação da Academia. Você consegue me entender"?
     -- "Um pouco" -- e se virou para Tarja e Lucius -- Ele é de outro mundo, é Inspetor de uma organização muito importante, e está precisando de ajuda.
     -- Você está aqui investigando o que? -- questiona Lucius.
     -- Eu,... investigando Ilha de Realidade, Belo Horizonte.
     -- Olha, eu já ouvi falar disso -- diz Tarja -- Você tem o mapa da Ilha de Realidade?

     Inspetor Rayki tirou a pasta preta de debaixo do braço, e mostrou o mapa.

     Não demorou praticamente nada, até que Tarja concluísse.

     -- Isso é exatamente o mapa da Escola em ruínas que não existia antes -- e se virou para o visitante, muito séria -- Precisamos da sua ajuda. Nós te ajudamos, você nos ajuda.
     -- Grata -- Rayki está começando a se acostumar com a língua -- Muito bom. Eu ajudar vocês investigação, também.
     -- Estou começando a gostar disso -- diz Lucius -- Vamos ajudar.
     -- Então,... eu,... nós,... grupo?
     -- Está certo, isso. Nós vamos investigar isso também -- conclui Lucius.
     -- Os independentes e a Nação da Magia também -- conclui Tarja.
     -- Academia,... também -- Rayki fecha o acordo.

             (Fim de Sessão)

     Algumas considerações

     Quem deixou a pasta preta na mesa de Rayki?
     Como será que Rayki vai lidar com a investigação dos mapas, considerando que ele já encontrou uma Ilha de Realidade, que por si só já vale alguns anos de investigação?
     Todos os que morreram se tornaram Bênçãos, ou não?

          Obrigado por ler e,...
             Stay Plugged.

Friday, 13 January 2017

Feliz Sexta Treze

     Feliz Sexta Treze! A todos.

     A tradição de comemoração da Sexta-Treze se dá em todos os lugares aonde a Magia vai, sendo um dia em que a comunidade bruxa se reúne para falar de qualquer coisa, menos Magia, evitando assim que a Magia caia em mãos erradas. Fala-se de qualquer assunto, menos Magia. Há bruxos e bruxas que preferem ficar em casa, e aproveitar para fazer rituais. É, e sempre foi, um excelente dia para fazer seus rituais.

     Hoje, o Ritual é o de prosperidade.

     Eu invoco O Kaos sobre aqueles que tentarem roubar minhas ideias.

     Este blug e seu blug irmã são publicados em Creative Commons, mas a autoria das histórias é minha e isto significa que vou invocar da lei caso tentem roubar minhas ideias.

     Àqueles merecedores das minhas palavras, feliz 2017! (-;

     Àqueles que não, vão,...

     Este blug está sendo traduzido para português.

     Seu blug irmã também está.

     Vamos ao trabalho, que é isso que a gente gosta.

     E, apesar de tudo, bons sonhos.